17 março 2015

Conexões afetivas e o que afeta em nossas vidas

Olá colegas, amigos e leitores!

Hoje venho mais uma vez falar sobre o afeto e de como ele é responsável por todas as nossas relações com o mundo, afinal, só existimos de verdade, pois somos seres afetivos.

O afeto não é somente o amor, mas sim um misto de todos os sentimentos, é tudo aquilo que nos afeta de alguma maneira, seja pelo desprazer ou pelo prazer. Estarmos afetivamente conectados com algo, significa que fazemos parte desse algo, vivenciamos esse algo de alguma maneira e isso produz o que chamamos de sentimento.

Quando não temos essa ligação afetiva com determinadas situações, é como se elas não existissem ou não existissem para nós, pois se realmente existisse afeto, nós poderíamos odiar, amar, sentir repulsa, etc.
Algumas coisas no mundo só dão certo, quando existe a vinculação afetiva ou interesses afetivos, isso é com as amizades, com os relacionamentos íntimos, com os animais que criamos, com nossa profissão, dentre infinitas coisas.

Relações originais são aquelas de afetos verdadeiros e não de relações artificiais, por exemplo, existem pessoas e pessoas, ou seja, existem aquelas que realmente gostamos e fazemos questão de estarem presentes em nossas vidas e existem aquelas que só vemos de vez enquando, aquelas que não perderíamos muito tempo de nossas vidas, somente às cumprimentamos ou às suportamos.

Outro exemplo que posso dar é no campo das relações afetivas, acho que todos que estão lendo esse texto já se apaixonaram e quando isso ocorreu, nenhuma outra pessoa bastou e isso ocorre pois determinadas pessoas possuem em sua essência subjetiva, elementos psíquicos que se comunicam de maneira aprofundada com nosso inconsciente, é como a relação do produto original e do produto falsificado ou similar.

Deixo essa reflexão com vocês e espero que gostem, fazia muito tempo que não conseguia escrever um texto original, vindo do coração para vocês.

Deixo vocês com o vídeo da música Ouro de Tolo do Raul Seixas, no qual descreve uma pessoa com dificuldades afetivas, dificuldades em sentir prazer de viver da maneira como vive.



21 janeiro 2015

Dormir, sem dúvida realizar

Pessoal, foi pensando em um trabalho que fiz sobre os sonhos, em meu primeiro ano de faculdade em psicologia, que decidi escrever esse texto e vou me arriscar um pouco no campo da psicanálise.

Como todos sabem ou se não sabem, a mente humana trabalha a todo vapor o tempo todo, inclusive enquanto dormimos e não existe um momento em que o cérebro está totalmente paralisado em suas funções, mesmo em pessoas em coma, algumas acordam e sabem direitinho o que foi dito perto delas no período que foram acometidas por esse estado “vegetativo”.

Como eu disse no início, fiz um trabalho sobre os sonhos por uma perspectiva neurocientífica, ou seja, uma visão voltada ao neurológico e não muito à subjetividade. A proposta era uma análise do texto “Dormir... sem dúvida... sonhar”, em que os pesquisadores com seu aparato material e teórico, investigaram sobre os ciclos de sono e sonho R.E.M (Rapid-Eyes-Moviment) o sonho propriamente dito.

Em alguns períodos do sono sonhamos, mas não sonhamos o tempo todo em que estamos dormindo, em alguns períodos ocorre somente o relaxamento muscular. Nesse artigo, o sonho aparecia como se fosse um estado de relaxamento intelectual, um momento de limpeza mental.

Nas minhas aulas de neuro, aprendi também que, a frequência de ondas emitidas pelo cérebro quando sonhamos é a mesma de quando estamos acordados, o que me leva a entender depois de um tempo, pensando na velha ideia de que temos um inconsciente, cheio de resíduos reprimidos, que o sonho talvez possa ser como uma limpeza do inconsciente.

Como é proposto por vários teóricos, não temos acesso a essa parte do nosso aparelho psíquico e não temos controle do que fica armazenado dentro dele, mas que agimos perante as pulsões (forças) geradas pelo inconsciente.
O ser humano possui partes racionais, partes instintivas e dentro dessas duas forças existe o desejo, que nem sempre é realizado na hora e da maneira como queríamos. Quando não é realizado, seja por moralidade ou por inviabilidade, o desejo é reprimido e fica por período indeterminado, latente no inconsciente. Dependendo da força gerada por esse desejo reprimido, a pessoa pode adoecer psicologicamente, mas não quero ficar nesse assunto de adoecimento, quero falar sobre os sonhos.

Quando sonhamos, a barreira de repressão que não deixa o conteúdo latente manifestar-se conscientemente, abre uma pequena brecha e alguns conteúdos reprimidos, sejam de ordem sexual ou não, conseguem de alguma forma chegar a nível consciente, não explicitamente como quando acordados, mas simbolicamente através de projeções manifestadas dentro do sonho. Essa é mais uma maneira de encobrir os conteúdos latentes, a barreira da repressão não se abre por completo, pois nem sempre nos lembramos ou temos consciência total do que se passou no sonho, lembramos apenas de fragmentos.

Existem os sonhos bons e pesadelos e não podemos escapar disso, pois, assim como existem desejos prazerosos, temos por natureza, certo vicio masoquista na dor e ela também serve para evolução psíquica, é grande aliada das grandes ideias e de nossas inquietações.

Então coleguinhas, posso concluir que a neurociência está de certa forma correta em relação à limpeza mental que o sonho nos proporciona e esse relaxamento mental pode ser uma forma de manifestação de desejos reprimidos sim. Pois se realmente existe o inconsciente, este possivelmente tem um limite de armazenamento de tristezas e desejos, que não podemos concretizar, necessitando assim, colocar para fora esse conteúdo, realizando os desejos, seja no campo da fantasia ou na racionalidade.

Algumas pessoas dizem que não sonham, mas sonham sim, só não conseguem se lembrar que sonharam. O uso exacerbado de álcool e de alguns psicofarmacos, inibem parcialmente o sonho R.E.M, mas não por completo.


Bem pessoal, encerro o post por aqui deixando dois vídeos que penso que remetem à ideia de inconsciente, o primeiro mostra duas pessoas que não conseguem se aproximar e mostra também nitidamente o lance de recalque e sujeira inconsciente, quando eles estão cada um em um quarto bagunçado tristes tentando sair. O segundo é referente aos sonhos e aos conteúdos latentes, o intuito são as imagens, então abstraia a ideia dos clipes, para ver nitidamente o que estou propondo.



16 janeiro 2015

“Poema”: uma reflexão sobre desenvolvimento psicodinâmico suficientemente bom.

Olá colegas, amigos e leitores!

Hoje vou escrever sobre uma música do Ney Matogrosso que me chamou atenção em vários aspectos, fiquei encantada com ela e resolvi escrever sobre a música “Poema”.

Ele inicia a música falando que acordou de um pesadelo, assustado, com medo e procurou por amparo, penso que talvez esse pesadelo seja algum período de muitas dificuldades, em que a mente dele estava em um lugar ruim (talvez estivesse numa espécie de umbral psíquico), mas é tratado metaforicamente como um sonho ruim.

No meu entendimento, quando sonhamos vamos para um lugar que desconhece tempo e espaço e é viável acordar de um pesadelo dessa forma, afinal, quando sonhamos vivenciamos o sonho, naquele momento ele é realidade, a mente não é um objeto concreto, então nesse momento que estamos inconscientes, elabora ou não as vivências como algo real e o que fica para nós é o conteúdo manifesto que nem sempre conseguimos colocar em palavras. O interessante disso tudo é a regressão que ele mostra na música, procurou por seu objeto afetivo, vou chamar de mãe esse objeto de afeto.

Quando despertou do lugar que desconhece tempo e espaço, regrediu à sua infância, se viu numa situação em que se sentia desprotegido e era acolhido, protegido e amparado por sua mamãe, portanto, a criança interna dele acordou pedindo colinho da mamãe, quentinho, macio e seguro.

Discorre que acordou no escuro e procurou alguém com o carinho, realmente ele foi buscar esse carinho no escuro, lá no inconsciente e achou e pode usufruir, não necessitou chorar e nem reclamar abrigo, pois isso tudo estava bem integrado nele. Ele levantou atento e a tempo de receber um abraço interno antes de sucumbir ao medo.

Isso me remete a ideia Winnicottiana sobre a capacidade de estar só, em que o sujeito consegue se sentir bem na presença das pessoas ou com ele mesmo, nunca se sente sozinho, pois foi bem nutrido afetivamente em suas necessidades por seus objetos de afeto na infância e seus cuidadores estão integrados internamente, ele sente-se confortável com o que tem, com o que é e sempre que precisa recorrer ao abraço de amparo objetal, o abraço está lá e não gera medo, gera conforto, pois seus objetos foram suficientemente bons e puderam proporcionar a ele um desenvolvimento satisfatório a ponto dele ser sujeito de si mesmo.

Realmente a coisa que ficou nele e não teve fim, nunca terá fim, pois viverá sempre nele, como uma tatuagem e toda vez que a criança interna falar mais alto, a mãe suficiente internalizada estará lá para dar segurança e suporte ao conflito, seu objeto transicional foi internalizado.

Quando ele diz que de repente está perdendo algo, não consigo entender como perda, porque fica no caminho, não sai dele, soa mais como tomar consciência do que estava inconsciente para ele, esquecido e não perdido.
É dito também que ele via o infinito sem presente, passado ou futuro, o que me remete à ideia de inconsciente, pois como afirmei no início, esse espaço da nossa mente desconhece espaço e tempo. Esse espaço é escuro e frio, desconhecido ao mesmo tempo conhecido, mas é iluminado pela tomada de consciência de sua condição, de sua autonomia, da capacidade de resolução de conflitos.


Encerro minha reflexão da música com o clipe no final, logo volto com texto novo para vocês.