26 dezembro 2014

Mundo contemporâneo e a solteirice da mulher contemporânea

Olá querides!

Acho que preciso dar um retorno para vocês, uns dois meses atrás solicitei para algumas pessoas preencherem um formulário e até hoje não consegui sentar para escrever o texto sobre preferências, estou afundada de coisas pra fazer da dissertação, peço desculpas, mas logo sai.

Já faz um tempo que tenho escrito sobre as mudanças e da confusão paradigmática de gêneros que vivemos atualmente e outro dia estava ouvindo a música “Another day” do Paul Mccartney e me dei conta de algumas coisas que ainda estão em um processo muito primitivo de mudança, bem no comecinho.

Estava pensando nas mulheres e homens heterossexuais solteiros e essa música fala exatamente um pouco sobre a mulher contemporânea e na solidão que a independência econômica e sexual pode oferecer para nós, mas ainda não sabemos lidar com isso, afinal pouco menos de 30 anos éramos destinadas ao casamento e aos cuidados familiares, mesmo se trabalhássemos fora, não existe ainda um espaço social sem preconceitos para a mulher solteira, portanto, ainda de certa forma estamos procurando um parceiro para sermos “felizes para sempre”.

Os homens por outro lado, já estão nessa “parada” a mais de 5 mil anos e sabem lidar bem com isso, aliás, quando decidem se envolver com alguma mulher, meio que se “endireitam”, pois a vida sem uma mulher é de diversão e esbórnia, estes sabem bem lidar com isso, já grande parte das mulheres quando estão sozinhas, sentem-se realmente sozinhas, a sociedade não permite os mesmos benefícios que os homens solteiros possuem, como saírem sozinhas para um bar para encher a cara, sempre precisamos da companhia de outras pessoas.

Pessoas o que eu estou querendo dizer com esse texto é que ainda não sabemos muito bem como lidar conosco e nem com o que a vida tem pra oferecer, o que a solteirice tem para oferecer, os homens podem sair e pegar várias que sempre vão estar em uma posição de macho alpha, já as mulheres não, se começa a se comportar assim, são vistas como lixo e eternamente temos que ficar adiando a felicidade em todos os aspectos e sentindo culpa por tudo.

Precisamos achar nosso espaço de felicidade e da solidão saudável, achar nosso espaço social de diversão e não ficar à mercê de se divertir somente quando estamos com alguém, mas ainda falta muito tempo para isso acontecer, ainda estamos no começo da diluição, espero que daqui um tempo não exista mais aquela frase “fulano arrumou namorada e endireitou”.
  
Deixo a música do Paul agora no final e outra da Cyndi Lauper que é como um grito de liberdade ao direito das mulheres se divertirem também, desejo um ano de 2015 cheio de crescimento intelectual para todos e de muita luta para que ocorra essa diluição bem rápido, não aguento mais ser mulher, quero ser pessoa definitivamente.



22 novembro 2014

Mocinhos ou bananas?: reflexões sobre homens bonzinhos demais.

Vou escrever sobre falsos mocinhos, ou seja, sobre “homem banana”, aqueles que justificam sua bondade por falta de opinião e coragem de mostrar como são.

Pessoas sabem aqueles garotos que fazem tudo o que vocês querem e que com o tempo, dá repulsa? E quando pensamos em terminar ficamos com certo tipo de culpa, dizendo a nós mesmas: “Ele é tão bonzinho, faz tudo o que eu quero, nunca reclama” e sempre vem alguma pessoa e fala “mulher gosta de ser pisada”? Ou te rotulam como mulher de malandro?

Não é que mulher gosta de ser pisada e nem quer dizer que somos “mulher de malandro”, mas sim que gostamos de segurança. Esse tipo de sujeito, não é seguro de suas opiniões, por isso faz tudo o que queremos e quando mais necessitamos da espontaneidade deles não temos, pois temos que solicitar a ajuda.

Em certos casos, precisamos fazer um mapa ou desenhar nossas necessidades, pois, este tipo de ser nos abandona afetivamente, já que a atitude deles depende da nossa. Em relacionamentos dessa forma, o tal falso mocinho se faz de vítima quando solicitamos atitude deles, chegam a dizer que realmente estão preocupados com o relacionamento e que morrem de medo do rompimento.

Essas pessoas são acomodadas e estão no relacionamento por conveniência, não por que gostam de ficar conosco, mas sim, porque gostam da comodidade, gostam de não se mostrar, afinal, se relacionar com a parceira, gasta energia e dá trabalho, então é mais fácil e cômodo fazer tudo o que a parceira quer e não pensar, para essas pessoas é mais simples, pois, gostam de empurrar a vida com a barriga.

Com o tempo sentimos repulsa, como eu escrevi no começo do texto, pois sempre um dos parceiros age pelos dois e nutre deficientemente o relacionamento, vira uma relação narcisista e solitária, a famosa “solidão a dois”.

Como estamos sentindo carência afetiva e o nosso parceiro só funciona se o colocarmos para funcionar, na hora da cama, a libido morre, não sentimos vontade, pois não existe movimento do mané em outras partes do relacionamento e aí, o falso mocinho cobra a relação sexual, se colocando no papel da vítima novamente, dizendo que somos secas e que não somos carinhosas, o que na verdade, não somos nós, são eles que não fazem a parte deles.

Volto a dizer coleguinhas, mulher gosta de segurança e gosta de saber que tem com quem contar, não de alguém que as obedece, na verdade acho que ninguém gosta disso e se todas as nossas vontades fossem supridas não teríamos porque viver, sendo que o adiamento do prazer em alguns momentos serve para evolução e no relacionamento afetivo movimenta e une os parceiros, é como se fosse uma dança.

Escrevi isso em um dos meus primeiros textos aqui no blog e volto a dizer, nossos primeiros objetos de afeto, são nossos primeiros cuidadores, ou seja, nossos pais na maioria das vezes e no processo educacional, nem sempre são bonzinhos e fazem tudo o que queremos, a bondade deles está em ensinar a suportar frustrações, ter autonomia e maturidade em nossas decisões e que devemos ser ponderados com os nossos atos, equilibrados em nossas vidas.

Ensinam-nos a viver em sociedade e nos tornarmos seres civilizados, portanto, para vivermos em sociedade devemos abdicar nossos desejos em alguns momentos e em outros momentos, satisfazê-los de forma amadurecida, com consciência e autonomia e não abdicar em tudo, para satisfazer o próximo, afinal, o mocinho no final do conto de fadas, salva a mocinha por espontaneidade, por vontade e não porque ela mandou. A mocinha salva o mocinho por dar movimento aos dias tediosos dele antes de conhecê-la.


Encerro a postagem por aqui e deixo o vídeo, como sempre, no final do post, mas o clipe original não estava disponível para incorporar no corpo do texto.

19 novembro 2014

Confiança = Incoerência

Olá queridos leitores, colegas e amigos!

O que é confiança?

Existe mesmo isso?

O ato de confiar é social?

Usamos a confiança de desculpa para não assumir nossos atos?

Usamos essa palavra em vão?

Bom como alguns de você já estão cansados de me ouvir falando nisso, eu não acredito em confiança, mas sim em coerência pois não acredito que exista um ser humano incorruptível, todos somos corruptíveis e temos falhas, não é à toa que existe a seguinte frase “Ninguém é perfeito”, portanto se ninguém é perfeito é passível a erros e atos maldosos, seja contra si, como com o próximo.

Acredito que as pessoas seguem o roteiro até que isso seja significativo, mas a partir do momento que deixa de ser e outros interesses surjam, a vinculação muda e o contrato se renova com outras roupagens, afinal, somos responsáveis somente por nossas escolhas e por nossa vivência, não temos a capacidade de decidir pelos outros, somos seres humanos.

Ser coerente não tem nada a ver com confiança, tem a ver com respeito próprio e respeito ao próximo, visto que, quando somos coerentes com a gente, existe o cuidado interno e externo e abrimos espaço para o próximo, abre o espaço para escolhas e para a não violência gerada pela culpabilidade da confiança. A coerência movimenta para o conhecimento interno de nossas limitações e vontades ao contrário da confiança, que cega e afasta as pessoas de si mesmas.

Algumas pessoas não utilizam preservativo, porque confiam em seus parceiros, mas confiam como? Qual a base de confiança que as pessoas usam? Aí algum engraçadinho pode dizer “Raquel chata, pra acontecer o relacionamento tem que ter confiança”, não é bem assim pessoas, desejo não tem nada a ver com moralidade, ele simplesmente aparece por alguma identificação e aí a coisa pode ou não pegar fogo e isso não quer dizer que tais pessoas não sentem amor por seus parceiros, quer dizer que aconteceu uma vontade, seja carnal ou emocional, não somos monogâmicos por natureza, somos socialmente monogâmicos e deslizes acontecem. Então confiança quer dizer imunidade? Não se usa preservativo porque confia? Então, se existe confiança as pessoas tornam-se imunes as DST/AIDS?
Não podemos confiar nem em nós mesmos, pois às vezes cometemos erros dos quais nos arrependemos por muito tempo, portanto, confiar no próximo é depositar expectativas às vezes irreais em uma pessoa.

O próximo é tão passível de erros e falhas como qualquer ser humano e existe a questão de projetarmos nossas necessidades nas pessoas e quando elas não são supridas, ocorre a frustração, assim sendo, cobramos do próximo o que falta em nós e por isso que eu digo meus queridos, a coerência é a melhor aliada.

Se nos conhecemos ou pelo menos fazemos o mínimo esforço para que isso aconteça, não existe o espaço nebuloso da confiança e a frustação torna-se aliada da evolução interna, da maturação de nossos mecanismos afetivos, deixamos o afeto afetar com mais espontaneidade e deixamos de jogar a reponsabilidade no próximo tornando-se sujeitos de nós mesmos.

No campo das DST/AIDS não existe confiança e digo mais, quem não usa preservativo atualmente é suicida e incoerente, pois, se não cuida nem da própria saúde física, que é uma coisa básica a qualquer ser humano, o que se pode dizer da saúde mental do indivíduo que se coloca em uma atitude de risco dessas?


Fica a reflexão para vocês e espero que sejam mais coerentes com vocês mesmos e com as suas pessoas afetivas, deixo as sábias palavras de Cazuza, que foi muito coerente com suas escolhas, devorou o céu e o inferno de uma vez, mas pagou um preço alto por ser guloso. A música do Engenheiros é um pouco mais complicada, mas muito válida ao post.

15 novembro 2014

O ciúme como uma justificativa machista para o crime passional

Olá pessoas!

Hoje venho discorrer novamente sobre algo que é muito comum nos relacionamentos afetivos e que em alguns casos pode colocar fim nas relações de afeto, justamente por extrapolar as limitações sociais e intimas do casal.

Nossa sociedade ainda conta com aspectos patriarcais, não estamos totalmente diluídos, mesmo que exista esse discurso, ainda não é de total realidade e pode-se observar que existe o discurso que protege os homens com relação ao ciúme, visto que a sociedade ainda entende que a maioria dos homens não são ciumentos, justamente pela crença de que homens são mais sexualmente ativos que as mulheres e quando estão em um relacionamento afetivo estão protegendo sua honra contra a infidelidade e assim podem coagir a mulher a fazer tudo que julgam se melhor para proteger sua honra.

Aquela historinha que sempre contam sobre mulher ser mais ciumenta é balela, tanto é que a maior parte dos crimes passionais são cometidos por homens, em uma pesquisa realizada por Centeville e Almeida (2007) pude verificar que se estima que entre 10 assassinatos passionais, 3 foram cometidos por mulheres, então queridos, mulheres não são mais ciumentas, homens são e usam a legitimidade social para cometer atos criminosos dentro das relações afetivas.

Quando o ciúme é saudável, faz o sujeito refletir o relacionamento e inclusive conversar com a parceira afetiva e tentar resoluções dentro do relacionamento. Inclusive pude captar em minha revisão de literatura que por muitas vezes pessoas que possuem ciúme patológico, quando são colocadas de frente com o que acreditam ser realidade, por muitas vezes tornam-se agressivas ao constatar que estavam erradas e não admitem que estão, sempre culpam as outras pessoas por seus atos, em geral não se responsabilizam pela violência cometida, seja ela física ou psicológica.

As mulheres que são vítimas de ciúme, não estão com a pessoa porque gostam de ser agredidas, mas sim porque o relacionamento com o tempo as enfraquece e por esse enfraquecimento, não conseguem se defender, pedir ajuda e muitas delas morrem em decorrência disso e isso é muito sério.

Deixo a música “Será” da Legião Urbana e a música “Esse Cara sou Eu” do Roberto Carlos, para ilustrar na arte formas de ciúme e comportamento controlador.




12 novembro 2014

O Afeto é tudo que te afeta

Olá querides!

Trocadilho bom né? Muito lógico? Nem tanto.

Quando alguém diz algo sobre afeto, penso que falam de amor, mas o afeto não é só amor, como também as paixões não estão somente ligadas à excitação. Todas as emoções e sentimentos são constituintes do afeto, tais como: amor, raiva, tristeza, angústia, desespero e é justamente aí que entra a reflexão, pois o afeto é todo sentimento e emoção que nos afeta diretamente e internamente, é como uma flechada na alma da gente.

O afeto é tudo que deixa a gente com o pé no chão e sem chão, ou seja, é tudo que mexe realmente conosco e se não há afeto ou significação afetiva, não existe vida ou movimento interno, pois o afeto é a carga que impulsiona nossas ações e reações perante o mundo interno e externo e se este não existe, não fede e nem cheira, é como se para algumas situações estivéssemos em piloto automático, pouco responsivos às situações.

Se você não se envolve afetivamente com seu emprego, nem que seja por desagrado, provavelmente se teu chefe chamar tua atenção em relação ao seu “mau desempenho”, entra por um ouvido e sai pelo o outro. Entretanto, se você tem carga afetiva pela função que exerce, dependendo da situação, tira tua noite de sono e te deixa neurótico, pois, algum conteúdo interno e afetivo mexeu contigo, seja por medo de perder o emprego e ficar sem o dinheiro, seja por sentir-se injustiçado, por trabalhar e não ser reconhecido, dentre outras coisitas mais.

Quando sentimos medo, fugimos ou enfrentamos o “bicho papão”, já que, se não houvesse o significado afetivo, seriamos indiferentes à situação.

Vou exemplificar sobre o sentimento raiva, ou seja, pode ser que em algum momento passamos por frustração, seja por alguma pessoa ou instituição e o que ficou para nós internamente foi a raiva, seja de não alçarmos nossos objetivos ou de não compreender o acontecido, pois a ignorância causa raiva também, ficamos transtornados quando não entendemos determinada situação, ou não temos como entender, como se estivéssemos em uma camisa de força. Sentimos raiva quando defendemos algumas ideias e a sociedade faz questão de amordaçar nossos ideais e posso dizer conscientemente, que isso tudo é afeto.

Só evoluímos em determinados aspectos de nossas vidas quando há significado afetivo em nossas inquietações, pois, se existe significado é porque algo nos afetou e movimentou nosso olhar para a questão.

Termino o texto por aqui e deixo vocês com a música “Socorro” do Arnaldo Antunes.


08 novembro 2014

Muro das lamentações: O presente é um presente ou uma vida de lamúrias/discurso melancólico?

Olá querides!

Hoje à tarde eu estava me perguntando: Se algumas pessoas vivem remoendo a vida e o que passaram, porque não procuram fazer um presente melhor para que no futuro surjam lembranças gostosas e prazerosas? Porque as pessoas teimam em viver dentro de um pesadelo mental?

Pensei na infância, que em geral temos boas recordações, sendo que tem até site para recordar, pelo menos da minha infância têm vários relembrando os anos 80. Então se as recordações da infância é são boas, o que acontece a partir da adolescência que as coisas mudam?

Poxa! É claro! Em uma infância consideravelmente saudável, temos cuidadores que nos ensinam a enxergar o mundo e não somos tão responsáveis por nossos atos, não estou negando os sofrimentos infantis.

Talvez por ser um período em que as cobranças sociais e morais não sejam tão pesadas, talvez por não necessitar tanto daquela máscara ética que permeia as relações humanas, talvez porque nossos mecanismos de defesa estejam em estado pré-maturos e ainda não se desenvolveram como nos adultos, só sei que, ser adulto não é fácil e nem deve ser.

Penso também que seja uma fase em que temos contato à primeira vez com o mundo, testamos o mundo e as crianças não fazem as coisas na racionalidade, são espontâneas e se permitem ao movimento da esperança.

Quando chegamos à fase da adolescência somos basicamente forçados a manter um padrão social nas relações e aí as coisas complicam, pois, esse padrão na verdade é ideológico e utópico e cada ser aprende ética e moral de uma forma, não viemos todos da mesma família, os valores não são homogêneos, cada família tem uma crença, normas e valores que diferem umas das outras e aí a confusão é iniciada.

Somos obrigados a lidar com as diferenças sociais e às vezes o que é diferente fere e machuca quando não estamos seguros de nós mesmos, então tentamos à todo custo impor nossa forma de ver o mundo e com o amadurecimento mental dos anos, percebemos que não podemos mudar o mundo, que isso não é bacana e que devemos aprender a viver com as nossas representações de mundo, nossos anseios e nossas dificuldades e paramos de culpar o outro por nossos fracassos, nos responsabilizamos por nossas derrotas e vitórias, isso é bacana no desenvolvimento.

Infelizmente a maioria dos seres humanos teima em culpar o outro, ou seja, o errado sempre é o outro, não nós mesmos e assim voltamos à infância, lá quando eram nossos cuidadores que se responsabilizavam por tudo que fazíamos, portanto, acredito que quando culpamos nosso próximo e vivemos uma vida de coitadinhos, de injustiçados, regredimos aos pontos mal elaborados de nossa vida mental.

Será que viver uma vida de lamentações não tem algo em comum com certa melancolia e nostalgia ao tempo em que não éramos responsáveis por nós? Uma forma de querer um colinho de nossos cuidadores?

Acredito que só amadurecemos quando aprendemos a reconhecer no cotidiano nossos pesos e pesares por nossos atos e só vamos conseguir de verdade construir um presente agradável quando finalmente evoluirmos o bastante para nos tornamos sujeitos e agentes dos nossos atos, enfim, ampliar nosso conceito de vida saudável, em que somos responsáveis por nosso prazer, por nosso desprazer e não deixar a vida levar, mas sim tomar as rédeas da situação e transformar o presente em um presente internamente satisfatório no cotidiano.

Uma coisa ruim não é só ruim, a ambiguidade está aí pra isso e coloco duas frases engraçadas para a reflexão: “Se a vida te deu um limão, então faça uma limonada”; “Se a vida te virou as costas, então, passa a mão na bunda dela”.

Se as coisas não estão da forma como gostaríamos é porque de alguma forma conduzimos para que isso estivesse acontecendo, seja consciente ou inconscientemente, temos nossa parcela de decisão em tudo, mesmo que não reconhecemos e jogamos isso só nos outros.

Deixo a dica de um filme maravilhoso chamado “Ensina-me a viver” que foi bem indicado por uma supervisora clínica e essa eu tenho que agradecer muito, foi quem me ensinou a clinicar, basicamente uma mãe acadêmica. Aproveito para deixar o trailer do filme e indicar a trilha sonora também.





05 novembro 2014

Dúvida do leitor: A perfeição está na imperfeição?

Olá colegas amigos e leitores!

Hoje venho discorrer sobre a utopia do gostar e sobre como idealizamos seres impossíveis de existirem na realidade, contei com o pedido da  leitora  Amanda  Castro (nome fictício) para escrever esse texto. Ela enviou um e-mail que dizia assim:

“Raquel, tenho um namorado e no começo ele era o homem perfeito, educado, gentil e com o tempo se tornou distante, arrota na minha frente e outras coisas, nem pagar a conta do bar ele paga mais, antes não me deixava pegar na carteira pra pagar, não faz mais nada daquilo que me fez gostar dele, dá pra explicar isso por favor?”

Amanda querida, somos o tempo todo bombardeados desde que nascemos pela construção de ideais de relacionamentos afetivos irreais, um exemplo disso são os contos de fadas e produtos culturais (filmes, novelas, etc) e por muitas vezes sofremos pois não sabemos aceitar as pessoas como são, com todos suas nuances que alguns chamam de defeitos e qualidades.

Ninguém gosta das pessoas porque elas são boazinhas, nos apaixonamos pelos defeitos das pessoas, do que é diferente de nós mesmos, do que nos faz movimentar de encontro ao outro, o que nos faz relacionar, pois se fossemos iguais, não teria mais graça.

Sonhamos e fantasiamos com uma pessoa perfeita, ideal, que construímos na nossa imaginação e que existe só no primeiro momento da conquista e digo a vocês que de início as pessoas fazem de tudo pra garantir o relacionamento, cometem vários equívocos, ou seja, alguns homens no começo abrem a porta do carro, pagam a conta, reservam o melhor lugar para sentar, levam no motel mais caro.

Depois da conquista e da estabilidade, começamos a conhecer melhor a pessoa e a pessoa real dá as caras no relacionamento, aquela que lambe a faca na mesa do restaurante, que prefere ver tv a conversar, que te larga pra ler um livro, que gosta de sair com os amigos e jogar futebol aos finais de semana.

Outra coisa que as pessoas não se dão conta, é que assim como qualquer relacionamento, a gente se relaciona dessa maneira com tudo no mundo, outro exemplo que posso dar é na profissão, ou seja, quando começamos em um emprego novo, adoramos, fazemos de tudo para impressionar e quando passamos da fase probatória, relaxamos e começamos a mostrar nossa personalidade profissional real.

Amanda provavelmente você era outra pessoa no início, acredito que isso seria um bom assunto pra ti e para o seu parceiro conversar e relembrar as fases boas do relacionamento, isso seria bem legal, recordações boas das épocas antigas, acho que é uma maneira bacana de vocês se divertirem, mas sem cobranças, pois hoje em dia vocês são o que são de verdade e no melhor sentido, ao pé da letra.


Finalizo o texto com duas do Chico Buarque, que refletem bem o texto.


01 novembro 2014

A síndrome de Mestre dos Magos: quando eles somem sem mais, nem menos.

Olá colegas, amigos e leitores!

Agora pouco estava assistindo “Adorável Psicose” (Mestre dos Magos), em um episódio em que a Natália Klein estava apaixonada por um peguete e ficaram por uma semana, só que foram encontros significativos para ela e sem mais e nem menos, o peguete sumiu e nunca mais apareceu.

O que eu estou querendo dizer querides?

Algumas pessoas aparecem em nossas vidas, se mostram de maneira especial e na hora de dar continuidade somem e nunca mais aparecem, assim como o peguete da Nathália Klein que no final do episódio, depois de sumir por dias ou semanas, reaparece e diz que para ele não foi tão agradável e que não era “muito” afim dela.

Daí fico me perguntando aqui

Se não foi recíproco porque não informar a pessoa de tal fato ao invés de alimentar esperanças e depois sumir?

 Quer dizer que quando não somos tão afins da outra pessoa, esta não merece saber o que está acontecendo?

Isso é um ato maquiavélico, tanto quando os homens fazem, como quando as mulheres fazem e se não são afins não custa informar, as pessoas merecem respeito de nossa parte, não são objetos de consumo nossos, são pessoas, com sentimentos, ilusões, sonhos dentre outras coisas que te fazem um ser afetivo e humano.

Sumir é um ato de covardia com a outra pessoa e entendo que não entrar em contato é uma das maneiras mais desrespeitáveis e desprezíveis que uma pessoa pode fazer com a outra, não devemos concordar e muito menos permitir.

Seguindo essa lógica, quando a pessoa está afim de você, realmente ela vai te procurar, vai tentar demonstrar de alguma maneira que está ali e não simplesmente sumir, pois, sumir é o que te faz ter certeza que a pessoa não tem o mínimo respeito por você e muito menos quer seu bem, pois prefere sumir a te dar algum nível de explicação.


Bem, vou terminando o texto por aqui e espero que tenham entendido que quando realmente respeitamos as pessoas, não damos espaço para que entrem em confusão mental, mas sim, jogamos limpo e verdadeiramente, quem não se importa conosco, não quer nossa presença por perto e muito menos se importa com nossos sentimentos.

29 outubro 2014

Afetos e seus segredos: Pertencer, pertencimento e engajamento.

Olá colegas amigos e leitores!

Hoje venho conversar com vocês sobre o que movimenta o sentimento das pessoas e o que em geral as pessoas reclamam, mas nem sempre nos damos conta disso, sobre como as pessoas se apaixonam e amam. Vou tentar explicitar isso, mas nunca levem como verdades universais o que eu digo aqui, são só explanações e reflexões das temáticas que exponho.

Quando vemos um bebê lindo na rua ou o filho/a de algum conhecido, em geral vamos brincar e emitir vozes infantilizadas, nos derretemos por um sorriso, para o bebê ficar feliz e isso gera um sentimento de ternura.  Outro exemplo desse sentimento na infância é quando éramos presenteados com o brinquedo que queríamos, chegávamos a dormir com o brinquedo ou quando um coleguinha era muito legal e as horas passavam rapidamente, pois a brincadeira superava as expectativas e ninguém queria voltar para casa.

O que estou querendo dizer meus queridos leitores?

Quando gostamos de uma pessoa queremos brincar, emitimos vozes infantis, só que nós crescemos e a brincadeira com o coleguinha envolve outras nuances, atingimos inconsciente e consciente os ideais infantis com relação ao mundo.

Quando me refiro aos cuidados que temos com os bebês, me remete ao engajamento que esperamos da outra parte, afinal o normal é que em primeira instância, nossas primeiras experiências afetivas são no cuidado carinhoso que em geral se fornece aos bebês, nossos cuidadores são a janela para o mundo afetivo, é com eles que aprendemos a amar. É no toque da pele, no alimentar, nas brincadeiras que aprendemos com eles a amar.

O que vejo mais no mundo são pessoas reclamando que a parceria afetiva não corresponde às expectativas e penso que esses relacionamentos podem estar com uma baixa de engajamento ou as solicitações são delirantes (bebês que berram a noite toda querendo mamar e carinho, insaciáveis) e as expectativas irreais com relação à outra parte, pois nem sempre temos para oferecer ao outro cuidado extremo ou nem se quer sabemos como fazer.

No final penso eu, que nosso ideal é o sentir pertencimento e pertencer ao outro, não como uma prisão afetiva ou algo voltado à dependência, mas como uma dependência independente do outro, assim como é com a família da gente, em que dependemos em partes do carinho deles, mas seguimos nossa vida em busca da autonomia.


Finalizo pedindo desculpas por ainda não postar o texto sobre preferências afetivas, ainda não tive tempo de construir o texto pois estou um tanto atarefada. Deixo a música “Velha Infância” dos Tribalistas.



25 outubro 2014

Se permitir: a arte de viver.

Olá colegas, amigos e leitores!

Quarta eu postei um texto sobre amor próprio (http://sexconvi.blogspot.com.br/2014/10/amor-proprio-o-que-e-isso-afinal.html) e hoje continuo com a temática, mas pensando no lado do se permitir a ser, pois o que mais observo nas pessoas é um certo medo que as pessoas têm de se decepcionar e de se machucar e essa contenção por muitas vezes causa adoecimento mental.

Inclusive uma das coisas que observo é a questão do medo de transparecer que somos humanos, que somos seres ora assertivos, ora errantes, criativos e únicos em essência e vejo que grande parte das pessoas que conheço, possuem grande preocupação.

A dependência eterna do que o próximo pensará sobre é engano, pois o ato de submissão ao próximo te faz perder a identidade como ser único e o pior, perde-se a oportunidade de resolução dos problemas e dificuldade cotidianas que por muitas vezes são simples de resolver, mas que por contratos sociais e egoísmo, acabamos deixando de lado e mentindo pra nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor.

As vezes dizer que estamos incomodados, felizes, eufóricos, etc para as pessoas não é um ato criminoso e nem sinal de fraqueza, mas sim uma forma espontânea de se relacionar com o mundo e isso oferece base de confiança nas pessoas ao nosso redor te faz pessoa e não máquina.

Se as pessoas admitissem um pouco mais suas fraquezas e agissem com mais humanidade/humildade, seriam mais felizes e teriam um mundo interno agradável, pois todos os afetos seriam recebidos como parte integral de nosso ser e a elaboração disso se daria de uma maneira mais tranquila, pois é bem sabido que o ato de negar o sofrimento exige muito mais de nós do que a aceitação dos fatos e a elaboração por esta.

Assumir o que se é, é uma atitude de libertação de muitas coisas e isso exige coragem, mas quando atingimos boa parte disso, sabemos o que queremos da vida e abrimos o olhar para enxergar o que a vida pede de nós, o mundo não é brincadeira de criança, mas se não brincarmos um pouco com a vida, vivemos uma vida robótica, de não aceitação de nós mesmos e de ódio ao que somos.

Termino o texto por aqui e deixo algumas músicas como sempre.


Abraço no coração de todos vocês.










Estar apaixonado: cogitações sobre o início dos relacionamentos afetivos.

Olá ilustríssimos colegas, amigos e leitores!

Hoje a temática que vou apresentar é sobre aquela paixão que acontece no início dos relacionamentos, aquela sensação de flutuação, de prazer misturado à insegurança, que a libido sobe nas alturas e como diria Lulu Santos “era só fechar os olhos e deixar o corpo ir, no ritmo”.

Esse momento do início é como se fosse uma amostra grátis, ou seja, amostra grátis é o que se tem de melhor de um produto, pois muitas vezes o produto é bom, mas na amostra ele é mais concentrado, só conhecemos o/a parceiro/a, depois da fase de amostra grátis.

Os níveis de dopamina, serotonina e ocitocina sobem às alturas, é como se estivéssemos usando alguma droga, mas o incrível é: nosso corpo é capaz de produzir afetivamente esses efeitos encontrados nas drogas, afinal, quem nunca sentiu essa sensação maravilhosamente boa quando começou a gostar de alguém.

Pensando em uma lógica evolucionista, é como se ambos entrassem no cio e acredito que pode ser um mecanismo para preservar o futuro da relação e posteriormente quando os mecanismos neuronais entram em homeostase, a cegueira eufórica e afetiva gradualmente diminui, o casal já obteve o vínculo afetivo proporcionado pela fase anterior e aos poucos se conhecem melhor e isso é necessário para suportar o cotidiano relacional que não é uma coisa fácil e nem deve ser.

Bem entendo desta maneira, mas sei que existem infinitas maneiras de se pensar esse início, talvez com um pouco mais de poesia e ilusão e deixo a música do Lulu Santos agora no final para que vocês possam sentir um pouco mais o que quero dizer e não poderia deixar de lado “O meu amor” de Chico Buarque.


22 outubro 2014

Amor Próprio: o que é isso afinal?

Olá queridxs!

Dias atrás escrevi sobre sangrar e se arriscar (http://www.sexconvi.blogspot.com.br/2014/09/sangrar-e-viver-e-viver-e-se-arriscar.html), afinal isso é viver e hoje vou discorrer um pouco sobre o que entendo sobre amor próprio e dedico esse texto às minhas filhas Clara e Luísa e minha sobrinha torta, a Dorinha.

O que seria então esse tão falado amor próprio que as pessoas tanto falam?

Em primeiro lugar, amor próprio tem algo em comum com o saber o que você quer da vida e vou exemplificar isso falando sobre relacionamentos afetivos, mas podemos transpor a lógica para todas as relações de nossas vidas. As vezes a pessoa está com vontade de ficar com determinada pessoa e acaba ficando e sentindo algo, mas no fundo o affaire infelizmente não tem os elementos essenciais que essa pessoa deseja para a vida, mas mesmo assim a pessoa continua ficando para ver no que vai dar e acaba em frustração.

Saber o que se quer nesse exemplo, é abrir mão de relacionamentos fadados ao fracasso, pois mesmo com toda aquela explosão sentimental do começo, quando a decepção é maior do que o que nos basta, e o que esperamos do outro, não correspondem às nossas expectativas, não estamos nos amando, mas sim nos sujeitando ao que temos.

Amor próprio tem tudo em comum com o se respeitar e se respeitar tem tudo em comum o que foi discorrido acima, não devemos aceitar tudo o que as pessoas propõem e às vezes o que serve para um, fica apertado no teu coração. Quando nos submetemos por medo de perder, o que perdemos é nosso amor próprio, é a perda da dignidade e fazer tudo pelo próximo só para agradar ou por medo, é furada.

Saber falar “não” sem culpa é algo muito difícil e só conseguimos quando sabemos o que queremos, não sentimos culpa por negar a possibilidade de sair do caminho que desejamos. Não estou falando que devemos nos render ao egoísmo, mas sim ter o mínimo de respeito por nós mesmos e discernimento entre o que o interno quer e o externo solicita e fazer o meio de campo entre uma coisa e a outra.

Outra faceta do amor próprio é que quando sabemos o que queremos, temos força para lutar por isso e não nos perdemos no meio do percurso, mas também conseguimos um auto encorajamento para externalizar nossas vontades e partir para o fazer virar realidade.

Quando as pessoas não se amam, se acovardam por medo do que os outros vão dizer, medo da rejeição, mas quando nos amamos, não existe isso de rejeição, existe a possibilidade de refletimos a aceitação da frustração com mais facilidade, pois o maior amor de nossas vidas, somos nós mesmos e desta maneira vivemos corajosamente a vida.

Termino o texto com três músicas que falam exatamente sobre amor próprio, uma é “coisas que eu sei” da Danni Carlos, uma do Lenine chamada “o que me interessa” e “All you needs love” dos Beatles e peço que para quem não tem fluência em inglês, leia a tradução, pois vale a pena.



18 outubro 2014

O insuportável Silêncio Masculino: Algumas reflexões sobre heranças culturais.

Oi queridos leitores, colegas e amigos!

Como estou fazendo revisão de literatura para meu projeto de pesquisa, encontrei algumas informações valiosas que geraram inquietações e daí decidi dividir alguns pensamentos com vocês.

A figura masculina ao longo dos milênios passou por várias transformações, um exemplo disso é que na pré-história, quando os homens saiam para caçar, eles deveriam ficar em silêncio para não espantar a caça, enquanto as mulheres ficavam juntas cuidando da colheita de frutos, brotos e dos filhos.

Vou pular um pouco a história e apresento o homem do séc. XVIII, que era o responsável provedor do sustento familiar, era distante do ambiente doméstico, especializado no papel de provedor (separava a família do trabalho) e distanciado dos aspectos afetivos e ternos os filhos e a esposa.

Tal retrato masculino do homem detentor do poder familiar (patriarcal), é estendido até meados do século XX, onde este era o proprietário de bens, escravos, da mulher, dos filhos e se resguardava da trama doméstica, isentando-se das manifestações afetivas com os filhos, mantinha-se protegido no silêncio e possuía dificuldades em separar a individualidade da afetividade.

Sua autoridade era válida tanto para os filhos, como para mulher, e o distanciamento deste assinalava um movimento fragilidade dos vínculos entre pai-filho, que dentro da educação desempenhava essencialmente o papel disciplinador, portanto um pai rígido e repressivo apoiado e reforçado pela sociedade da época.

O que eu quero dizer com tudo isso caríssimos leitores?

Que em nossa cultura há pouco tempo atrás era cobrado socialmente que o homem mantivesse essa conduta de silêncio e o que vemos atualmente é que existe essa herança transgeracional dessa época remota. Percebo que algumas mulheres não conseguem entender esse silenciamento masculino, o que as deixa insuportavelmente inseguras, pois em um dia o parceiro está todo comunicativo e no outro dia, ele está em sua caverna mental.

Os gêneros raciocinam e processam as informações de maneiras diversas, mulheres são mais engajadas em falar sobre suas inquietações e descobertas subjetivas, são mais comunicativas, mas por outro lado, os homens em geral ruminam as informações antes de externaliza-las, primeiro pensam, formulam internamente e depois externalizam suas concepções a respeito de determinado assunto.
Diferentemente de nós mulheres, que quando estamos incomodadas com o parceiro e ficamos em silêncio, eles necessitam desse espaço introspectivo e de resguardo para sentirem-se bem com eles mesmos. Nem todo o silêncio masculino quer dizer que o parceiro está incomodado, às vezes ele só está necessitando ficar com ele mesmo, é como uma solidão saudável, prazerosa e necessária.


Bem, deixo vocês com a música “Casamento dos pequenos Burgueses” do Chico Buarque e quero informar que vou postar textos de quarta e sábado.

15 outubro 2014

“Gostar de quem não gosta de mim” (Parte II) – Do luto ao amor platônico.

Olá queridos!
Nessa segunda etapa vou discorrer sobre a questão do luto nos relacionamentos afetivos.
O que acontece no caso de amor platônico? É outra maneira de fuga afetiva, isto é, vivemos em estado de fantasia, idealização e sonho, sendo que na verdade, quem vivência o amor platônico esconde algo maior, ou seja, a falta de vontade de amar verdadeiramente, de se entregar à uma relação com o outro na realidade, não querem se envolver, pois de alguma forma é mais fácil  administrar algo inatingível do que algo concreto.
Acredito que ao sair do platonismo, a pessoa perde o encanto e assim acaba-se o amor ilusório, portanto a graça do amor platônico é não ter a pessoa amada ou seja, o “gostar de quem não gosta de mim” é platônico, é ilusão sempre.
Com relação ao luto, em geral, quando rejeitamos alguém passamos por um período de reajustes afetivos, mas quando somos rejeitados essa fase se estende por mais tempo, pode durar até décadas, até que se elabore a perda daquela história.
Fecho novamente essa temática com as sábias palavras de Mário Quintana , que traduz em simples palavras o que quero dizer. Deixo também músicas do Lulu Santos, um comercial do Pão de Açúcar com a Clarice Falcão e a uma do Chico Buarque que diz muito sobre amor platônico.
Boa semana para vocês e agradeço o número de acessos que venho recebendo no blog, isso me motiva a continuar o com ele e faz real a vontade de escrita.

BORBOLETAS

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de se decepcionar é grande. As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.
Temos que nos bastar... nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.
As pessoas não se precisam, elas se completam... não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.
Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela.
Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.
Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.
O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.
No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!



13 outubro 2014

Página do Facebook

Pessoal, tudo bem?
Hoje iniciei as atividades do blog no Facebook também:

https://www.facebook.com/sexconvi

Curtam para receber atualizações, informações sobre sexualidade e outras informações.

Abraço para todos vocês.


11 outubro 2014

“Gostar de Quem Não Gosta de Mim” - Novas concepções e reformulações (Parte I)

Olá colegas, amigos e leitores!!!
A partir de agora vou começar a reformular alguns textos, pois já escrevi uns anos atrás e notei que são textos bem acessados, mas estão defasados, nesta semana vou escrever novamente e dividir em duas partes a reflexão sobre nos apaixonarmos por pessoas erradas. O link do original é: http://sexconvi.blogspot.com.br/2009/01/gostar-de-quem-no-gosta-de-mim.html
Quando estamos sozinhos e nos sentimos solitários, geralmente buscamos por afeto, algo que nos complete, ou seja, buscamos prazer, segurança e conforto, dentre outras maneiras de se relacionar com as pessoas.
No momento em que estamos carentes e em desequilíbrio afetivo, nosso amor próprio/autoestima está em baixa e um primeiro encontro pouco mais afetuoso confunde nossa percepção a respeito da pessoa e projetamos nossas expectativas no outro. Esperamos que o outro corresponda aos nossos anseios e fantasias afetivas, nos esquecemos de nós mesmos em meio disso tudo.
A frustração é inevitável nessas situações, pois como não conhecemos a outra pessoa, a tendência é o apego em ideais que já conhecemos, é como uma forma de sentir segurança, mas como sempre “o inferno são os outros”, quando a outra pessoa não age de tal maneira depositamos a culpa nela e nos apegamos ao que pensamos que a pessoa poderia nos fornecer e da mesma maneira que não recebemos o que desejamos, somos atraídos somente pelo delírio do que poderia ser.
Quando não esperamos tanto da outra pessoa, conseguimos discernir o que realmente acontece no relacionamento e o que realmente queremos em nossas vidas e desta forma, enxergamos o outro em sua totalidade e daí perdemos o medo da rejeição e não desperdiçamos tempo com emoções desagradáveis, deixando o caminho livre para pessoas que realmente valem a pena.
No momento em que conseguimos gostar de nós mesmos independente de qualquer opinião externa, permitimos que as pessoas nos enxerguem de maneira integral e abrimos espaço para que se aproximem de nós, pois não existem pessoas erradas, o que existe na verdade é uma grande confusão de emoções, pois a pessoa carente não busca amor, na verdade ela busca algo parecido com ela mesma.
Termino essa primeira parte deixando música com “Na rua, na chuva e na fazenda” da banda Kid Abelha, pois foi dela que tirei a inspiração do título do post anos atrás.

09 outubro 2014

Cardápio Afetivo e Sexual: qual o menu principal para hoje?

Olá colegas, amigos e leitores!

Atualmente o mundo nos oferece um cardápio de pessoas interessantes e de relacionamento descartáveis, mas tudo depende de nosso interesse, o cardápio é vasto, mas pagar o preço de uma coxinha de boteco é bem mais barato do que pagar um prato fino com trufas.

Antigamente em um passado recente existia muito bem firmado o acordo social de que mulher para casar, era a submissa e seria capaz de cuidar da casa e da educação dos filhos e a mulher para farra era a prostituta.

Engana-se quem acredita que o Brasil mudou muito nesse sentido, o que vejo em relação às mudanças, é que pagar uma garota de programa hoje em dia é luxo, pois a demanda de mulheres solteiras é grande e acredito que o universo masculino ainda não entendeu que estamos entrando num processo de diluição de gêneros.

Ainda existe a falta de respeito com o universo feminino, seduzem as mulheres, demonstram credibilidade, nos fazem acreditar que existe afeto, mas no fundo é só para levar para cama e contar vantagem, mas se mulher se apega ela ainda é tida como errada, pegajosa, nojenta, etc, pois o guri acredita que deixou bem claro que não queria nada. Falta esclarecimento da parte do universo masculino sobre suas pretensões e o resultado somos nós sofrendo horrores.

Querides, as mulheres em sua maioria não conseguem manter por muito tempo a relação de sexo casual e para piorar a situação, digo isso pensando na grande maioria das mulheres que conheço, é a sensação de vazio gigantesco que esse tipo de relacionamento gera em nós, o que acaba por fazer a mulher implorar carinho e nisso acaba mantendo o sexo casual por migalhas afetivas, enquanto o querido homem, não se importa e continua sua vida como se nada acontecesse.

Sugiro a reflexão e que pensemos nossas vontades e atitudes, pois a falta de preocupação com o próximo é o pior dos crimes que podemos cometer, atualmente é muito difícil para nós mulheres entendermos as intenções do sexo oposto e isso acaba por gerar muita dor infelizmente.

Deixo algumas músicas do Chico Buarque para melhorar a reflexão.


















04 outubro 2014

Dança e Música: alimento mental, passional, corporal e espiritual

Olá colegas, amigos e leitores!

Anos atrás (2010) fui à Bienal de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise em Ribeirão Preto e a temática escolhida para aquele ano era Paixões e tive a oportunidade de ver um show de tango com dançarinos profissionais argentinos e após o show uma reflexão psicanalítica com psicanalistas celebridades. Acredito que boa parte das pessoas saíram com o coração mais caliente de lá, mas não vou escrever sobre a Bienal, vou escrever sobre dança, música, só queria contar para vocês essa passagem muito transformadora em minha vida.

A música é algo muito importante para a mente humana, é uma forma de sublimar algumas coisas, é sentir prazer, é deliciar-se de várias maneiras, pois a música transcende a audição e em alguns momentos apreciamos sinestesicamente com todos nossos sentidos.

Pensando um tempo atrás nas camadas sociais e nas músicas apreciadas por vários tipos de pessoas e ouvindo alguns discursos preconceituosos sobre alguns estilos musicais, que depreciam em vários sentidos os guetos musicais, ganhei espaço para pensar a música e percebo que a linguagem é universal e que se comunica direto com nossa veia afetiva, nossa alma.

Outra coisa que percebo que dentro das camadas sociais existem elementos distintos na música de cada local, a cultura de determinados locais elege o tipo de bailado e canção que mais toca a alma social e subjetiva de seus indivíduos. No entanto é perceptível que em determinados grupos a música, é mais voltada ao ritmo tribal, sexual e não possui elementos tão lapidados, são de alguma forma pedras preciosas brutas e sem lapidação, mas que não deixam de ter seu valor criativo e em outras a música é algo mais lapidado. Música e dança não foram feitas para preconceitos, música é feita para escutar com os ouvidos do coração, preconceito musical é algo imbecil, cada ser se identifica com o que toca de verdade, com o que afeta.

Agora falando um pouco de dança, penso que esta pode ser dançada sozinha, como um solo de Ballet em que a bailarina faz um espetáculo sozinha, mas o ballet fica mais belo quando existe o elemento masculino no palco, é super necessário para um bom ballet contar com a presença masculina, é delirante ver, fico emocionada quando vejo um bom bailarino dançando.

Com relação às outras danças em parceria, diria que a vida é um tango e como no tango, existe o lado parceiro, trágico, alegre, sensual e caliente, mas no tango essa parte só mexe com a imaginação, só deixa subentendida a intenção sexual. Com outras danças também ocorre o fenômeno de parceria e a dança só é bela quando os parceiros se entregam e se entrelaçam, são como engrenagens um do outro e fazem acontecer justamente por existir a sintonia entre os dois. Dançar não é fácil, exige disciplina, exige técnica, exige criatividade, exige coração e principalmente dança exige engajamento entre as partes e outras coisas que se eu for citar, a lista não acaba.

Queridos o texto foi curtinho, até a metade da semana que vem eu vou postar um texto sobre cardápio afetivo, prostituição e outras coisas, me aguardem, ele está quase terminado. Deixo uma música do Chico que celebra bem minha nova fase, estou de volta e pretendo movimentar o blog semanalmente e só para passar invejinha boa, fui nesse show e vi da plateia bem pertinho dele.


Estou deixando dois vídeos de tango que dão água na boca e arrepio no corpo todo.