08 julho 2012

Gravidez : A arte da espera...

Olá colegas amigos e leitores!

Hoje venho aqui nesse espaço falar sobre a espera e sobre o ato de paciência e amor que está nisso tudo, pois estou esperando já fazem 37 semanas por uma vida que se movimenta em meu ventre, minha querida filha Clara e junto comigo existe uma irmã mais velha, uma avó e um avô loucos, para conhecê-la, várias pessoas esperando, não somente eu.

Até uns dias atrás eu acreditava que essa ansiedade era só minha, mas pude elaborar isso da melhor forma, cozinhando e pintando minhas coisinhas de MDF, não sei se conseguiria escrever esse texto se não estivesse no final da gestação.

Estive pensando muito no sentido de que amo culinária e sempre quando vou fazer algo penso no tempo que vou levar entre o preparo dos alimentos (comprar, cortar, ralar), o tempo de cozimento (alquimia) e o tempo de arrumar a cozinha para comer sem preocupação. Assim também é quando uma mulher engravida, primeiro vem à espera do período menstrual, dias eternos que passamos ansiosamente esperando a menstruação chegar e ela nunca chega até que depois de alguns dias compramos um teste de farmácia ou vamos no laboratório fazer o de sangue para saber se existe alguém habitando nosso ventre, aí vem a notícia: positivo.

LOUCURA TOTAL! A mente fica toda desorganizada e a construção de uma nova vida se inicia, aliás de várias vidas, o período de espera reinicia-se e daí surge novas perspectivas, medos, alegrias, emoções e afetos. 

Depois vem os exames de sangue e a primeira ultrassonografia, junto disso vem à espera dos resultados dos exames, saber se o óvulo realmente se implantou corretamente no útero e não existe uma gravidez tubária, passado o período vem o incômodo dos enjoos, sono, irritabilidade e a espera dessa fase passar juntamente vem a fantasia do sexo da criança e tudo volta-se à espera, o que não combina em nada com o período que a humanidade vive atualmente, na era do imediatismo e das satisfações ultra imediatas, nove meses torna-se uma enlouquecedora eterna espera, nada comparada aos fast-foods que já entregam a comida pronta na hora.

Chegando mais ou menos nas 20 semanas, ante ou depois, descobrimos o sexo do bebe e novamente ficamos à mercê de nossas fantasias, vários nomes vem à mente  e a inquietação também se instala, pois não existe só uma vida amadurecendo e se desenvolvendo, existe uma mulher que se tornará mãe, existe as pessoas que vão conviver com essa nova vida, existe o espaço que essa pessoinha irá ocupar, seja ele físico, seja no campo psíquico das pessoas que estarão junto dela e isso movimenta todos.

Novamente vem os exames, a segunda bateria de exames (o maldito exame de diabetes gestacional), no meu caso eu levei um susto com um falso positivo para a rubéola, isso me tirou de orbita, mas ainda bem que era falso, erro de laboratório, eu tomei a vacina anos atrás.

Depois de saber o sexo, vem à lista gigante de enxoval, afinal, quanto menor o bebe mais coisas são necessárias para que esse tenha conforto e ninho suficiente para desenvolver-se. E junto com a lista vêm os palpites e as escolhas: roupas, móveis, kit de higiene, decoração, as cores utilizadas, etc. Isso tudo aumenta a ansiedade da espera, pois, queremos logo utilizar tais coisas em nossos rebentos.

No caso da minha primeira filha, assim que eu terminei o enxoval, ela quis vir ao mundo mais cedo, com 33 semanas e isso aumentou minha ansiedade na segunda filha, pois quis terminar tudo antes das 33 semanas, com medo de ser mãe prematuramente de novo, mas não aconteceu e eu fiquei sem ter o que fazer e o que planejar, somente aguardando e isso tem sido uma loucura.

Como não havia decorado o quarto, comecei a pensar na decoração e resolvi usar o tempo para decorar o quarto das meninas. Cheguei a pensar em comprar a decoração, mas como meu tempo é gigante e eu possuo algumas habilidades artesanais, comecei a fazer a decoração e refletir sobre a espera.

No final da gestação ficamos apreensivas, afinal tá chegando tão esperado e fantasiado momento: E agora? Como vai ser o parto? Será que consigo o normal? Será que uma cesárea não é melhor? Será que o celular da minha médica vai estar ligado? Será que ela vai me enganar e fazer uma cesariana só pra ganhar mais grana? Blá blá blá... essas perguntas vêm como uma avalanche em nossas mentes neuróticas de grávidas e o nó na garganta forma-se e não sai, não desamarra e vamos esperando o momento com várias inquietações.

Então pessoas aí do outro lado, cheguei à conclusão de que eu espero e espera dá ansiedade e quando esperamos a ansiedade vai a mil e num final de gravidez, não dá liga, pois isso tudo somatiza, aquela angústia da espera, vira cansaço, dor lombar, contrações, dores nas costelas, insônia, dentre outras coisas. Assim como quando esperamos um ônibus ou o médico do pronto atendimento nos chamar, se não temos nada mais o que fazer a não ser esperar, a espera às vezes se torna algo enlouquecedor, insuportável. Eu continuo esperando, mas criando e recriando várias coisas e buscando significado as minhas inquietações.


Bom é isso, desejo uma boa hora para todas as minhas colegas, amigas e leitoras grávidas e que estão na espera assim como eu, que todas sejam abençoadas com o parto desejado, pois nem sempre a equipe do parto se dispõe a atender isso e com isso esperamos e fantasiamos. Deixo dois clipes do Arnaldo Antunes, não sei bem porque, mas acredito que é o único que consegue elegantemente falar de coisas que nem sempre percebemos e vou tentar voltar a escrever em breve.