11 maio 2010

Alice no país das Maravilhas e o desenvolvimento da autonomia.

Olá pessoas queridas do meu coração!

Fui ao cinema semana passada assistir ao filme “Alice no país das Maravilhas”, não é como o clássico que assistimos em nossa infância, existe o aspecto sombrio como no primeiro filme, aliás, até mais sombrio que o primeiro, afinal temos Tim Burton como diretor. Admito que não li o livro original, tenho até vontade de ler, pois, trata-se de um material muito rico, assim como a maioria dos contos de fada.

A Alice nesse filme, já é crescida e não se lembra de sua vivência anterior no país das maravilhas, acha que foi um sonho e conta esse sonho para as pessoas, que a julgam desligada da realidade. Nossa protagonista está envolvida em um noivado com uma pessoa que ela não desejava se casar e automaticamente não gostava da vida moralista que vivia, sempre que podia burlava algumas regras sociais. As pessoas tentavam trazer Alice para o mundo racional e ela se negava a aceitar ou aceitava contra sua vontade.

O noivo de Alice no início do filme era um Lorde todo cheio de regras e possuía um problema estomacal, ele desejava uma noiva que servisse como uma espécie de empregada, que se prestasse a cuidar da casa e dele, normal para o contexto em que eles viviam. Alice não era assim, era uma garota cheia de ideias não convencionais para uma mulher da época, ela saia do padrão de dona de casa prendada.

No momento em que o Lorde pede sua mão em casamento, ela vê o Coelho branco correndo com o relógio, pede licença e fala que voltará logo e sai em busca do coelho, chegando ao tradicional buraco atrás da árvore, que conhecemos do primeiro filme, tudo se passa como na história, ela passa pelos problemas do encolhe e estica que passou a Alice pequena e mesmo assim acha que está em um sonho, mesmo ferida por um monstro.

Quando entra em contato com o Chapeleiro Maluco e com a Lebre de Março, se mostra uma Alice mais madura, ao ponto que nem eles acreditam ser a Alice que eles conheciam. Em um momento de conflito, o Chapeleiro diz que ela perdeu a “muitesa” dela, ou seja, perdeu a coragem e a força de vontade que possuía quando criança e quando capturam o Chapeleiro, ela diz que no mundo dela todo mundo tenta controlar a sua vida e que como ela estava no sonho, ela ia fazer o que quisesse. Acho interessante essa passagem, pois isso mostra como a criança em alguns momentos é mais corajosa que os adultos. Busca satisfazer seus desejos, independente de alguns perigos, pois afinal, a criança ainda está em processo de elaboração da noção de perigo, de certo e errado, tanto socialmente como também internamente.

Quando Alice cai em si e descobre que aquilo era realidade e não um sonho, ela se abre para lutar e conquistar tudo o que precisa e consegue enxergar que ela ainda possuía a “muitesa”. No final, foi dada a oportunidade dela ficar até quando desejasse no País das Maravilhas e recusa, desejando voltar e deixar aquele mundo de fantasia, diz que precisa responder algumas questões para as pessoas.

Quando retorna desmancha com o noivo, diz o que precisa para as pessoas e inicia o trabalho junto ao seu ex-sogro, não aceita ser uma dona de casa impedida de ter identidade e viver de acordo com seus princípios.

O que posso extrair desse filme é dificuldade de que algumas pessoas têm em se desfazer desse mundo de fantasias, do mundo infantil e que às vezes deixamos algumas vontades por causa de outras pessoas ou de valores que não tem sentido algum. O que nossa protagonista adquire no final do filme é maturidade, ela se dá o direito de ser ela mesma e parar de sonhar com um mundo do qual está na realidade também. Deixou de postergar sua vida e passou a viver.

Às vezes é mais fácil viver de fantasia do que encarar a realidade e todas as consequências que são geradas a partir do movimento de enfrentar a vida de frente. É um mecanismo natural do ser humano, burlar a dor cotidiana saindo da realidade, aliás, tem gente que usa drogas para isso, por não suportar a vida que tem, para evitar o desprazer.

Eu entendo que se esconder dentro do universo psíquico é uma forma de adiar o desenvolvimento e ser independente, afinal, caminhar sozinhos nunca é uma tarefa fácil, exige muito de nós. Acontecia muito há algumas décadas atrás para as mulheres, era mais fácil, sair da casa dos pais e virar filha do marido (mesmo contra sua vontade) do que enfrentar a vida de acordo com seus princípios e desejos.

Deixo vocês com essa reflexão e um trailer do filme, quem ainda não assistiu, assista em 3D, é fenomenal.