06 agosto 2017

A vulnerabilidade e a insegurança social são banquete para reacionários

Olá pessoas queridas!

Hoje venho com um tema que não quer calar, depois que fiz a capacitação em Psiquiatria Forense, não consigo parar de pensar e alguns fatos políticos estão me incomodando muito e me faz pensar muito em certo possível candidato a presidência que faz questão de fazer barraco, agir com fascismo e desumanidade, que surta em frente às câmeras, desrespeita todos que discordam dele, principalmente com as mulheres e pessoas LGBT+ é agressivo sádico e irônico o tempo todo, faz adoração aos torturadores da ditadura militar e o pior, ganha admiradores aos baldes com essas atitudes, chamam até ele de mito.

Lembro quando o filme Tropa de Elite estourou cinemas e a personagem do Capitão Nascimento foi ovacionado e idolatrado pela população, se vocês lembrarem, vários jargões saíram do filme, era comum ouvir as pessoas dizendo com prazer “pede pra sair”:


 E no período do filme Cidade de Deus a frase clássica do Zé Pequeno, aliás, um dos melhores filmes nacionais que mostra a mente de um psicopata grave de maneira muito realista:



Trouxe essa reflexão toda pra entrar nos aspectos do perigo da vulnerabilidade social, pois a baixa autoestima social (complexo de vira-lata), fragilidade e insegurança fortalecem figuras como estas citadas acima, afinal, o medo do desemprego, violência, falta de saúde é lucro para quem está no poder e utiliza deste para benefício próprio.

No período pré-ditatorial aconteceu uma campanha massiva de segurança nacional, de que se houvesse a intervenção militar e nosso país ficasse sob a gerência dos militares, os problemas estariam resolvidos e só assim o país entraria na tão sonhada estabilidade. A grande massa acreditou nisso piamente e o país caiu em um período obscuro, de censura, a liberdade de ir e vir foi tolhida e só se sabia do que eles permitiam.

A adoração ao estereótipo do macho alpha, ao grande pai “justiceiro” e punitivo, gera a falsa sensação de segurança social e o que grande parte da população enxerga por falta de informação, de conhecimento de seus direitos (ainda acho que deveríamos ter uma disciplina nas escolas sobre a constituição) é que essas figuras são salvadoras da pátria, vão trazer a “ordem e o progresso” para o país, só que não é isso que acontece, essas figuras são sádicas e não estão nem um pouco preocupadas em melhorar a situação do país, não estão preocupadas em emergir as camadas mais miseráveis e muito menos na estabilidade econômica.


Uma pátria fragilizada pela ignorância, por um estado criminoso que não fornece o básico e nega-se a governar em prol da população, fica a mercê de pessoas opressoras, pois sem o fortalecimento social, qualquer um com roupa bonita, uma boa equipe de marketing e discurso imediatista, ganha a atenção e a adoração popular, como no caso da população de rua que vive em São Paulo, que seus pertences foram saqueados pela atual prefeitura, só pra mostrar que algo está sendo feito.

A população tem desprezo por essas pessoas, a população de rua na opinião dessas pessoas são desprezíveis, causa incomodo, é tudo pobre, sujo e vagabundo, no fundo queriam jogar essas pessoas no lixo ou que fosse permitido fuzilar a população de rua, pois o poder não é só com os que governam, existem as relações de micro poder e o ato de oprimir/punir quem está abaixo dos privilégios, frágeis/vulneráveis é cultural.

O que reina é a meritocracia, manifestações em prol do bem comum é coisa de vagabundos e sim, se por um lado existe a baixa autoestima social, por outro a insegurança social também estimula o estado bélico, desumanização das relações humanas e a mesma população que se sente segura com fascistas no poder, também age com sadismo entre si e com os menos favorecidos.

Para finalizar, o que os fascistas, conservadores e machistas dizem ser a “geração mimimi”, Leandro Karnal se refere como a “fase de celebração” (http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-tendencias/noticia/2016/09/o-mundo-contemporaneo-nas-reflexoes-agudas-de-leandro-karnal-7482021.html)

“O medo do fascismo no passado era o medo de rebaixamento social. O esteio do fascismo é o medo social. À medida que comportamento alternativos eram proibidos - mulher não votava, homossexuais eram contra a lei e negros não tinham direito – havia tranquilidade do pensamento conservador. Depois veio a fase da tolerância. Hoje nós vivemos a fase da celebração. Existir um 8 de março, dia internacional da mulher, um 28 de junho, dia do orgulho gay, e um 20 de novembro, dia da consciência negra, existir um aparada do orgulho gay, existir um feriado de Zumbi quase nacional, faz com que velhos medos não aquietados ressurjam: o medo sobre o feminino, a misoginia, é o medo mais estruturado e antigo e sólido de todos, renasçam”
  







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