17 abril 2017

Cuidado com o que a coletividade te faz pensar que é bom!

Olá pessoas, tudo bom com vocês?
Faz mais de um mês que não posto textos novos, mas como disse anteriormente, estou cheia de atividades e fica muito difícil me concentrar da mesma forma que era antes.

Semanas atrás estava rolando uma propaganda sobre um creme de estrias que dizia que 90% das mulheres têm estrias e foi impactante isso, pois se somente 10% das mulheres não têm, quer dizer que isso é algo natural do gênero feminino e a mídia se apossou de uma característica com intuito de lucrar em cima, utilizando da baixa autoestima corporal, demonizando algo que não deveria ser visto dessa maneira e sim como algo natural, afinal, homem quando têm cicatriz, sente até orgulho da marca em seu corpo e nem por isso são bombardeados o tempo todo com propagandas desmerecendo seus corpos, enfim, desse ponto em diante fiquei inquieta e comecei questionar algumas imposições sociais que não são nenhum pouco saudáveis, vou exemplificar nesse texto com dois fatos reais que coletividade colocava como normal e saudável para as mulheres antigamente.

O primeiro é sobre o pé flor de lótus que virou tendência no início do século X na China, que nada mais é que enfaixar os pés das mulheres a partir dos cinco anos de idade, com ataduras fortemente apertadas o suficiente para quebrar os ossos e arqueá-los, deformando os pés e interrompendo o crescimento de maneira natural. Essa tradição era passada de geração em geração e o maior objetivo era atrair o sexo oposto e conseguir se casar, inclusive as mulheres sentiam orgulho da prática.
Os pés flor de lótus eram tidos como eróticos para os chineses, pois a forma final era tida como uma segunda vagina e o jeito como a mulher, com toda a dificuldade de se locomover, lembravam uma flor de lótus ao vento e esse “costume” era comum na Coréia, na Indonésia, no Tibete, no Japão e em outras localidades da Ásia e foi abolido em 1949 ainda bem, mas ainda existem mulheres vivas que passaram por essa torturante deformação que a coletividade pregava como saudável e necessária.

Não pensem que é só na China que ocorreram atos macabros com mulheres em nome de uma coletividade injusta e machista, aqui no Brasil antigamente em algumas regiões como em Santa Catarina, era costume o pai pagar a extração de todos os dentes da frente da noiva antes do casamento, pois assim ela não daria gastos com dentista posteriormente para o marido e para não machucá-lo fazendo sexo oral, enfim, ainda existem mulheres vivas com a boca sem os dentes, acho bem difícil um dentista aceitar atualmente extrair com esse propósito, dá até calafrios em pensar nesse tipo de crueldade.

Pessoas o que eu estou querendo problematizar nesse texto é a questão de que por muitas vezes em nossas vidas, principalmente nós mulheres, somos induzidas por essa voz social que diz que “para ser bonita tem que sofrer” ou "todo mundo faz, você deve fazer também" e não é bem assim que deveria ser.

Transformaram nossos pelos em sujeira, falta de higiene e sinônimo de cuidado, sendo que pelos são proteção natural do corpo, uma sessão de depilação com cera, que é a mais acessível para a maioria das mulheres, é dolorosa, causa foliculite, dentre outros efeitos colaterais que podem levar à consequências drásticas, daí a mulher vai se depilar com lâmina e enche de bolinhas e machucados nos dias seguintes.

Outras optam pela foto depilação e acabam no pronto atendimento, para drenar os cistos ocasionados pela prática. Gente, fiz uma vez o procedimento, pois meu ex colocou na minha cabeça que meus pelos eram horríveis, chegava a falar que eu era anormal, nunca mais eu faço, além de doer muiiiiito, algumas consequências perduram até hoje.

Nossos cabelos precisam seguir um padrão liso igual de pessoas orientais, no entanto a maior parte das brasileiras são de origem afro, não possuem essa estrutura capilar e se decidem assumir seu estilo natural, são tidas como desleixadas, pois o padrão prega que isso é o que se deve seguir e sofrem tratamentos químicos extremamente nocivos ao longo do tempo para manter esse padrão, com risco de desenvolver várias doenças, inclusive o câncer e no final tudo isso é pra parecer atrativa, ser aceita socialmente.

Outra prática coletiva diferente da estética e beleza física são os filmes pornográficos, que na maioria das vezes coloca a mulher como objeto de satisfação masculina, inclusive colocando violência como normalidade e o pior, a maioria dos homens querem fazer isso no cotidiano do relacionamento, acham bacana a mulher não ter prazer e o pior, sentem prazer na dor alheia e na servidão sexual feminina e fazem parecer que é normal, que devem aceitar pois “todo mundo faz isso”.


Pessoas pensem muito bem antes de aderir a algo na vida de vocês, no risco benefício e se isso realmente é necessário, pois a coletividade por muitas vezes é abusiva, agressiva e te faz pensar que sofrer é o padrão a ser seguido e não é, amar e ser dona de si mesma deveria ser, lembrem-se sempre “minha vida, meu corpo, minhas regras”.


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