05 março 2017

Já que é pra tombar: sobre feminismo, empoderamento e a greve internacional do dia 8 de março.
















Olá pessoas queridas!

Estava escrevendo um texto sobre saúde do homem, não consegui finalizar até hoje, então a vida segue e posteriormente devo me dedicar ao tema com maior empenho e publicar.

No dia 8 de março comemoramos o dia internacional da mulher e inclusive vai acontecer uma greve internacional das mulheres neste dia e sabem porque? Precisamos nos unir por nossas vidas, nossa segurança, nossa liberdade, nossa importância na sociedade e por um mundo com mais equidade de gênero, para que não aconteça mais violência de gênero, estupros (marital principalmente) e feminicídios, lembrando que nosso país é o 5° país com maior taxa de feminicídio do mundo e o pior país para se nascer mulher na America do sul. 

A págna oficial da greve:
https://www.facebook.com/GrevedeMulheres/?fref=ts


O tema desse texto vai de encontro com o empoderamento, pois a mídia noticia casos de violência, romantização da violência o tempo todo e as mulheres ainda não entenderam que isso tudo é sobre a vida delas, sobre o risco que vivemos e inclusive crime passional não existe minha gente, existe crime de ódio e controle, homem não mata mulher por amor, mata por ódio e controle, homem não bate em mulher por amor, bate por ódio mesmo, pois as coisas não saíram do jeito que ele quis, saíram do controle dele. 

Homem não mata e agride por ser doente mental, faz pois a sociedade permite e reforça suas atitudes, eu mesma poderia estar morta uma hora dessas se meu agressor não tivesse largado meu pescoço a tempo, pois o bonito ficou com ódio por eu ter me rebelado e não aceitado mais a opressão que vivia com ele e não venham me falar que esse desgraçado gostava de mim, ele amava era o controle e o poder que tinha sobre essa que vos fala. 

Meu agressor era louco? Não, aliás era racional até demais, sem escrúpulos e manipulador, aprendeu no seio familiar que podia ser assim, nada fazia ele parar, sabia o que estava fazendo e de coitado não tinha nada, até os dramas pessoais dele tinham má intenção. Ele percebia que me fazia mau? Acredito muito que por ser natural para ele ser assim, não era percebido como algo errado, inclusive alguns amigos dele falavam que ele era abusivo e ele ria.

Como assim você deixou acontecer? Você que sabe tanto disso tudo? 

Então pessoas sim! Me faltava o empoderamento, me faltava internalizar a frase "minha vida, meu corpo, minhas regras", faltava amor próprio, faltava coragem de impor respeito e o conhecimento não me protegeu da violência, afinal não sabia me defender desta, não tinha entendido que isso tudo era sobre a minha vida e das demais mulheres, ainda acreditava que sendo doce, carinhosa, compreensiva, confiando e acolhendo meu agressor, poderia ajudá-lo a melhorar como ser humano e a consequência disso foi a pior das piores, pois meu agressor já estava muito nutrido por amor, estava forte e eu desnutrida emocionalmente e ele importando só com o umbigo narcísico dele.

O que me ajudou a empoderar foi desenvolver a habilidade de falar "não" ao que me desrespeita, foi desenvolver a desconfiança e o senso crítico, não aceitar menos do que eu acredito que mereço, não tentar mais dialogar com opressores e principalmente entender que sendo doce ou bruta vou sofrer opressão, só por ter nascido mulher. Então ficou muito claro que eu tinha o poder de decisão, da forma como sofrer essas opressões e passei a viver minha vida sem o sobrepeso dos papéis de gênero, aprendi a respeitar meus limites sem dar satisfações ao mundo e deixei de me importar com a opinião alheia sobre minha vida e daí foi só amor.

Informações sobre violência de gênero a gente tem aos baldes, o que falta para as mulheres é começar a levar a sério, parar de enxergar isso como algo alheio e distante, que só acontece em periferia, pois o agressor na maioria das vezes está bem perto e você confia e tem amor por ele.

Por muitas vezes, este tem a chave da sua casa, mora contigo e fez um filho em você ou dividiu o mesmo útero contigo, te colocou no mundo e é casado com a sua mãe, nasceu da tua tia ou da tua vizinha, aquele que toma cerveja no final de semana na mesma mesa que você. Pode dividir a mesma sala no trabalho ou trabalhar como segurança na boate que tu frequenta, pode ser também aquele que presta serviço na sua residência, pode ser também aquele que te atende na emergência do hospital, aquele que te dá aula e soltas piadas sexistas, que te faz sentir inferior só por ser mulher, enfim, opressores sejam estudados ou não, nos cercam de todos os lados, afinal diploma não garante o selo de pró-feminista aos homens e as estatísticas estão aí te mostrando que deve desenvolver a desconfiança. 

A violência de gênero é naturalizada em nossa cultura patriarcal e por muitas vezes nem mesmo a gente enxerga no cotidiano e uma dica que deixo é sempre se perguntar se naquela situação a pessoa envolvida fosse um homem, como seria? iria ser diferente? Te garanto que você vai se surpreender muito, pois em quase todas as situações é diferente a tratativa de gênero, mesmo com todo mundo falando que temos que entender o mundo independente de gêneros, como seres humanos, a realidade é terrivelmente diferente.

Mulheres esqueçam aquela voz interna que te gera culpa, te coloca como pessoa ruim/incapaz, te faz acreditar que não merece ser feliz. Aquela voz interna que quando o agressor diz que você é assim, compactua e te joga pra baixo, cale essa voz e comece a dizer sim para você mesma, escuta tuas necessidades, se defenda, tua vida vale mais, seu corpo não é defeituoso e imperfeito, tuas vontades valem a pena, você não é louca e sim uma mulher poderosa e com opinião formada. 

Faça um favor para você escute "Born this way" no último volume e cante, dance como se não houvesse amanhã. Ouça Nina Simone e aprenda muito com o feminismo das mulheres negras e ouça "Bad Romance" para não se esquecer das relações abusivas e se libertar desse papel de gênero opressivo que fizeram você acreditar que é amor. Procure ler Simone de Beauvoir, Angela Davis e conheça a história da Frida Khalo, curtam no Facebook páginas feministas, elas super ajudam no empoderamento, consuma mais coisas produzidas por mulheres à sua volta, escute as que estão sofrendo violência e principalmente fechem as fábricas de biscoitos aos homens, continuar passando a mão na cabeça só reforça o machismo, não aceitem mais a frase "isso é coisa de homem, eles são assim mesmo", eles precisam aprender limites e respeito e só vão aprender quando a gente falar não de verdade e a resistência é necessária e urgente manas, unidas somos mais fortes, umas pelas outras.


Chamo vocês para a greve internacional nesta quarta, procurem na cidade de vocês e levem à frente esse 8 de março para a vida toda, vamos nos unir e desenvolver a sororidade, pois juntas e resistindo  somos fortes, provocamos modificações verdadeiras e efetivas nessa sociedade, afinal, o futuro depende de nós que estamos vivendo nessa época e as futuras gerações precisam de nossas lutas aqui e agora. Deixo vocês com 3 músicas empoderadoras e as músicas que citei acima, desejo um dia 8 de março de muita luta e força para todas as minhas iguais, amo vocês manas e podem acreditar que a lágrima que está no meu olho agora é verdadeira e de muito amor à todas, sintam-se abraçadas, sororidade existe aqui. 








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