08 janeiro 2017

Brasil e a triste realidade da violência de gênero, LGBTfobia e Transfobia.

Olá pessoas!

Hoje vou discorrer sobre a intolerância, machismo e a banalização relacionadas à violência de gênero e LGBTfobia, pois na virada do ano ocorreu o infanticídio e o feminicídio na cidade de Campinas-SP, já acordamos com essa triste notícia, fora os crimes de LGBTfobia e as mortes acarretadas pela transfobia que ocorreram em nosso país no ano passado, não tem como passar por cima e tratar como algo distante, brincadeira e vitimização, enquanto ocorrer crimes determinados por gênero, cor de pele, orientação sexual e identidade de gênero, estamos todos correndo risco.

A ONG Save the Children em seu relatório publicado no ano passado aponta que o Brasil é o pior país da América do Sul para ser menina, sendo que a Organização Mundial da Saúde aponta que nosso país apresenta a quinta maior taxa de feminicídios do mundo. O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ao estimar que ocorreu entre 129,9 mil e 454,6 mil estupros no País em 2015, ou seja, estupros ocorrem um a cada 11 minutos, fora o que não é denunciado, não consigo imaginar como seria a taxa de incidência, pois existe o estupro marital, de incapaz, dentre outros tipos que não são denunciados e você aí pensando que feministas são loucas, se fazem de vítima, só que não! Lutamos pela equidade de gêneros.

É muito triste viver em um país onde a violência contra a mulher/pessoas LGBT, a cultura do estupro é real e o risco é grande de morrermos “assassinades” jovens pelas mãos dos homens. As estatísticas estão aí para comprovar isso, o assassino de Campinas-SP pontuou isso muito bem em sua carta.

O pior é que tais tipos de violência são banalizados em nossa cultura e só alcançam a comoção e a indignação real quando chega ao extremo do assassinato. Muitas mulheres denunciaram seus agressores antes do assassinato, pedem ajuda aos conhecidos/familiares e se vê sozinha, nada de efetivo é feito para protege-las, nem em âmbito jurídico, muito menos na rede pessoal de apoio da vítima.

Existem várias maneiras de deslegitimar e colocar em risco as vítimas, um exemplo disso são discursos como: “no meio de marido e mulher não se mete a colher”, “é só briga de casal, daqui a pouco eles voltam”, “é só coisa de ex namorada dramática com ódio que fica desmoralizando o coitado do cara”, “que se faz de vítima” e “já deviam saber que homens são assim mesmo, deveriam ter escolhido melhor”. 

As medidas judiciais são na maioria dos casos ineficazes pois demoram para ter uma resolução e a protetiva não adianta muito, é falha na forma que é aplicada em nosso país.

Crimes contra a mulher e pessoas LGBT ocorrem em todas as classes sociais e essa banalização também promove o que chamamos de culpabilização da vítima e absolvição social dos agressores, que por sua educação privilegiada e pela permissividade social nem ao menos desenvolvem satisfatoriamente o discernimento e o limite do que é violência de gênero, já dizia Renato Teixeira de uma maneira muito natural sobre o privilégio masculino na música Frete “Eu conheço as minhas liberdades, já que a vida não me cobra o frete”, muito fácil viver sem o pavor, viver a liberdade de uma vida sem culpa e julgamento.

Atualmente o Brasil também vive uma “epidemia” de intolerância e violência contra pessoas LGBT que vão desde as piadas cotidianas, intolerância e controle ao que sai do padrão heteronormativo cristão, à autoestima heterossexual que pensa que todo LGBT está afim, ao risco de sofrer violência por demonstrar amor em público, estupros corretivos, objetificação sexual (tratar da orientação sexual alheia como promiscuidade e fetiche) até assassinatos ocasionados principalmente pela cultura patriarcal doente e machista.

Conforme os dados coletados pela ONG Grupo Gay da Bahia (http://www.ggb.org.br/), nos últimos quatro anos e meio, mais de 1,6 mil pessoas foram assassinadas em território nacional por motivações LGBTfóbicas, representando praticamente uma morte por dia e pode ser considerado o país que mais mata pessoas Transexuais no mundo de acordo com o levantamento feito pela Europe’s Trans Murder Monitoring (TMM) Project e só pra constar, vocês sabiam que a expectativa de vida para as pessoas Trans em nosso país é em torno de 35 anos, a causa mortis é o assassinato e a falta de oportunidades por transfobia ocasionada pela intolerância à identidade de gênero dessas pessoas.

Saber dessas coisas não deve deixar a gente em depressão e apatia, o não saber é perigoso, conhecimento serve para nos deixar mais fortes e conscientes, o ano virou, mas o combate à violência precisa continuar em nosso cotidiano, na resistência, na sororidade, no pró-ativismo das pessoas parceiras e na rejeição à opressão diária. Volto a desejar um 2017 de muito fortalecimento e luta a todos, que o olhar crítico de vocês esteja bem aguçado para não deixar passar nada que agride a integridade de vocês “querides”.


Deixo uma música poderosa da Nina Simone que tem possuído minha alma e me representado muito, duas músicas da banda Hole que não saem do repete faz um mês, como não amar loucamente essas mulheres fantásticas?





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