19 dezembro 2016

Vamos falar sobre demissexualidade?


Olá pessoas amadas do meu coração.


Hoje vou discorrer sobre um tema íntimo, talvez algumas pessoas vão se surpreender, mas o fato é que de uns anos pra cá tenho me respeitado nesse sentido, relutei muito para escrever esse texto, mas sim, hoje vou discorrer sobre demissexualidade. Não consigo escrever intimamente sobre os outros tipos de asexualidade, pois não pertenço ao espectro.

Afinal o que é Demissexualidade?

São pessoas que só conseguem sentir atração sexual por outras pessoas se existir ligação emocional. O espectro Demissexual está entre ser sexual (alossexual) e assexual, não significando distúrbio, incompletude sexual e que a atração sexual sem conexão emocional seja necessária para se ter uma sexualidade completa. Alguns fatores que não se pode confundir com a demissexualidade é que por não se tratar de uma opção, escolhas sexuais como casar virgem, se abster de sexo para não ser difamada, não tem nada a ver com a demissexualidade, justamente por serem opções.

Para uma pessoa demi é bem sofrido viver em um mundo descartável como o nosso, pois não nos atentamos muito aos aspectos estéticos, corporais como em geral as pessoas sexuais se atraem. Um sorriso, uma expressão, um posicionamento, um gesto são o bastante para chamar atenção e despertar a curiosidade de ver mais de perto, não a atração sexual em si, isso acontece com o tempo e de acordo com os nossos sentimentos, pode ser rápido ou demorar, não existe aquela coisa de olhar uma pessoa na rua e sentir vontade de fazer sexo.

A dificuldade maior é a cobrança social que impulsiona enxergar as pessoas como objeto de satisfação sexual, do ficar por ficar, do descarte. Sabe aquele “convite” cavalo de Tróia social de que para ser feliz de verdade precisamos ser sexualmente ativos? Essas máximas sociais grudam em nossa mente, só que a angústia sempre está presente, a gente se sente obrigado a compactuar, sentimos que somos deficientes e mesmo tentando remar contra a maré interna e não se levando a sério quando não se tem noção dessa condição, a angustia e a tristeza é horrível. Fiz dois anos de análise pra conseguir entender que é minha essência e em 2010 me compreendi demi biromântica e percebi o tanto que me violentei antes de entender, só fui saber o nome nesse último ano, estou mais pra homorromântica, o universo masculino perdeu totalmente o encanto.

Ser demi não tem nada em comum com puritanismo, com abstinência sexual  e nem que pessoas demi não sentem desejo, não se masturbam (algumas sim outras não), que somos bichos pegajosos e fofos, que somos reprimidos sexualmente, que relacionamentos com pessoas demi são isentos de relações sexuais, que necessariamente só nos relacionamos sexualmente com pessoas com o contrato de relacionamento firmado, que não conseguimos praticar o poliamor, que somos monogâmicos, a lógica é simples, a atração sexual por outras pessoas só ocorre verdadeiramente quando a mente alheia nos encanta a ponto de existir ligação emocional da nossa parte.

Existem pessoas que se sentem atraídas por corpos musculosos, por pés, a gente se sente sexualmente atraídos por pessoas quando realmente existe conexão afetiva recíproca ou não, e não do instinto primitivo como a maioria das pessoas, para elas a atração sexual é a causa e para nós é a consequência das vivências, simples assim.

O texto foi curto, mas denso e deixo o pedido para as pessoas que se identificam com essa condição, procurem se respeitar mais, a vida fica linda e mais gostosa de se viver, não exijam tanto de vocês, pressão interna e auto abuso só levam à tristeza e falta de satisfação. Deixo três músicas lindas ouvi algumas vezes escrevendo o texto, não achei uma em si que se refira ao tema.




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