10 dezembro 2016

A “broderagem” e a seletiva surdez/cegueira patriarcal.

Olá pessoas queridas!

Para facilitar o entendimento do texto peço que vocês assistam o vídeo abaixo:


Absurdo? Machistas? Escrotos? Homens malvados? Só que não queridxs!

Foi só um exemplo de silenciamento feminino comum do cotidiano, nada novo sob o sol, a única diferença é que o recorte foi editado, exposto para milhares de pessoas e aconteceu a empatia pela concorrente, poderia ter passado batido, pois é tão comum quanto beber água, é o chamado machismo velado e esses homens não são tão diferentes da grande parte da população masculina na atualidade em nosso país.

Existe a tendência social ao silenciamento e desmerecimento ao gênero feminino, que faz com que as mulheres sintam constantemente a sensação de implorar para serem vistas, ouvidas e respeitadas. A sensação gerada pelo silenciamento feminino é como uma mordaça mental, que gera exaustão, ansiedade, angústia e se reagimos somos taxadas de desequilibradas, mal amadas, mal comidas, pois mulher incomodada e inconformada com algo está errado, deu defeito, não está em seu juízo perfeito. Talvez por isso a guria do vídeo não reagiu de maneira mais incisiva, pois corria o risco ainda de ser colocada como louca ou teria sido mais massacrada pelos 3 participantes.

Nesse vídeo fica explicito a inequidade de gênero e a tal da “broderagem”, que nada mais é que o levante de parceria, vinculação, proteção e empatia, amor ao sexo masculino, uns pelos outros inclusive de maneira inconsciente, a extensão do clube do bolinha na fase adulta, no fundo eles queriam competir entre eles e tirar a mana de escanteio, como faziam na infância. Mulheres também reproduzem esse levante, só que na servidão e defesa ao universo masculino, rivalizando e controlando umas com as outras, a sororidade é algo muito recente e urgente.

Quando mulheres apontam algo, se mostram indignadas, emitem alguma crítica contrária, percebem algo de errado na situação, seja em contexto profissional ou pessoal no qual existam homens, precisam meio que se desculpar com certa delicadeza por pensarem de tal maneira e ainda assim correm o risco de serem ignoradas, ironizadas ou de acontecer uma onda de indignação e revolta por parte dos homens e das outras mulheres, só que quando tais situações ocorrem inversamente, a postura, o respeito, a forma de falar e se posicionar muda automaticamente.

Um exemplo da inequidade de gêneros é quando nós mulheres falamos da existência cultura do estupro e que todo homem é um estuprador em potêncial, que é necessário desconstruir, fortalecer as meninas, desconstruir a educação violenta dos meninos, trabalhar a igualdade de gêneros, pegamos números, explicamos minuciosamente, mas somos infinitamente massacradas, ironizadas, desrespeitadas, chamadas de feminazis e quando um homem escreve sobre tudo isso de maneira ainda misógina, ele é aplaudido por outros homens e mulheres(https://trendr.com.br/como-foi-transar-com-uma-vitima-de-estupro-9210eea52090#.pch5k3lqb).

As pessoas se assustam quando digo que homem só escuta homem e escutam seletivamente as mulheres, só fazem questão de ouvir quando existe algum interesse que os beneficie de alguma forma (sexual, “afetivo”, financeiro) e se não existe tal interesse, fingem que escutam, ignoram ou escutam parcialmente no caso de críticas, só que nesse caso em específico, fazem questão de manipular a situação ao seu favor, até que a mulher em questão acabe inclusive pedindo desculpas pelo erro dele.

Existem outros comportamentos masculinos naturalizados em nossa cultura que são explicitados neste vídeo, reafirmo que em geral são quase imperceptíveis socialmente e causam o silenciamento feminino. A revista Capitolina aponta alguns desses comportamentos no artigo “Glossário de termos do feminismo” (vou deixar o link no final)  

mansplaining: o termo, que vem do inglês, quer dizer algo como “explicação masculina”. Você logo vai se lembrar de algum exemplo de um conhecido seu, homem, tentando te explicar um assunto que você provavelmente domina mais que ele. É uma ferramenta também utilizada para o manterrupting.

manterrupting: do inglês “interrupção masculina”, é quando um homem constantemente interrompe uma mulher falando – geralmente pra fazer mansplaining ou o bropriating.

bropriating: que significa que um cara ganhou todo o crédito por expressar uma ideia que uma mulher já tinha falado há tempos, ou seja, ele se apropriou de algo que não foi originalmente pensado por ele.

gaslighting: que é quando uma pessoa tenta te convencer de que você está louca, paranoica e com isso, invalidar seus sentimentos. O gaslighting está geralmente associado ao relacionamento abusivo, sendo utilizado pelo parceiro para o controle da mulher”

Termino o texto deixando duas músicas da Sia (sou apaixonada nela, na peculiaridade que ela expõe e no ballet contemporâneo da guria do clip) e um vídeo do Porta dos Fundos sobre broderagem, se atentem ao clipe da música Big Girls Cry, bem forte.  


Glossário de termos do Feminismo: http://www.revistacapitolina.com.br/glossario-de-termos-feminismo/









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