17 novembro 2016

Reflexões sobre a psicose dos filmes românticos.

Olá pessoas, tudo bom com vocês?

Hoje vou discorrer sobre filmes que mostram estereótipos de gênero e início com duas “comédias”, pois o que sai da normatividade em geral é tido como bizarro e algumas piadas são uma forma de desmoralizar as pessoas, saciar o sadismo do telespectador, é engraçado, só que não. A ideia do texto começou ao assistir o filme “tratamento de choque”, aquele do Adam Sandler e Jack Nicholson, sabem? Assistam o trailer então:


Este comportamento implosivo que dizem ser prejudicial nele é exatamente um pouco de como nós mulheres somos domesticadas, entendem? O que é colocado como desvio mental para os homens, para nós mulheres é o cotidiano e se saímos um pouquinho desse padrão, a santa inquisição surge num passe de mágica, muito surreal. Inclusive na cena do avião, é assim sempre que discordamos ou reclamamos de algo, somos mal interpretadas e tratadas como doentes mentais o tempo todo.

Aí já mostro o oposto do filme “Tratamento de choque”, que é o “Maluca Paixão”, uma guria mega inteligente, ativa e de alma livre (amo a Mary), que diz o que pensa, é segura de suas vontades e é vista com repúdio, desmoralizada o tempo todo, mostrada como uma pessoa desesperada, algo que deve-se evitar, pois claro! Só ao Steve é permitido. Ele é o cara, só ele pode tomar atitude, só ele pode ser o galã, só ele sabe das coisas, e mulheres como a Mary, não merecem ser respeitadas e a colocam como desequilibrada no filme. Se fosse o oposto, ia ser mais um filme de comédia romântica, com um homem super interessante apaixonado pela guria. Mulheres como Mary, são repudiadas pelo exercito do padrãozinho, é preciso ser muito seguro para ter uma mulher fodástica dessas como parceira, pois mulheres assim não servem pra ser esposas e sim parceiras.


Pegando o gancho nas comédias românticas, a receita é sempre a mesma:
·        mocinha frágil e com baixa autoestima;
·        mocinho poderoso em algum sentido, com uma vida bacana;
·        mocinha precisando ser salva de alguma maneira;
·        mocinho foda que acaba fazendo alguma coisa básica ou bacana por ela;
·    mocinha fica com o mocinho que decide largar a “homenzice” e assumir/salvar a mocinha da solidão;

Ai você ouve a vida toda que isso é filme de “mulherzinha” em tom pejorativo e nota que homens detestam assistir, não é atoa! Isso não faz parte das preferências masculinas, aliás, é chato para eles, enjoativo (universo feminino é chato), pois amor romântico só está na psicose do que nos fizeram acreditar que existe, é mentira e não rola identificação da parte masculina, o amor romântico é só quando estão realmente interessados em tirar algum proveito da situação.

Tem algo muito errado aí pessoas, pois se homens mais empáticos, contidos e preocupados, são motivo de piada e tidos como doentes e mulheres mais ativas, inteligentes, parceiras como ridículas e desequilibradas, onde mora o diálogo e o respeito entre os gêneros? Se homens são condicionados desde a infância a gostar de temas diversos que não envolvem a delicadeza, o cuidado, o respeito ao universo feminino, a empatia e nos condicionam em filmes, contos de fadas que existem homens assim, pode até ser que existam, mas como ficam os relacionamentos entre os gêneros?

Tudo destoa, os reais e diversos interesses são contraditórios entre os gêneros e chego a pensar que esses homens mostrados em comédias românticas são homens “lésbicos”, dos poucos mais diluídos, ainda soltam farpas e a grande maioria deles não dão conta de abrir mão do narcisismo.

A identificação ocorre com padrões e valores introjetados socialmente em nós mesmos. Fomos condicionados e aprendemos a nos relacionar com mundo dentro de padrões e regras, nos identificamos e projetamos os valores justamente na maneira como queríamos ser recebidos, como acolhemos a demanda das pessoas e é esperado a reciprocidade de nossos atos, só que a realidade dos gêneros não é essa.

Os relacionamentos heterossexuais e bissexuais caem na esfera da contradição dos interesses, intolerância e apatia entre as partes e vira um papo de surdo e mudo, loucura total. Como diria Clarice Falcão na música “Capitão Gancho”

“Se o fato é que eu sou muito do seu desagrado
Não quero ser chato, mas vou ser honesto
Eu não sei o que você tem contra mim
Você pode tentar por horas me deixar culpado
Mas vai dar errado, já que foi o resto
Da vida inteira que me fez assim”

E para finalizar, dizem que gosto cada um tem o seu, mas a realidade da nossa época, a educação, a transgeracionalidade, a mídia impulsionam às tendências de nossas escolhas, não somos 100% livres, já que o mimetismo social e cultural é como um fluxo intenso que nos leva de forma inconsciente a “escolher” determinados padrões e as “escolhas” estão sempre pautadas dentro da normatização e recheadas de estigmas. A mídia dita às tendências de uma maneira agressiva e invasiva (não pergunta, invade) e fica difícil se localizar no que é realmente o eu, o outro e o que é imposto goela abaixo.




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