27 setembro 2016

Sobre empoderamento, falar não e ser livre.

Olá colegxs, amigues e leitorxs!

Hoje venho conversar um pouco com vocês sobre a parte vida novamente (feminismo e empoderamento), penso que falando sobre alguns aspectos talvez ajude algumas pessoas a sentirem-se mais confortáveis, sinto isso quando encontro um texto ou uma música que abraça algumas vivências que passei ou estou passando, afinal a identificação tira a gente da solidão de nossos pensamentos as vezes, é muito bom.

Todo último domingo de cada mês ocorre aqui em Ribeirão Preto o “Sarau das Combativas” na praça 7 de setembro, um evento de um grupo de muito amor composto por “molieres” fantásticas e nesse último domingo, me trouxe várias reflexões.

Quando eu era mais novinha, sempre fui brava com determinadas coisas e contestadora, não gostava desse lance de sacanear as pessoas, mas sou humana e já sacaneei, não tenho orgulho não, mas aprendi muitas coisas não pelas consequências e sim por consciência e por amor às pessoas.

As criticas ao meu modo de ser no mundo sempre foram severas e devastadoras, ao mesmo tempo em que diziam que eu tinha que ser forte, quando agia assim era exigido que não fosse e que me calasse, afinal, exigir respeito e empatia sempre cai naquelas de que “ah cada um tem um jeito de ser no mundo e você tem que entender” e essa frase nociva paralisa as coisas e te joga uma culpa monstro nas costas, até que de tanto ouvir, você passa a tentar agradar a todos que estão por perto e esquece de você mesma, pois na lógica mundana misógina e capitalista o que vale é ser agradável, manipulável e frágil.

Sempre que surgia em conversas com homens o assunto do FODA-SE, eu sempre enxia as pessoas de perguntas, pois com o passar do tempo, me tornei tudo o que eu não queria, uma pessoa encanada, paranoica e extremamente preocupada com a opinião alheia. Acreditei de verdade que eu era um ser horrível e temível, sem nada para contribuir. Sempre ouvi deles que o que vale é defender a ferro e fogo nossos ideais independente do que as pessoas possam pensar, sair do lugar de sentir culpa, é a linda lógica da sobrevivência. Só que para uma mulher agir dessa maneira é difícil, pois necessita de apatia, renegar certos comportamentos e posturas sociais exigidas, uma boa dose autoestima elevada e esquecer-se da auto condenação cotidiana contida em frases como “não faça com os outros o que não gostaria que fizessem com você” e colocar mais em prática aquela “a sua liberdade termina onde começa a minha”, pois dessa maneira nos respeitamos mais e damos limites às pessoas.

Por muito tempo acreditei que deveria evitar o confronto, o desequilíbrio e a raiva, só que a duras penas, pois ao evitar tudo isso a dor interna era imensa, eu passava por cima da maneira que eu pensava o mundo em prol de ficar tudo bem, em vários momentos às pessoas eram mais importantes, a convivência era mais importante, o amor e as relações eram mais importantes, o medo de destruir a pessoa com a minha opinião era terrível, só que não! Existem momentos da vida que nossa essência vale mais, que nossa autoproteção vale mais, que devemos colocar pingos nos “ís”, que não devemos dar o braço a torcer em situações injustas, é abrir o olho para quem quer nosso bem de verdade e não ficar mendigando migalhas afetivas de pessoas que na realidade não se importam com a gente.

Por um período nos últimos anos passei por vivencias muito nocivas, pesadas, de muitos abusos, principalmente de manipulações (gaslighting), mescladas com poucos momentos de falsas esperanças e de falsa empatia que exigia a todo custo que eu fosse omissa, passiva e permissiva. O feminismo aos poucos foi me resgatando e me empoderando de que eu era antigamente, da minha essência verdadeira e foi em março que consegui de verdade, depois de anos me olhar no espelho e me reconhecer como pessoa novamente, ter orgulho e amor pelo que sou, foi tão bom esse reencontro, pois passei uns 5 anos tentando achar essa Raquel que estava perdida, sei que é piegas, mas o feminismo salvou minha vida.

Hoje em dia com tudo o que tenho aprendido, penso que a melhor lição é a de que posso ser o que eu quiser, desde que eu queira ser, independente do que vão pensar e foda-se os outros. Não gosto de conviver com o universo masculino, são poucos os que eu ainda tolero por perto, com pé atrás sempre e posso sim fazer essa escolha, pois consegui entender a necessidade masculina de dominação/controle e o ódio consciente e inconsciente que existe contra as mulheres. Consegui resgatar o amor ao feminino e ser parceira das minhas iguais, entendi que a sororidade é a arma mais forte e fortalece a gente, ser mulher é maravilhoso e estar com elas dá muita satisfação, mesmo com as que não desenvolveram a sororidade.

Não consigo mais ser legal com quem desperta nó na garganta, não agrado mais, sou amor da cabeça aos pés com quem realmente me desperta alegria e confiança, o meu amor é seletivo e uso novamente a frase de Theodore Adorno “Serás amado apenas quando puderes mostrar a tua fraqueza, sem provocar nenhuma força...” e só me permito ser amor num contexto que posso ser eu mesma, fora disso não esperem flores, só pé atrás.

Ser permissiva só tirou a minha autonomia e fortaleceu meus agressores, ser a que sempre é boazinha e evita o não e quer o diálogo, só me deixou a mercê de mais violência, ser compreensiva só me deixou na solidão, achar que mulheres são inimigas só me afastou da minha essência, agora o foda-se só me empoderou e parto do princípio de que não sou uma pessoa cruel e sádica, mas sim uma pessoa decente e se o não é necessário para manter minha sanidade e equilíbrio, é utilizando ele que vou ser forte, pois querides, falar não é pra quem se ama, é pra quem gosta de si mesme. 

O feminismo liberta muito nesse sentido, pois te ajuda a desenvolver a autonomia e desfazer aquela necessidade misógina de ser aceita a todo custo e sempre que um homem me dizia sobre o foda-se, eu costumava perguntar como era isso, como era viver assim e meninas, a resposta sempre foi a mesma, é parar de sentir culpa por tudo e todos e se escutar, esqueçam as regras escutem mais suas necessidades.

Termino o texto dessa semana com três músicas lindas pra reflexão e aproveito pra colocar o vídeo fantástico da Jout Jout sobre relacionamentos abusivos.






21 setembro 2016

Vamos falar de representatividade LGBTTI+ em desenhos animados!

Olá colegxs, amigues e leitorxs!

Um tempo atrás viralizou uma notícia sobre o filme Frozen 2 e a possibilidade da personagem “Elsa” ter uma parceira afetiva, tal notícia estremeceu as redes sociais e ao ler os comentários, pude perceber muita lgbtfobia escondida e explicita com dizeres de opinião. Existiam comentários do tipo:

“Que má influência! Daqui a pouco, se lançarem tem menininha querendo beijar uma amiguinha na escola! Cada irresponsabilidade, viu!”

 “Se elas querem se enroscar tudo bem só não tem o direito de manipular as crianças que são fãs do filme.”

“Que absurdo! Não tenho nenhum preconceito, acho q cada um dá conta de si e faz o que quer, mas por favor né gente, vcs querem q a sociedade engula de qualquer jeito a opção sexual de vcs, dá um tempo! até em filmes infantis agora? Agora vão querer que crianças sejam influenciadas pelo homossexualismo?”

Então pessoas amadas, orientação sexual não é escolha, é essência, nascemos em um mundo onde a heterossexualidade é tida como o padrão normal e não se torna LGBTTI+ só por ver e ter contato com o tema. Crianças nascem imersas nesse padrão e com o desenvolvimento interno e externo acreditam que este é o único padrão a ser seguido, só que não!

Existem crianças que crescem achando que são erradas, que são sujas e não servem para viver em sociedade, exatamente por não existir a representatividade LGBTTI+ em suas infâncias, se sentem como um corpo estranho no mundo e são muitas vezes massacradas por outras crianças. Muitas pessoas vivem em depressão, ansiedade e algumas cometem suicídio, isso é muito sério.

Uma cena que mostra nitidamente a imposição é no Rei Leão (leões Disney são humanos nesse desenho), em que o Zazul impõe o padrão heteronormativo, enquanto Simba e Nala só queriam brincar juntos, afinal são crianças, ao mesmo tempo que ele passa a desmerecer o pensamento de Simba (perverso demais). Assim é feito com os brinquedos e brincadeiras, falam tanto da pureza das crianças, mas o tempo todo colocam genitália e papéis de gênero nos brinquedos e brincadeiras e assim o repertório comportamental misógino e lgbtfobico se forma.




Não sei de onde tiraram à máxima “é muito cedo para saberem que existe, deixa pra decidirem mais tarde” e qual a idade certa para entender que a diversidade existe? Desenhos de violência, mortes, etc pode? Mostrar a diversidade e todo o amor que existe nisso é imoral?

Quando ouço essa frase sempre me vem à cabeça um adulto que não sabe lidar com a questão e empurra pra frente para não ter que entrar em contato com isso ou que pensam que a comunidade LGBTTI+ só pensa em sexo e somos todos depravados, daí quando a pessoa se assume para a família e para a sociedade mais tarde é um inferno, pois no momento em que a personalidade está se formando, falaram que teria que deixar pra mais tarde e o mais tarde é jogado para escanteio e é visto com olhar de promiscuidade, escondido e no armário.

A realeza nos desenhos é heteronormativa e não precisa ser deixada pra lá, as histórias são sempre voltadas aos relacionamentos heterossexuais, pois no universo dos desenhos animados o amor só existe entre pessoas heterossexuais, LGBTTI+ não existem nesses universos. Os animes estão bem mais avançados nesse sentido faz tempo e trazer personagens LGBTTI+ não é para reforçar estereótipos, seria para trazer a representatividade, sendo esta, uma coisa que a comunidade LGBTTI+ não têm.

Mostrar a diversidade como normal é um ato de amor ao próximo e às crianças da próxima geração, pois omitindo e deixando pra mais tarde, não vão saber lidar nunca com a diversidade e o respeito ao próximo, vão é repetir o que os cuidadores fazem agora, como se esta questão não tivesse importância, já dizia Criolo na música Mariô “A hipocrisia doce que alicia nossas crianças”.

O armário é frio, escuro e segregador, basicamente uma solitária, mas para algumas pessoas, ele se torna um esconderijo da pressão mundana que acredita piamente num padrão. Pessoas que cuidam de crianças prestem muita atenção, talvez suas crianças não sejam felizes, pois não são aceitas e respeitadas em sua natureza.

Aqui em casa estamos na torcida pela Marceline e a Jujuba, queremos o namoro delas no desenho Hora de Aventura, queremos mais episódios de Steve Universo, queremos Elsa amando outra mulher, queremos mais diversidade, um pouco não basta, tem que ser em tudo, cansamos de cotas e da representatividade com tristeza estigmatizada dos filmes e novelas, afinal somos tão normais e saudáveis quanto vocês heterossexuais e amamos da maneira mais verdadeira que pode-se esperar de um ser humano, inclusive aguentamos com muita paciência esses “pitis” desumanos e ofensivos que vocês fazem questão de defecar socialmente contra nós. Finalizo por aqui e deixo alguns vídeos para vocês sobre o texto de hoje.





12 setembro 2016

“Tira a mão daí menina! Isso é feio! Não é coisa de menina bonita!” – Explanações sobre anorgasmia/frigidez feminina.

Olá colegxs, amigues e leitorxs!

Pessoas queridas, eu poderia ter feito uma revisão em artigos científicos nas bases de dados e trazer um monte de literatura científica para vocês, mas desde que criei esse blog decidi que não, que seria um espaço para exercitar a escrita e sair dessa coisa de normatização acadêmica, então fiz imersão nas redes por uns dois dias querendo saber como anda o discurso sobre o prazer feminino, tanto no discurso feminino, quanto no masculino e pude captar muitas coisas.

No decorrer da minha vida de estudos percebo que quando vou falar sobre sexo como profissional que estuda essa área, sou respeitada em partes e é permitido, agora quando vou dialogar sobre sexo na vida pessoal percebo no caso dos homens, eles acham que estou me insinuando, afinal à autoestima dos homens hetero-cis é elevadíssima e mulher que entende de sexo é mulher promiscua.

Já nas mulheres observo uma trava muito grande, inclusive mulheres não falam de sexo nem entre elas ou se falam, raríssimo elas falarem do prazer delas, sempre é sobre a servidão ao sexo masculino e como fizeram para o parceiro sentir prazer e é aí que mora a questão de hoje.

Existem alguns textos que dizem que mulheres que sofrem de frigidez tiveram uma educação sexual repressora, concordo em partes, mas essa repressão não vem só da educação no seio familiar, vem da sociedade que trata da questão com certo desprezo, afinal, meninos desde que nascem são incentivados à virilidade e promiscuidade e as meninas ouvem a todo momento frases como a do título do texto, daí pra pior, e crescem com nojo de suas vaginas, não buscam conhecer o corpo, aprendem que só aos homens que cabe o prazer e à elas o silêncio, o fingimento e a anorgasmia.

Para o desenvolvimento de qualquer coisa em nossas vidas precisamos desenvolver um repertório comportamental, gosto do exemplo do caminhar, ou seja, a criança nasce imatura nesse sentido, mas com o transcorrer do desenvolvimento neurológico, físico e estimulação social, ela primeiramente vira de um lado para o outro, depois consegue virar de barriga pra baixo, começa a sentar e assim vai até conseguir caminhar e depois correr, pular, virar estrela, etc, assim é o desenvolvimento sexual genital também, não ocorre da noite pro dia, a criança que cresce ouvindo que tudo dela é horrível, que se ela não se comportar vai dar trabalho, que pra ser bonita tem que ser comportada e recatada, na hora desta experienciar sua sexualidade, a culpa vem à mente e nada acontece.

Às vezes chego a pensar que mulheres são educadas para uma vida de bonecas infláveis, pois se falam sobre sexo não possuem valor (putas, vadias, biscate), se exigem orgasmo são chatas e os homens não têm paciência “tadinhos” (machucar se parceira ficou seca não tem importância, elas nem ligam pro prazer mesmo é só dar uma cuspida que tudo fica bom de novo) e se ficam quietas e obedientes sofrem abusos em silêncio. Inclusive existe um agravante aí, eles assistem filme pornô e a maioria desses filmes estão mais violentos a cada dia e sempre colocam a mulher como escrava sexual e acaba-se acreditando que a regra da vida real é a mulher se comportar como nos filmes. Já ouviram a frase “prefiro mulher que seja uma dama na sociedade e uma puta na cama”, então, profissionais do sexo cobram para dar prazer ao homem e não ao homem dar prazer para elas, fica o “alerta canalha” aí gurias, foge desses ok!

Lembrando que tenho algumas amigas que são profissionais do sexo e tenho amor gigantesco e mega admiração por elas e pela profissão nada fácil delas, exatamente por serem as pessoas maravilhosas e do bem que são, amo vocês de verdade gurias.

A cultura de servidão ao sexo masculino, promove o auto abuso inconsciente em partes (fazer sexo sem vontade para satisfação masculina e por medo de perder o parceiro, fingir orgasmo para a satisfação do homem, fazer sexo só porque ele quer e se ele ouvir não vai rolar gaslighting e male tears, etc) e produz uma exigência monstro com relação ao orgasmo feminino e fico pensando seriamente que a sociedade é maluca mesmo, pois primeiro fazem a mulher acreditar que não podem ter prazer, que é pecado e aí a mulher não conheceu o caminho da felicidade e a sociedade exige a todo custo que tenha orgasmos múltiplos. Perguntem as mulheres mais velhas se já tiveram orgasmo e me arisco a dizer que somos filhes de uma geração de mães anorgásmicas e crentes que servir o homem é o único prazer que lhes cabe.

Mulher não costuma conversar sobre prazer, somente sobre a servidão sexual estrutural que vivenciam, falar sobre o orgasmo feminino é um tabu a ser quebrado urgentemente, pois sem conversarmos abertamente sem pudor, sem trocar “figurinhas”, isso sempre vai ser um campo obscuro e proibido, afinal,  homens falam de sexo com liberdade entre eles, inclusive nos grupos do whatsapp restrito aos homens, seja do trabalho, faculdade, futebol, amigos, etc, eles compartilham fotos, vídeos pornográficos e comentam abertamente sobre o ato sexual, sem opressão dos amigos, inclusive isso é diversão entre eles, não motivo pra chacota, eles adoram e estão certos, nós é que precisamos desenvolver nossa sororidade e também nos posicionar quanto ao não prazer e começar a verbalizar a insatisfação, nosso silêncio não nos leva à nada.

Assim como aprendemos várias coisas dialogando umas com as outras, falar sobre sexo é bem esclarecedor também, vi em alguns posts das páginas que visitei mulheres falando muito sobre se sentir sozinhas em várias questões e conversando sobre esses aspectos sentiram-se acolhidas, isso é um movimento de liberdade também e de amor às nós e nossas iguais. Não se esqueçam, sexualidade infantil existe, conversem muito abertamente com as filhas de vocês, elas merecem crescer sem essas amarras e se amando muito.

Vou terminar o texto comprido de hoje com uma musiquinha sexy/empoderadora e indicando os filmes “Azul é a cor mais quente” e “Lovelace”, o primeiro é um romance adolescente lésbico francês bem intenso que foi produzido a partir de uma história em quadrinhos (indico ler também, bem boa) e o outro sobre a atriz pornô Linda Lovelace, fala sobre a vida de abusos que ela sofreu no período em que filmava o filme “garganta profunda”, é o por trás das câmeras, deixem o pacotinho de lenço do lado, lágrimas rolam e não tem como segurar.






                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      

08 setembro 2016

Brasil e o miserável exército do padrãozinho: inseguranças, anestesia social midiática, impossibilidade de questionamento e necessidade de controle.


Já faz um tempo que minha ficha caiu e quando estourei a bolha que me cegava e do estado zumbi que vivi a vida toda, foi de uma vez só, é como se o mundo se tornasse mais nítido agora, minha cabeça não para um minuto de pensar e um estado de contestação e permissão à dúvida me tomou de uma maneira que têm sido maravilhoso, horripilante em alguns momentos, mas libertador.

Estava no sábado à tarde sentada na sala mexendo no celular e comecei a observar o programa que estava passando na TV e me deparei com um apresentador vestido como o padrão classe média atual (calça jeans, camisa polo, bombadinho, postura narcísica de “bom moço”, cabelo com gel), algumas mulheres cirurgicamente e bonitas dançando, plateia adestrada para aplaudir, temática filantrópica pra ganhar audiência e credibilidade ao apresentador “bonzinho”, mais do mesmo de todo sábado.

Estou aqui hoje para falar de padrão e de como somos o tempo todo bombardeadxs pela mídia que dita a todo momento como devemos ser e como devemos controlar as outras pessoas, sim, pois sair desse padrão é motivo para controle e saciação da nossa necessidade de poder.

Inconscientemente, somos todos primatas em essência tentando viver em sociedade, afinal, para se viver em sociedade temos que nos proteger e negar nossa natureza interna e externa (princípio do prazer e realidade) ao mesmo tempo precisamos de líderes para ditar e saciar nossa insegurança infantil por um grande pai cuidador (Freud no artigo “O futuro de uma ilusão” discorre amplamente sobre).

A globalização e a popularização da internet promovem uma constante abertura ao contato com a diversidade cultural mundial, só que abrem também a porta da insegurança social em países com base conservadora, religiosa e patriarcal como o nosso.

Antigamente as pessoas mantinham o controle e manutenção da moral e dos bons costumes através da religião, seguindo os preceitos da religião dominante, hoje em dia a televisão faz isso com tudo e o que se vê nela é absorvido com tanta força, que o que se difere ao que é apresentado nela é tido como imoral/ilegal gerando insegurança nas pessoas mais adormecidas e estas reagem assim em geral:

“pois onde já se viu pintar o cabelo de azul? Coisa horrível, não tenho coragem, pessoa louca”, “meninos que nasceram homens virarem mulher? Isso só pode ser pra chamar a atenção, povo escroto, tem que apanhar, pois eu nunca teria filhos assim”, “Mulheres beijarem mulheres em público, que coisa nojenta, eu nunca faria isso!!!!!!”, “Vixe essa aí nem se depila, que horrorosa, não se cuida, eu por exemplo faço minha depilação a cada 15 dias”.

O que tenho observado é o fato de como as pessoas reproduzem um discurso de ódio ao seu próximo e talvez não percebam, mas machucam. O mimetismo social que promove a perda da identidade individual e subjetiva faz com que a população entre em estado de piloto automático, como marionetes condicionadas e intolerantes. Chego a pensar que estamos vivenciando um tipo de “apocalipse zumbi”, onde as pessoas estão psiquicamente anestesiadas.

Outro dia estava com uma pessoa assistindo um filme e uma das personagens, até o ponto que assisti, me parecia uma pessoa pertencente ao espectro não-binário, imediatamente a pessoa vira:

“Esse cara é escroto” e eu pergunto “porque?” e a pessoa “esse cabelo dele é escroto, essas roupas, você sabia que ele não é gay na realidade? Que o ator não é gay” e eu digo “tá e o que eu tenho haver com o fato dele ser gay ou não? e porque o cabelo e as roupas são escrotas?” e a pessoa “Eu não faria isso com o meu cabelo” e eu “só porque você não faria, o cara é escroto?”, daí a pessoa ficou brava comigo e não quis mais conversar.                 

Kurt Lewin realizou estudos no campo da psicologia social e em um desses estudos ele explicita a questão das maiorias psicológicas (a grande massa e os valores culturais reproduzidos e seguidos por estas) e minorias psicológicas (guetos sociais, costumes que não são de domínio da grande massa). O que acontece é que existem forças sociais centrífugas que tentam produzir um tipo de homeostase social, transformando a coletividade numa coisa só e as forças centrípetas (preconceito, machismo, intolerância) que jogam para a marginalidade o que não está dentro do padrão social daquele período da sociedade.

A regra é básica para existir uma sociedade controlada:

  1. Imponha um padrão de vida como se fosse um instinto, isso deixará a grande massa segura e incapaz de ter dúvidas e questionamento;
  2. Doutrine a grande massa para se autocontrolar e reproduzir esse padrão;
  3. Crie punições conscientes e inconscientes caso alguém ouse sair desses padrões impostos, pois a fome e a saciação da necessidade de poder é maior que qualquer vício em drogas;

Amigues vocês já se perguntaram em algum momento de suas existências se o que realmente vocês são é verdadeiro ou é compulsório? Se realmente vocês tiveram ou se permitiram ao direito de se questionar e ter dúvidas? Se vocês só estão seguindo a vida em piloto automático? Se o que te irrita em seu próximo é realmente uma irritação ou medo de lidar com o que difere de você?

Pessoas vou terminando o texto com algumas músicas para a reflexão, esse texto foi dificílimo de escrever, espero que vocês absorvam e nunca se esqueçam que amar o próximo é também permitir que as pessoas sejam elas mesmas, é libertar-se de vocês mesmos e conhecer a diversidade desse mundo complexo que vivemos. Saindo da posição do julgamento e entrando em um movimento de parceria, contribuímos para a redução da depressão, ansiedade e suicídio, pois amar não exige o uso da força, exige cooperação, afinal, aquele discurso ameaçador e silenciador só piora as coisas, talvez o que sirva para você, não é bom para o outro.

E para quem não entendeu: "Exército do padrãozinho fiscalizador e controlador da vida alheia, PARA QUE TÁ FEIO!"




03 setembro 2016

Reflexões sobre pessoas manipuladoras e vitimistas "profissionais"!

Olá amigues, colegues e leitorxs!

Hoje venho falar de vitimismo como armadilha de manipulação, acredito que já ouviram as frases “faça o que você quiser, eu não falo/faço mais nada”, “tu vai pagar por isso” ou quando você vai reclamar de alguma atitude alheia e a pessoa nem te ouve, não quer admitir o erro e começa a disputar, a jogar na tua cara situações aleatórias para te tirar do foco e pra finalizar: se fazem de vítima, para te fazer sentir culpa de ter pensado o que pensou e relatou, te colocando como a pessoa ruim e ingrata, no final das contas a pessoa é tão maquiavélica que consegue manipular a culpa dentro de ti e você acaba pedindo desculpas, pois a pessoa começa a barganhar e chantagear afeto ou te desmerecer como ser pensante.

Isso é vitimismo manipulador, sei que em alguns momentos da vida pessoas psiquicamente saudáveis cometem também, mas quando você perceber que é com tudo, que você nunca tem razão e nada que tu diz tem valor, você têm que implorar pra ser compreendide em tudo e sente até medo de falar algo para a pessoa, pode-se dizer que é técnica de manipulação de pessoas dissimuladas e mastigadoras de mente. Acontece muito com aquelas pessoas que não entendem nada de política e nem de história, pessoas machistas, racistas, LGBTfóbicas, pessoas abusivas, políticos, pessoas corruptas e psicopatas.

Uma dica que posso dar nesse sentido, já que até pouco tempo não havia me dado conta disso, tenho trauma e quando reconheço não consigo me calar mais, e pra desarmar isso é fincar o pé na questão, sem dó e culpa, vai rolar chantagem emocional, mas você não pode sair do foco e ir na vibe da pessoa, presta a atenção no tanto que a pessoa começa a perder o equilíbrio e deixa ela desequilibrar sozinha, uma hora ou ela vai ver o que está fazendo, sendo ridícula e se envergonhar ou se for constante faça um favor pra ti mesme, retire essa pessoa do teu convívio com urgência ou tu vai acabar com a autoestima saqueada, sucumbindo, em depressão e com ansiedade de convivência.

As pessoas vitimizadoras são profissionais em manipular a culpa e não querem saber se existe certo/errado, maneiras de se resolver a questão, se vão machucar seu próximo, são mesquinhas travestidas de boas pessoas (com opinião forte), quase nunca demonstram sentimento de culpa e se demonstram é pra benefício próprio, não se importam simplesmente e não têm empatia com a pessoa ou questão, possuem dificuldade em colocar em prática regras sociais e se colocam é só pro seu bel prazer, afinal, para essas pessoas o que importa é o poder, não existem outras pessoas ao seu redor, são donas da razão suprema e não admitem perder ou serem contrariadas, já que toda a verdade do mundo é só delas e exigem das pessoas empatia total com suas causas, pois somente o que elas sentem ou se preocupam têm valor.

Pessoas assim também tem o triste hábito de dizer que o preconceito, machismo, LGBTfobia, racismo, necessidade de controle sob o próximo, etc, contidos em seu discurso não são isso, mas sim somente opiniões, se autorizam a machucar o próximo (pois é só opinião) e disseminam o discurso de ódio e defecam pela boca atrocidades com olhar calmo, piadas (só uma piadinha pra rir, nada de mais), etc. Para elas, opiniões são mais uma forma de manter o poder.

Termino o texto com o vídeo de Abayomy Afrobeat Orquestra (escrevi o texto ouvindo) e decidi compartilhar um pouco desse som fantástico que descobri faz pouquíssimo tempo, é aquele tipo de som que tu coloca pra tocar e deixa rolando, vibe boa. Deixo também o vídeo do porta dos fundos “FLAGRA”.