25 agosto 2016

Reflexões sobre privilégios, potenciais e cultura do estupro.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Primeiramente FORA TEMER!!!

Segundamente saí "esquerdo/direitista/feministo" macho hétero cis privilegiado e psicopata! Kkkkkkkkkkkkkk.

Como vocês já perceberam, estou escrevendo textos feministas e hoje não vai ser diferente, o que difere este texto é o fato de buscar um nível de compreensão sobre movimentos sociais, privilégios, lutas e amor.

Começo discorrendo sobre privilégios, eita palavrinha difícil de entender e absorver, pois boa parte das pessoas enxergam somente os privilégios do opressor e são cegas (estado de zumbi social) aos próprios privilégios que oprimem seu próximo, um exemplo fictício e generalizador (não vou cair no nem todas...):

Uma mulher nascer com cabelos lisos, que atualmente é tido como padrão de beleza internacional, oprime a mulher que nasce com cabelo crespo sem perceber, sem intenção por muitas vezes ou por vezes reproduz o discurso preconceituoso, pois o padrão liso oprime quem não nasce assim, e a mulher do cabelo liso por muitas vezes nem sequer entende o que é ter cabelo crespo nessa sociedade que faz a todo custo com que mulheres de cabelo crespo odeiem sua natureza e sentindo-se inferiores esteticamente, ela apenas vive sem nenhuma consciência, pois esse aspecto não faz parte de suas prioridades e de suas vivências, ela simplesmente não se importa com a dor da sua semelhante, pois possui o privilégio de nascer dentro do padrão imposto.

Isso acontece com o machismo também, vivemos em uma cultura patriarcal e de estupro e sim! nossa cultura é de adoração ao universo masculino, os homens possuem privilégios naturalizados em nossa cultura que dificultam enxergar a opressão cometida cotidianamente e só por se nascer homem já vem o pacote junto, inclusive o direito social (não legal, pois existe a lei Maria da Penha) de: comportamentos controladores, agressivos, abusivos, julgadores, manipuladores e a sociedade os protege automaticamente e os autoriza também, sem falar da maternidade solitária compulsória que toda mulher corre o risco de levar, pois homens historicamente não cuidam de filhos. Uma mulher que sofre violência/abuso/assédio (psicológico, físico ou sexual) entra na roda de julgamento social quando ocorre a denuncia, é desacreditada/desencorajada mesmo mostrando as provas, é julgada, é culpabilizada pelo comportamento do agressor, dentre outras coisas.

Quando nos referimos aos potenciais agressor/estuprador de todos os homens é justamente pela questão dos privilégios que discorri acima, ou seja, se tu leva uma mordida bem dolorida de um cachorro, tu até pode continuar gostando de cachorros, pois nem todos os cachorros são agressivos, mas que vai pensar muito bem antes de se aproximar de um cachorro desconhecido vai, pois todos os cachorros guardam uma mordida em potencial, é instinto, no caso do homem é o privilégio que cega e provoca a anestesia social, a falta de empatia com nós mulheres.

O feminismo emerge como uma corrente de luta social de classe e têm se fortalecido nesses últimos anos, mais mulheres estão acordando do estado de anestesia social e se empoderando, fortalecendo, buscando iguais, revendo e questionando atitudes nocivas contra si mesmas e buscando a sororidade nas iguais, pois não somos diferentes, estamos no mesmo barco de opressões, ame/aceite/respeite suas iguais.

A braveza de nós feministas vem do cansaço da pressão social que nos cala, menospreza e impõe goela abaixo que somos incapazes de nos defender, da necessidade imposta de odiarmos nossos corpos, de um padrão estético artificial ditatorial, de não sermos escutadas como pessoas, do cala boca que a sociedade dá em nós em nome da moral e dos bons costumes compulsórios cristãos, da sensação de não sermos enxergadas e ouvidas como seres humanos dotadas de todas as capacidades mentais e capazes de fazer muita coisa boa nesse mundão.

Mas a principal e mais libertária pauta do feminismo é o direito social à igualdade de gêneros, que não existam mais os privilégios, mas sim seres humanos vivendo da maneira que se sintam felizes e livres, não valorizados pela genitália que nasceram, enfim, é um movimento que preza a liberdade de escolha, é só amor, simples assim, mas amor universal.

Para terminar o textinho deixo uma música do Caetano Veloso na voz da Maria Gadu e duas da Pitty.



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