31 agosto 2016

Vamos falar de sexo biológico, orientação sexual e identidade de gênero/expressão social de gênero?

Olá colegues, amigues e leitorxs!

Enquanto ainda posso escrever livremente e que minha liberdade de expressão não foi saqueada após esse impeachment (golpe) que acabou de se concretizar nesse exato momento, vamos lá!

Hoje venho conversar com vocês sobre orientação de gênero, sexo biológico e identidade de gênero, pois infelizmente o mundo necessita de rótulos e segregações.

Sei que o discurso está batido nas redes sociais e precisa ser explicitado sim, sempre, para que um dia possamos viver em um mundo onde seremos pessoas livres, sem que o padrão heteronormativo seja visto como natural, coisa que já se sabe que não é e nunca vai ser, pois o ser humano é complexo e não existe isso de exército do padrãozinho, afinal, isso são regras sociais bestas para aprisionar e menosprezar o que não é tido como “normal” e no fim das contas, somos pessoas como todas as outras vivendo nesse planeta e buscando um sentido para esta.

SE OCORRER CLOSE ERRADO EM ALGO ME CORRIJAM PLEASEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!!!!! FAÇO QUESTÃO DE CORRIGIR E ME REPORTAR SOBRE!!!!!!!!!!!!!!!!!

Começo falando sobre sexo biológico, que se trata dos tipos de genitálias biológicas de quando nascemos, ou seja, estou me referindo ao sexo de nascimento que pode ser masculino, feminino ou intersexual (nunca mais repitam a palavra hermafrodita, é ofensiva). Mas neste último tipo de sexo biológico mora outra questão, a escolha dos genitores que podem ou não em alguns casos definir o sexo da pessoa nos primeiros 24 meses de vida ou deixar para a pessoa escolher no decorrer da vida com o que se identifica.

No decorrer da infância somos bombardeades o tempo inteiro com os papéis de gênero, ou seja, normas sociais que se destinam a impor aos homens e mulheres como devem se comportar, seus direitos sociais e seus deveres sociais (não estou falando de regras legais ou ilegais), mas aí que a coisa desanda, pois pra viver e ser não existe manual, existe vivência. Então pessoas amades, nesse ponto que entra as chamadas identidade de gênero/expressão social de gênero, que nada mais é que o gênero psíquico, isto é, a forma como a pessoa em sua essência mais profunda se sente bem como seu corpo, vestimentas e expressão ao mundo, simples assim, sem nenhum crime social, só amor ao que se é e empoderamento de sua felicidade e isso não tem nada haver com orientação sexual.

Vamos falar um pouco de cada caixinha social, para vocês entenderem melhor sobre identidade de gênero/expressão social de gênero:

Cisgênero: pessoas que se identificam psiquicamente e seguem a vida com o sexo biológico;

Transexuais/transgêneros: pessoas que no decorrer da vida não se identificam psiquicamente com o sexo biológico e transitam para sua real identidade/expressão de gênero, mesmo que a duras penas sociais (não é opção e sim essência psíquica).
Não-bináriedade: pessoas que se não identificam psiquicamente nem como homem e nem como mulher, são tudo de tudo, se expressam com todos os elementos sem definição (ainda não estamos falando de orientação sexual, ok?).

Lembrando e reforçando que identidade de gênero/expressão social de gênero nada tem em comum com orientação sexual, pois orientação sexual nada mais é que a preferência psíquica (não opção) em que a pessoa se sente atraída fisicamente e/ou afetivamente/emocionalmente por outra pessoa. 

Além da orientação sexual, existe a orientação afetiva, pois existem pessoas que se sentem atraídas fisicamente por determinados gêneros, mas não desenvolvem vínculos afetivos com esses, um exemplo são homens heterossexuais que gostam de fazer sexo com outros homens e ainda assim são heterorromânticos (na pré-adolescência é comum e o apelido disso é troca-troca).

O texto vai ficar muito comprido se esmiuçar tudo de tudo, posso escrever outro só sobre isso, sem problemas, daí rola até de falar sobre monogamia, poligamia e afins.

Voltando às caixinhas das orientações sexuais, sigo esmiuçando cada uma das que eu conheço:

Heterossexuais: Pessoas que sentem atração sexual e afetiva pelo sexo oposto ao da pessoa (mulheres sentem atração por homens cis e trans e homens que sentem atração por mulheres cis ou trans).

Lésbicas: Mulheres que sentem atração sexual e afetiva por outras mulheres;

Gays: Homens que sentem atração sexual e afetiva por outros homens;

Bissexuais: Pessoas que sentem atração sexual e afetiva por ambos os sexos;

Pansexual: Pessoas que sentem atração sexual e afetiva por pessoas, independente de identidade de gênero e expressão social de gênero.

Assexual: Pessoas indiferentes ao ato sexual, não sentem atração e desejo sexual por nenhum gênero, mas isso não quer dizer que não sentem afetividade e amor pelas pessoas e existem assexuais que se relacionam romanticamente, mas não praticam sexo. Ainda acredito que muitas pessoas assexuais sofrem desde o estupro concedido até outras formas de abusos, assédios, dentre outras formas de violência, pois trata-se de uma orientação sexual pouco visível por aí, muito recente a representatividade social delas e querendo ou não o mundo impõe que pessoas sexualmente ativas são saudáveis.

Bom texto grande e super necessário, imaginem que euzinha aqui levei anos da minha vida pra conseguir entender certos aspectos, imagino para a grande maioria da população como deve ser difícil entender/respeitar e ter empatia pelas pessoas, o mundo é bem mais complexo do que esse texto, muito mais. Deixo alguns vídeos sobre essa temática e a dica do livro do João Nery (Viagem Solitária) e de dois filmes sobre pessoas trans: A garota dinamarquesa e Tomboy.







25 agosto 2016

Reflexões sobre privilégios, potenciais e cultura do estupro.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Primeiramente FORA TEMER!!!

Segundamente saí "esquerdo/direitista/feministo" macho hétero cis privilegiado e psicopata! Kkkkkkkkkkkkkk.

Como vocês já perceberam, estou escrevendo textos feministas e hoje não vai ser diferente, o que difere este texto é o fato de buscar um nível de compreensão sobre movimentos sociais, privilégios, lutas e amor.

Começo discorrendo sobre privilégios, eita palavrinha difícil de entender e absorver, pois boa parte das pessoas enxergam somente os privilégios do opressor e são cegas (estado de zumbi social) aos próprios privilégios que oprimem seu próximo, um exemplo fictício e generalizador (não vou cair no nem todas...):

Uma mulher nascer com cabelos lisos, que atualmente é tido como padrão de beleza internacional, oprime a mulher que nasce com cabelo crespo sem perceber, sem intenção por muitas vezes ou por vezes reproduz o discurso preconceituoso, pois o padrão liso oprime quem não nasce assim, e a mulher do cabelo liso por muitas vezes nem sequer entende o que é ter cabelo crespo nessa sociedade que faz a todo custo com que mulheres de cabelo crespo odeiem sua natureza e sentindo-se inferiores esteticamente, ela apenas vive sem nenhuma consciência, pois esse aspecto não faz parte de suas prioridades e de suas vivências, ela simplesmente não se importa com a dor da sua semelhante, pois possui o privilégio de nascer dentro do padrão imposto.

Isso acontece com o machismo também, vivemos em uma cultura patriarcal e de estupro e sim! nossa cultura é de adoração ao universo masculino, os homens possuem privilégios naturalizados em nossa cultura que dificultam enxergar a opressão cometida cotidianamente e só por se nascer homem já vem o pacote junto, inclusive o direito social (não legal, pois existe a lei Maria da Penha) de: comportamentos controladores, agressivos, abusivos, julgadores, manipuladores e a sociedade os protege automaticamente e os autoriza também, sem falar da maternidade solitária compulsória que toda mulher corre o risco de levar, pois homens historicamente não cuidam de filhos. Uma mulher que sofre violência/abuso/assédio (psicológico, físico ou sexual) entra na roda de julgamento social quando ocorre a denuncia, é desacreditada/desencorajada mesmo mostrando as provas, é julgada, é culpabilizada pelo comportamento do agressor, dentre outras coisas.

Quando nos referimos aos potenciais agressor/estuprador de todos os homens é justamente pela questão dos privilégios que discorri acima, ou seja, se tu leva uma mordida bem dolorida de um cachorro, tu até pode continuar gostando de cachorros, pois nem todos os cachorros são agressivos, mas que vai pensar muito bem antes de se aproximar de um cachorro desconhecido vai, pois todos os cachorros guardam uma mordida em potencial, é instinto, no caso do homem é o privilégio que cega e provoca a anestesia social, a falta de empatia com nós mulheres.

O feminismo emerge como uma corrente de luta social de classe e têm se fortalecido nesses últimos anos, mais mulheres estão acordando do estado de anestesia social e se empoderando, fortalecendo, buscando iguais, revendo e questionando atitudes nocivas contra si mesmas e buscando a sororidade nas iguais, pois não somos diferentes, estamos no mesmo barco de opressões, ame/aceite/respeite suas iguais.

A braveza de nós feministas vem do cansaço da pressão social que nos cala, menospreza e impõe goela abaixo que somos incapazes de nos defender, da necessidade imposta de odiarmos nossos corpos, de um padrão estético artificial ditatorial, de não sermos escutadas como pessoas, do cala boca que a sociedade dá em nós em nome da moral e dos bons costumes compulsórios cristãos, da sensação de não sermos enxergadas e ouvidas como seres humanos dotadas de todas as capacidades mentais e capazes de fazer muita coisa boa nesse mundão.

Mas a principal e mais libertária pauta do feminismo é o direito social à igualdade de gêneros, que não existam mais os privilégios, mas sim seres humanos vivendo da maneira que se sintam felizes e livres, não valorizados pela genitália que nasceram, enfim, é um movimento que preza a liberdade de escolha, é só amor, simples assim, mas amor universal.

Para terminar o textinho deixo uma música do Caetano Veloso na voz da Maria Gadu e duas da Pitty.



01 agosto 2016

Reflexões sobre gaslighting, dominação e fragilidades.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Hoje venho falar sobre gaslighting, sobre dominação e sobre fraquezas, enfim, estava eu nas “fuçanças internéticas”, quando me deparei com uma frase de Theodore Adorno que me fez refletir muito:

“Serás amado apenas quando puderes mostrar a tua fraqueza, sem provocar nenhuma força...”

Pessoas fiquei pensando muito sobre gaslighting e para quem não sabe o que é, vamos lá:

“Gaslighting ou gas-lighting é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade. Casos de gaslighting podem variar da simples negação por parte do agressor de que incidentes abusivos anteriores ou atuais, até a realização de eventos bizarros pelo abusador com a intenção de desorientar a vítima” (Dorpat, T.L. (1994). «On the double whammy and gaslighting». Psychoanalysis & Psychotherapy [S.l.: s.n.] 11 (1): 91–96 e na Wikipédia).

Finalizando as definições, é quando o abusador se utiliza das fragilidades da pessoa para obter o que quer, ou seja, chama de louca, exagerada, faz drama, é só mimimi, desmoraliza a mulher em sua integridade moral e sexual e coloca a sanidade da pessoa em dúvida para reverter à situação em favor do abusador, sendo assim, o agressor conhece muito bem os pontos fracos da vítima e os utiliza totalmente para obter vantagem, sem dó e nem piedade/misericórdia.

Para quem pensa que isso é raro, é só parar para observar situações em que você tem certeza de que estava certa e foi coagida a pensar que tudo não passava de besteira da tua cabeça, exagero, coisa de mulher chata, mas a sensação permanece e piora com o tempo, pois acaba se estendendo a tudo no caso de relacionamentos abusivos, a vítima sente culpa por tudo o que acontece.

Meninas, pensando na frase, me recordei de várias normas masculinas como:

  • Não podem chorar;
  • Tem que ser fortes;
  • São dominadores;
  • Falam pouco;
  • Precisam conter suas emoções;
  • Precisam ser viris;
  • Não podem mostrar suas fraquezas;


Isso demonstra que eles não são educados para mostrar fragilidades, o ponto fraco nem entre eles e quando mostram precisam se defender a ferro e fogo, mas por outro lado, somos educadas a confiar neles, a se entregar às relações de afeto, a se mostrar frágeis, dependentes e com o gaslighting, nos calam e enfraquecem nossa defesa, pois tudo não passa de chororô de mulher louca de TPM (sim TPM é o novo pretinho básico dos abusos).

Além do uso do gaslighting para calar a vítima quando esta tenta se defender, existe o gaslighting também quando precisam de algo da vítima (sexo, limpeza de casa, cuidado com os filhos, dinheiro, etc), pois conhecendo as fragilidades do outro, pode-se também utilizar desse conhecimento para persuadir a outra pessoa a fazer o que deseja.

Quando estamos em um relacionamento afetivo, nós abrimos guarda, entregamos sem perceber nossos pontos fracos e assim facilita muito no gaslighting, sem contar que tais pontos fracos já são de domínio social e isso é mais uma facilidade para nos enganar/persuadir/dominar. Eles não precisam de muito esforço para praticar o gaslighting, que nada mais é que uma forma de maquiavélica de chantagem quase que invisível socialmente, afinal quem quer ser chamada de louca e puta por pessoas que se relaciona seja afetivamente ou no trabalho?


A frase do Adorno diz muito sobre o amor e relações humanas em poucas palavras, esse negócio de morde e assopra, só adoece as pessoas e promove um ambiente de desonestidade e dominação afetiva que por muitas vezes coloca a vítima em um estado de coação e esta acaba enfraquecendo, só para provar para o parceiro/amigos/familiares/chefes que não é nada do que disseram, se sente culpada e sucumbe à chantagem emocional.