29 julho 2016

Somos complicadas mesmo ou complicado é ser mulher?

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Para quem está no meu facebook, sim, voltei a escrever poesias, tenho postados algumas, meu próximo projeto nesse sentido é escrever pensando nas pessoas, se alguém se identificar nos versos, me chamem inbox, terei o maior prazer em conversar. Hoje venho conversar com vocês sobre aquela tão batida frase dissipada aos quatro ventos e tida socialmente como natural e normal: “Mulher é muito complicada”.

Meninas, estamos acostumadas a ouvir, engolir, concordar, acreditar e não pensar em como não somos tão complicadas assim, afinal, a complicação colocada na frase, está em como uma frase dessas esconde misoginia e repudio ao feminino, ao ser mulher.

Complicado é ter que atender um padrão social, que nos coloca como marionetes e nos desqualifica a todo instante.

Complicado é não saber se defender das atrocidades cotidianas, pois desde pequenas somos condicionadas ao belas e recatadas e nossas brincadeiras giram em torno disso, aos homens é dado o direito de aprender a se defender fisicamente e psicologicamente em suas brincadeiras.

Complicado é não poder reagir por medo de ser mais violentada ainda.

Complicado é sermos coagidas ao não prazer e odiar nossos corpos, inclusive temos que manter nossos corpos no padrão através de sofrimento (depilação, cirurgias).

Complicado é não poder envelhecer e sentir-se bem com nossos corpos, pois mulher pra ser bem vista, têm que se negar o tempo todo, utilizando toda a parafernália artificial, não podemos aparentar mais idade.

Complicado é viver num mundo onde ser mulher é ser amaldiçoada desde o nascimento e ser tratada como objeto sexual.

Complicado é uma sociedade que nos coloca como vilãs, falsas, desequilibradas e incapazes de criar laços umas com as outras, pois somos perigo pra nós mesmas.

Complicado é cumprir dupla jornada de trabalho, pois muitas de nós trabalhamos e cuidamos da casa e das necessidade dos filhos, enquanto ozomi, precisam descansar e brincar com seus brinquedos.

Complicado é ser mãe solteira e arcar com tudo sozinha e se reclamarmos ou se denunciamos isso, somos taxadas de exageradas e insanas, pois homem é assim mesmo, não sabe cuidar de filhos, é papel da mulher ficar sobrecarregada com tudo e chegar a exaustão.

Complicado é sermos reduzidas às nossas genitálias e corpos, ao invés de nossas capacidades como seres dotadas de todas as capacidades mentais.

Complicado é que pra ser mulher, precisamos o tempo todo sofrer a pressão do julgamento, críticas e represália.

Complicado é ter que submeter nossos desejos aos homens, pois só eles têm o direito ao prazer, pois mulher que conhece o corpo e exige prazer, não merece respeito.

Complicado é falar não e não ser respeitada.

Complicado é ter medo de dizer não e ser abandonada ou estuprada.

Complicado é se submeter ao sexo sem estar com vontade, só pra satisfazer a vontade alheia.

Complicado é não poder conversar sobre sexo abertamente, isso é coisa de homem e da mulher se exige o pudor.

Complicadíssimo é sucumbir ao patriarcado, pois nos dividem em “pra casar ou pra trepar”.

Complicado mesmo, é não poder ser humana, com desejo, pensamentos, vontades, pois somos fêmeas e isso tudo que eu escrevi é mimimi, drama, loucura, promiscuidade.

Homens são complicados, seus costumes são complicados, suas exigências são complicadas, sua coerção é complicada, afinal, ser mulher onde a moral e os bons costumes são e regras e formas de aprisionar as fêmeas é complicado. 

Eles dizem que somos complicadas como uma maneira de desqualificar nosso estar no mundo e não enxergam os privilégios que já possuem (claro, não enxergam pois é naturalizado), passam por cima do que nos é de direito e o direito de ir e vir é só deles. 

Não somos complicadas, somos socialmente adoecidas pelo patriarcado diariamente.


21 julho 2016

Coletor menstrual: muito amor em um copinho.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Faz anos que venho percebendo na internet e nas redes sociais textos, vídeos e propaganda sobre o tal coletor menstrual, na verdade uns 4 anos atrás vi um anuncio, cliquei pra ver o que era e minha primeira reação foi “nossa que estranho isso, meio nojento”, não foi algo que realmente chamou a atenção, fiquei meio desconfiada e achei muito caro, enfim, não me apaixonei pela ideia logo de cara. Com o passar dos anos, sempre dava de cara com o assunto e com o passar do tempo passei a me interessar mais, até que comprei um coletor e estou apaixonada pelo meu.

Meninas vocês já pararam para pensar que absorventes internos e externos possam ser nocivos para a saúde?

Então, o absorvente nada mais é que um retentor de menstruação, nosso sangue fica por horas apodrecendo e proliferando bactérias em contato com nossa pepeca, não li nada a respeito, mas acredito que isso pode gerar algumas doenças incomodas que nós mulheres já estamos habituadas a correr pro médico para tratar, isso sim é nojento.

Vocês sabiam que menstruação não tem cheiro? Pois é amigas, nenhum cheiro, o sangue não fica apodrecendo em contato com o ar (por isso que fica aquele cheiro horrível) e o melhor, você nem precisa se preocupar em acordar manchada e melecada com vazamentos no decorrer do dia, pois usando o coletor você só precisa esvaziar o copinho, lavar e colocar de novo, dá até pra esquecer que está menstruada, pois não dá pra sentir o coletor e se incomodar o cabinho, é só cortar com cuidado. Pode usar calça legging, fazer esportes, nadar, etc.

Outro fator importante, utilizando o coletor você pode se aventurar a conhecer melhor teu corpo, vai entrar em contato com tua natureza e o melhor vai entender que não é uma enchente de menstruação, só acreditamos nisso, pois o absorvente nos dá essa sensação.

Coletor menstrual é muito amor, carinho para o nosso corpo, é higiênico, prático, econômico e sustentável, recomendo, só não indico marcas, pesquisem mais sobre e vê o que cabe no seu bolso, afinal, o preço varia de 50 golpinhos a 100 foratemerzinhos.

Beijos de luz amadas, logo volto com um texto novinho em folha pra vocês.


03 julho 2016

Heteronormatividade e seus mecanismos de fiscalização e coerção da vida alheia.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Minha vida está uma correria bem grande, novos projetos, trabalho, nuances, principalmente reconstruções e reformulações na vida psíquica e isso tudo consome um tempo gigantesco, mas não deixo de pensar em escrever e tenho uns 3 textos querendo nascer. Começamos com o projeto Violetas, para enfrentamento das violências cometidas contra mulheres (https://www.facebook.com/violetas.enfrentamento/).

Pessoas se existe uma coisa que aprendi fazendo psicologia, foi fazer observações, me recolher como pessoa e observar. Ao voltar a conviver em ambiente heteronormativo, tenho feito muitas observações fantásticas e tristes ao mesmo tempo, e o que consigo constatar dentro das vivencias são as relações de poder e coerção travestidas em nome da moral e dos bons costumes.

Acho muito estranho aquela coisa de julgamento o tempo todo, afinal, às vezes a regra que existe pra ti, não se emprega ao outro e ouço de algumas pessoas frases do tipo “eu só estou falando a verdade na tua cara” e me pergunto sempre “e que verdade?”, “existe verdade?”, pois bem, dentro da lógica heteronormativa existe e chego à conclusão que essa verdade é sempre voltada a obrigar teu próximo a se encaixar num padrão pré-estabelecido e de pouca empatia.

Vejo pessoas o dia inteiro falando de maneira nociva da vida dos outros, pessoas que dentro de sua verdade se julgam boas por passar horas do seu dia fiscalizando e oprimindo a vida alheia, emitindo “opiniões” maquiavélicas, isso chega a ser nojento amades, pois dentro dessa lógica, estão fazendo o papel de pessoas do bem, que só querem o bem alheio, elas não enxergam a maldade que estão fazendo de verdade.

Outro dia ouvi uma assim “eu não sou homofóbicx”, mas quando o assunto é rir do colega que está apaixonado por uma pessoa do mesmo sexo e fazer piadas com a relação homoafetiva, a pessoa morre de rir e faz cara de nojo ao imaginar a cena, mas mesmo assim elx não é homofóbicx em sua concepção. Já ouvi coisas do tipo “existem meninas de 9 anos que sabem bem o que fazem e se o cara fez sexo, é culpa dela” e fico assustada de verdade, pois, esta pessoa o tempo todo dissemina discurso de ódio e como eu disse acima, travestido em moral e bons costumes.

Tem dias que é muito cansativo viver fora do vale, mas a necessidade financeira fala mais alto e assim vou vivendo meus dias, tentando me blindar dessas relações.

 Beijos de luz amades.