24 maio 2016

Brincadeiras de adultos - é na infância que aprendemos sociabilidade e comportamentos segregadores.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Venho pedir desculpas por não colocar esse texto em vídeo, toda vez que tento gravar acontece alguma coisa e não consigo. Outro motivo foi uma viagem a Ribeirão Preto (minha terrinha) de última hora e quando estou lá não paro um minuto quieta, preciso matar a saudade das pessoas que moram em meu coração.

Hoje venho falar do brincar e se relacionar na fase adulta e como eu disse no vídeo, uma das principais formas desenvolvimento da socialização até chegarmos à fase adulta, é na brincadeira.    

Na cultura ocidental existe a triste realidade de que coisas de meninas, brincadeiras de meninas, são coisas fúteis, inclusive existe a fase do clube do bolinha, em que os meninos odeiam as meninas e rechaçam elas de todas as maneiras, só que existe um porém nisso tudo, o clube do bolinha continua firme e forte na fase adulta (brotheragem) e as meninas tornam-se inimigas, pois, coisas de mulher e mulheres são repugnantes socialmente, inclusive as mulheres passam a ser devotas do pensamento machista.

Engana-se quem pensa que a infância ficou pra trás, ela está presente em tudo que somos, já escrevi um texto sobre o brincar na fase adulta ( http://sexconvi.blogspot.com.br/2010/07/sobre-o-brincar-porque-nao.html ). 

O problema disso tudo é que muito do que fomos na infância, reproduzimos nas nossas relações posteriormente e por experiência própria, dos relatos clínicos que já tive e dos relatos das amigas, é que em geral os homens no início do relacionamento comportam-se como pessoas de bem, que gostam de verdade do nosso mundo feminino e com o passar do tempo, voltam às suas origens de socialização infantil, querem tudo feito só à maneira deles (assim como foram educados em casa), deixam as mulheres sozinhas no relacionamento, são agressivos, manipuladores e voltam a impor que tudo nosso é ruim, inclusive não conseguem ser parceiros, não nos escutam e desmerecem nossa voz, dizendo que somos dramáticas, nos fazemos de coitadinhas, dentre outras coisas (gaslighting) e só se divertem com os brothers, sim, pois só outros homens são dignos de confiança, parceria e respeito.

Me pergunto: Como se relacionar com pessoas tão opostas e tão diferentes em sua constituição de vida?

Fico aqui pensando em como somos responsáveis por nossas crianças e ao mesmo tempo, como somos vendidos aos estereótipos de educação infantil. Peço encarecidamente as pessoas que cuidam e educam crianças: não seja essa pessoa que perpetua comportamentos segregadores, vamos fazer um mundo mais igualitário, afinal, criança aprende a viver em sociedade desde que nasce e a infância é um marco muito importante no desenvolvimento das relações humanas.

Deixo um vídeo do Milton Nascimento para vocês como de praxe.




02 maio 2016

Toda forma de amor: pela normalização do amor diverso.

Olá colegas, amigues e leitorxs!

Semana passada não consegui gravar vídeo, passei por uma semana bem pesada de decisões e me recuperando, fiquei muito doente e pensei que seria melhor escrever, mas estou editando um vídeo sobre outra temática para vocês (sobre brincar, brinquedos e desenvolvimento infantil e das relações de gênero).

Pessoas, desde que consegui sair do armário, busco me envolver de todas as maneiras com esse universo e me dei conta de uma coisa muito séria, o mundo é muito heterossexual (descobri a roda kkkkkkk) e estou dizendo isso pelo simples fato: Casais LGBT causam reações muito profundas nas pessoas que os observam. Falo isso pelo simples fato de ter me relacionado socialmente a vida toda com homens e nunca tive esse tipo de preocupação de sair na rua ou beijar na frente de todo mundo e agora também não estou nem um pouco preocupada em me esconder, aliás, não sinto vergonha de forma alguma, sinto orgulho.

Os filmes, romances, livros em sua grande maioria são sobre casais heterossexuais e buscando por materiais de qualidade, que não sejam pornográficos e nem busquem mostrar estereótipos, afinal, somos seres humanos com tudo de tudo, consegui achar algumas obras maravilhosas, que em algum post mais pra frente indico.

O que estou querendo dizer com tudo isso?

Que o amor diverso atualmente é clandestino e não deveria ser, as pessoas deveriam ter o direito de amar sem se esconder, amar envolve amor próprio e ao próximo, isso não deveria ser agressivo, mas a moral e os bons costumes são heteronormativos, exclui de maneira nociva o amor e coloca pessoas diversas como vulgares, promiscuas, bizarras, objetos sexuais e de fetiche (lésbicas são o tempo todo assediadas de infinitas maneiras por homens heterossexuais), dentre outras formas de repúdio social.

Pergunto à vocês e já respondo: como se sentir integrada socialmente se o mundo impõe padrões heteronomartivos?

Penso eu que é escancarando nosso tipo de amor, trazendo isso pra normalidade, sem amarras, sem neuras. Sei que é difícil, pois a sociedade ainda é bem agressiva com diversas formas de amar, mas como diria o ditado árabe “Quem planta tâmaras, não come tâmaras”, então vamos preparar a terra e plantar, para que as futuras gerações possam desfrutar da liberdade afetiva.
  
Deixo vocês com a música “Toda forma de amor” do Lulu Santos (bem clichê) e até o final de semana eu posto o vídeo.