21 março 2016

Pelos pesares dos pelos: reflexões sobre pedofilia “inconsciente” coletiva e a síndrome de Peter Pan.

Olá pessoas queridas, tudo bom com vocês?

Fiquei bem feliz com os acessos do último texto, juro que pensei que jamais conseguiria voltar a escrever para vocês, mas estou aqui novamente com um textinho novinho em folha, querides. Hoje trago para vocês uma reflexão sobre os pelos, que já está em minha mente faz alguns anos, desde o inicio da adolescência e que no último ano veio à tona de uma maneira doentia e foi observando as crianças que tive um insight.

Quem me conhece um pouco mais, sabe que tenho origem portuguesa e possuo muitos pelos, não posso depilar com cera e nem foto depilação, pois sofro muito com foliculite e isso em nossa cultura causa alguns incômodos na maioria das mulheres, pois diariamente somos bombardeadas com a imagem de que para o corpo ser bonito, tem que ter corpo lisinho, mesmo que para isso, soframos a tortura de sessões de depilação com cera, foto depilação, laser, etc.

Observando as crianças percebi uma coisa, criança não tem pelos e isso me fez pensar muito sobre a questão da pedofilia, de que em nossa sociedade ainda somos colocadas como crianças incapazes de pensar por nós mesmas, emitir opiniões e sermos autônomas, mesmo que inconsciente por muitas vezes, somos tratadas como crianças incapazes de se autogerir (mundo cor de rosa, de princesas, de mocinhas comportadas).

Essa negação, rejeição e desprezo por nossa natureza biológica, vende muito e nos transforma em marionetes consumidoras masoquistas, sadismo midiático machista de que a mulher tem que sofrer pra ficar bonita, mas não só pela dor física, mas a dor que nos paralisa no nosso desenvolvimento, pois pelos são coisa de mulheres adultas e ser mulher adulta é nojento, pois ser adulto, se sentir a vontade e seguro consigo mesmo, é coisa de homem, mulher tem que brincar de boneca, de casinha, tem que ser princesa (Cinderela, nós mesmas impomos essa vida para nossas meninas).

Para ser mulher sexualmente atraente em nossa sociedade ocidental, tem que ter unha feita (se cortar para negar as cutículas, que assim como os pelos, são proteções para o nosso corpo), cabelo perfeito (liso, mesmo que isso o destrua com progressivas e alisamentos), sem rastros de natureza e a mídia dita isso tudo como um padrão sem “imperfeições”, afinal, nossos pelos, pele, unhas e cabelos são sempre imperfeitos e devemos o tempo todo “nos cuidar” (temos que nos odiar o tempo todo, para se lucrar mais com isso) e o homem é o ser que pode estar sempre “in natura”, inclusive eles podem até ficar sem camisa, pois isso é normal, mas essa discussão fica para outro texto.


Deixo vocês com mais uma música pra pensar um pouco sobre a máxima "meu corpo, minhas regras", logo estou de volta com mais um textinho “leve” e “doce” para vocês.

  

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