29 março 2016

O armário tem poeira e eu tenho rinite...

Olá colegas, amigues e leitorxs, tudo bom com vocês?

Estou feliz por estar conseguindo escrever um texto por semana pra vocês e hoje venho escrever sobre a parte vida, afinal o blog tem essa parte no seu título e aqui é um espaço para falar sobre minha vida e percepção de mundo. Alguns de vocês estão no meu facebook e provavelmente estão acompanhando o melhor processo que poderia acontecer em minha vida, o de libertação de gênero ao me reconhecer como pessoa e não mais como uma garota interrompida.

Cresci em uma casa de muita diluição, meus pais nunca estabeleceram papéis de gênero em suas relações, sempre fizeram de tudo e mais um pouco por nós todos, inclusive nunca ouvi deles a tal frase “isso é coisa de menina ou de menino”, eu e meu irmão sempre pudemos brincar do que quiséssemos, sem ter que escolher algo por cor ou por pertencimento ao gênero. Cresci e fui ver isso na escola, nas amizades, nas vivências sociais, etc.

Quando entrei na adolescência, o padrão sempre foi ser mulher boazinha e comportada, pois se não fosse isso eu ia ficar mal falada e isso para uma mulher é terrível, mas eu nunca entendi isso muito bem, ou seja, acho que fiquei mal falada por achar que meus direitos eram iguais aos dos homens e na verdade eu me negar esses direitos sempre me soou como violência.

Com tempo, namorei, fiquei, me relacionei com os homens e nunca me senti feliz de verdade na forma como me tratavam, nunca entendi a manipulação masculina, nunca entendi isso de comportamento controlador (mulher tem que cuidar sozinha dos filhos, limpar casa quando na verdade a casa é responsabilidade das pessoas que nela moram), os papéis de gênero que esperavam de mim, nunca consegui ser a mulher que todos desejavam, pois sou eu mesma e negar isso novamente me soava como algo muito agressivo, até que em alguns momentos da vida fiquei com algumas gurias e sempre foi bom estar com elas, uns anos atrás me apaixonei por uma, mas estava noiva na época e simplesmente deixei pra lá em nome daquele “convite social” de que mulher na minha idade deveria estar casada, noiva ou seguindo pra esse rumo.

Meus dois últimos relacionamentos com homens foram muito, mas muito baseados no falocentrismo, nas relações de poder, etc, não quero me ater aos detalhes, pois acho que nenhum dos dois entendem o que fizeram, são apenas homens sendo homens, com pouca empatia e tratando mulher como inimigas. Usufruindo de todo o companheirismo que poderia doar para eles, assim como muitas de nós fazemos, nos colocamos numa postura de compreensão, dedicação, ajuda e respeito ao outro e esse chega um ponto que deixa de enxergar o relacionamento e só pensa em si.

Por anos escutei que eu só me relacionava com homens que me tratavam mal, mas cheguei à conclusão que não é que me tratavam mal, só estavam sendo homens, mas eu nunca aceitei de verdade ser tratada dentro dessas relações patriarcais, como por exemplo da mulher sem voz e sem opinião, sim, pois alguns deles me podaram dizendo que eu não falava sobre assunto que os agradava (estudo e pesquiso cientificamente relações de gênero desde a graduação), desmereciam minhas opiniões em vários momentos, falando que eu me achava demais por ser psicóloga ou que eu falava muito difícil e a pessoa se sentia mal por não entender.

Agora o momento mais lindo do texto, desde dezembro ao entrar em contato com alguns textos feministas e por estar vivenciando coisas que eu jamais concordaria, me toquei de que não gosto de homens, sim pessoas, não gosto de viver uma vida heterossexual, não consigo mais e desde fevereiro tenho me relacionado com mulheres maravilhosas e como são queridas, o carinho que sempre esperei dos homens, não estava neles e sim nelas, somos uma delicia de verdade e merecemos muito carinho, muito amor e muito respeito. Finalmente estou me sentindo em casa com elas, me sentindo muito completa como pessoa e pensando no tempo que perdi.

Bom querides, esse texto foi bem gostoso de escrever, principalmente por iniciar uma nova fase de escritas no blog, agora vou entrar mais pesado no feminismo, estou pensando em fazer doutorado com a temática do gaslighting (mais detalhes nesse texto http://thinkolga.com/2015/04/09/o-machismo-tambem-mora-nos-detalhes/). Vou escrever mais sobre a temática LGBT, pois ao me assumir bissexual posso levantar essa bandeira como minha também. Deixo novamente como sempre músicas, pois música é vida e Clarice Falcão delicinha também.






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