16 janeiro 2015

“Poema”: uma reflexão sobre desenvolvimento psicodinâmico suficientemente bom.

Olá colegas, amigos e leitores!

Hoje vou escrever sobre uma música do Ney Matogrosso que me chamou atenção em vários aspectos, fiquei encantada com ela e resolvi escrever sobre a música “Poema”.

Ele inicia a música falando que acordou de um pesadelo, assustado, com medo e procurou por amparo, penso que talvez esse pesadelo seja algum período de muitas dificuldades, em que a mente dele estava em um lugar ruim (talvez estivesse numa espécie de umbral psíquico), mas é tratado metaforicamente como um sonho ruim.

No meu entendimento, quando sonhamos vamos para um lugar que desconhece tempo e espaço e é viável acordar de um pesadelo dessa forma, afinal, quando sonhamos vivenciamos o sonho, naquele momento ele é realidade, a mente não é um objeto concreto, então nesse momento que estamos inconscientes, elabora ou não as vivências como algo real e o que fica para nós é o conteúdo manifesto que nem sempre conseguimos colocar em palavras. O interessante disso tudo é a regressão que ele mostra na música, procurou por seu objeto afetivo, vou chamar de mãe esse objeto de afeto.

Quando despertou do lugar que desconhece tempo e espaço, regrediu à sua infância, se viu numa situação em que se sentia desprotegido e era acolhido, protegido e amparado por sua mamãe, portanto, a criança interna dele acordou pedindo colinho da mamãe, quentinho, macio e seguro.

Discorre que acordou no escuro e procurou alguém com o carinho, realmente ele foi buscar esse carinho no escuro, lá no inconsciente e achou e pode usufruir, não necessitou chorar e nem reclamar abrigo, pois isso tudo estava bem integrado nele. Ele levantou atento e a tempo de receber um abraço interno antes de sucumbir ao medo.

Isso me remete a ideia Winnicottiana sobre a capacidade de estar só, em que o sujeito consegue se sentir bem na presença das pessoas ou com ele mesmo, nunca se sente sozinho, pois foi bem nutrido afetivamente em suas necessidades por seus objetos de afeto na infância e seus cuidadores estão integrados internamente, ele sente-se confortável com o que tem, com o que é e sempre que precisa recorrer ao abraço de amparo objetal, o abraço está lá e não gera medo, gera conforto, pois seus objetos foram suficientemente bons e puderam proporcionar a ele um desenvolvimento satisfatório a ponto dele ser sujeito de si mesmo.

Realmente a coisa que ficou nele e não teve fim, nunca terá fim, pois viverá sempre nele, como uma tatuagem e toda vez que a criança interna falar mais alto, a mãe suficiente internalizada estará lá para dar segurança e suporte ao conflito, seu objeto transicional foi internalizado.

Quando ele diz que de repente está perdendo algo, não consigo entender como perda, porque fica no caminho, não sai dele, soa mais como tomar consciência do que estava inconsciente para ele, esquecido e não perdido.
É dito também que ele via o infinito sem presente, passado ou futuro, o que me remete à ideia de inconsciente, pois como afirmei no início, esse espaço da nossa mente desconhece espaço e tempo. Esse espaço é escuro e frio, desconhecido ao mesmo tempo conhecido, mas é iluminado pela tomada de consciência de sua condição, de sua autonomia, da capacidade de resolução de conflitos.


Encerro minha reflexão da música com o clipe no final, logo volto com texto novo para vocês.


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