21 janeiro 2015

Dormir, sem dúvida realizar

Pessoal, foi pensando em um trabalho que fiz sobre os sonhos, em meu primeiro ano de faculdade em psicologia, que decidi escrever esse texto e vou me arriscar um pouco no campo da psicanálise.

Como todos sabem ou se não sabem, a mente humana trabalha a todo vapor o tempo todo, inclusive enquanto dormimos e não existe um momento em que o cérebro está totalmente paralisado em suas funções, mesmo em pessoas em coma, algumas acordam e sabem direitinho o que foi dito perto delas no período que foram acometidas por esse estado “vegetativo”.

Como eu disse no início, fiz um trabalho sobre os sonhos por uma perspectiva neurocientífica, ou seja, uma visão voltada ao neurológico e não muito à subjetividade. A proposta era uma análise do texto “Dormir... sem dúvida... sonhar”, em que os pesquisadores com seu aparato material e teórico, investigaram sobre os ciclos de sono e sonho R.E.M (Rapid-Eyes-Moviment) o sonho propriamente dito.

Em alguns períodos do sono sonhamos, mas não sonhamos o tempo todo em que estamos dormindo, em alguns períodos ocorre somente o relaxamento muscular. Nesse artigo, o sonho aparecia como se fosse um estado de relaxamento intelectual, um momento de limpeza mental.

Nas minhas aulas de neuro, aprendi também que, a frequência de ondas emitidas pelo cérebro quando sonhamos é a mesma de quando estamos acordados, o que me leva a entender depois de um tempo, pensando na velha ideia de que temos um inconsciente, cheio de resíduos reprimidos, que o sonho talvez possa ser como uma limpeza do inconsciente.

Como é proposto por vários teóricos, não temos acesso a essa parte do nosso aparelho psíquico e não temos controle do que fica armazenado dentro dele, mas que agimos perante as pulsões (forças) geradas pelo inconsciente.
O ser humano possui partes racionais, partes instintivas e dentro dessas duas forças existe o desejo, que nem sempre é realizado na hora e da maneira como queríamos. Quando não é realizado, seja por moralidade ou por inviabilidade, o desejo é reprimido e fica por período indeterminado, latente no inconsciente. Dependendo da força gerada por esse desejo reprimido, a pessoa pode adoecer psicologicamente, mas não quero ficar nesse assunto de adoecimento, quero falar sobre os sonhos.

Quando sonhamos, a barreira de repressão que não deixa o conteúdo latente manifestar-se conscientemente, abre uma pequena brecha e alguns conteúdos reprimidos, sejam de ordem sexual ou não, conseguem de alguma forma chegar a nível consciente, não explicitamente como quando acordados, mas simbolicamente através de projeções manifestadas dentro do sonho. Essa é mais uma maneira de encobrir os conteúdos latentes, a barreira da repressão não se abre por completo, pois nem sempre nos lembramos ou temos consciência total do que se passou no sonho, lembramos apenas de fragmentos.

Existem os sonhos bons e pesadelos e não podemos escapar disso, pois, assim como existem desejos prazerosos, temos por natureza, certo vicio masoquista na dor e ela também serve para evolução psíquica, é grande aliada das grandes ideias e de nossas inquietações.

Então coleguinhas, posso concluir que a neurociência está de certa forma correta em relação à limpeza mental que o sonho nos proporciona e esse relaxamento mental pode ser uma forma de manifestação de desejos reprimidos sim. Pois se realmente existe o inconsciente, este possivelmente tem um limite de armazenamento de tristezas e desejos, que não podemos concretizar, necessitando assim, colocar para fora esse conteúdo, realizando os desejos, seja no campo da fantasia ou na racionalidade.

Algumas pessoas dizem que não sonham, mas sonham sim, só não conseguem se lembrar que sonharam. O uso exacerbado de álcool e de alguns psicofarmacos, inibem parcialmente o sonho R.E.M, mas não por completo.


Bem pessoal, encerro o post por aqui deixando dois vídeos que penso que remetem à ideia de inconsciente, o primeiro mostra duas pessoas que não conseguem se aproximar e mostra também nitidamente o lance de recalque e sujeira inconsciente, quando eles estão cada um em um quarto bagunçado tristes tentando sair. O segundo é referente aos sonhos e aos conteúdos latentes, o intuito são as imagens, então abstraia a ideia dos clipes, para ver nitidamente o que estou propondo.



Nenhum comentário: