08 novembro 2014

Muro das lamentações: O presente é um presente ou uma vida de lamúrias/discurso melancólico?

Olá querides!

Hoje à tarde eu estava me perguntando: Se algumas pessoas vivem remoendo a vida e o que passaram, porque não procuram fazer um presente melhor para que no futuro surjam lembranças gostosas e prazerosas? Porque as pessoas teimam em viver dentro de um pesadelo mental?

Pensei na infância, que em geral temos boas recordações, sendo que tem até site para recordar, pelo menos da minha infância têm vários relembrando os anos 80. Então se as recordações da infância é são boas, o que acontece a partir da adolescência que as coisas mudam?

Poxa! É claro! Em uma infância consideravelmente saudável, temos cuidadores que nos ensinam a enxergar o mundo e não somos tão responsáveis por nossos atos, não estou negando os sofrimentos infantis.

Talvez por ser um período em que as cobranças sociais e morais não sejam tão pesadas, talvez por não necessitar tanto daquela máscara ética que permeia as relações humanas, talvez porque nossos mecanismos de defesa estejam em estado pré-maturos e ainda não se desenvolveram como nos adultos, só sei que, ser adulto não é fácil e nem deve ser.

Penso também que seja uma fase em que temos contato à primeira vez com o mundo, testamos o mundo e as crianças não fazem as coisas na racionalidade, são espontâneas e se permitem ao movimento da esperança.

Quando chegamos à fase da adolescência somos basicamente forçados a manter um padrão social nas relações e aí as coisas complicam, pois, esse padrão na verdade é ideológico e utópico e cada ser aprende ética e moral de uma forma, não viemos todos da mesma família, os valores não são homogêneos, cada família tem uma crença, normas e valores que diferem umas das outras e aí a confusão é iniciada.

Somos obrigados a lidar com as diferenças sociais e às vezes o que é diferente fere e machuca quando não estamos seguros de nós mesmos, então tentamos à todo custo impor nossa forma de ver o mundo e com o amadurecimento mental dos anos, percebemos que não podemos mudar o mundo, que isso não é bacana e que devemos aprender a viver com as nossas representações de mundo, nossos anseios e nossas dificuldades e paramos de culpar o outro por nossos fracassos, nos responsabilizamos por nossas derrotas e vitórias, isso é bacana no desenvolvimento.

Infelizmente a maioria dos seres humanos teima em culpar o outro, ou seja, o errado sempre é o outro, não nós mesmos e assim voltamos à infância, lá quando eram nossos cuidadores que se responsabilizavam por tudo que fazíamos, portanto, acredito que quando culpamos nosso próximo e vivemos uma vida de coitadinhos, de injustiçados, regredimos aos pontos mal elaborados de nossa vida mental.

Será que viver uma vida de lamentações não tem algo em comum com certa melancolia e nostalgia ao tempo em que não éramos responsáveis por nós? Uma forma de querer um colinho de nossos cuidadores?

Acredito que só amadurecemos quando aprendemos a reconhecer no cotidiano nossos pesos e pesares por nossos atos e só vamos conseguir de verdade construir um presente agradável quando finalmente evoluirmos o bastante para nos tornamos sujeitos e agentes dos nossos atos, enfim, ampliar nosso conceito de vida saudável, em que somos responsáveis por nosso prazer, por nosso desprazer e não deixar a vida levar, mas sim tomar as rédeas da situação e transformar o presente em um presente internamente satisfatório no cotidiano.

Uma coisa ruim não é só ruim, a ambiguidade está aí pra isso e coloco duas frases engraçadas para a reflexão: “Se a vida te deu um limão, então faça uma limonada”; “Se a vida te virou as costas, então, passa a mão na bunda dela”.

Se as coisas não estão da forma como gostaríamos é porque de alguma forma conduzimos para que isso estivesse acontecendo, seja consciente ou inconscientemente, temos nossa parcela de decisão em tudo, mesmo que não reconhecemos e jogamos isso só nos outros.

Deixo a dica de um filme maravilhoso chamado “Ensina-me a viver” que foi bem indicado por uma supervisora clínica e essa eu tenho que agradecer muito, foi quem me ensinou a clinicar, basicamente uma mãe acadêmica. Aproveito para deixar o trailer do filme e indicar a trilha sonora também.





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