19 novembro 2014

Confiança = Incoerência

Olá queridos leitores, colegas e amigos!

O que é confiança?

Existe mesmo isso?

O ato de confiar é social?

Usamos a confiança de desculpa para não assumir nossos atos?

Usamos essa palavra em vão?

Bom como alguns de você já estão cansados de me ouvir falando nisso, eu não acredito em confiança, mas sim em coerência pois não acredito que exista um ser humano incorruptível, todos somos corruptíveis e temos falhas, não é à toa que existe a seguinte frase “Ninguém é perfeito”, portanto se ninguém é perfeito é passível a erros e atos maldosos, seja contra si, como com o próximo.

Acredito que as pessoas seguem o roteiro até que isso seja significativo, mas a partir do momento que deixa de ser e outros interesses surjam, a vinculação muda e o contrato se renova com outras roupagens, afinal, somos responsáveis somente por nossas escolhas e por nossa vivência, não temos a capacidade de decidir pelos outros, somos seres humanos.

Ser coerente não tem nada a ver com confiança, tem a ver com respeito próprio e respeito ao próximo, visto que, quando somos coerentes com a gente, existe o cuidado interno e externo e abrimos espaço para o próximo, abre o espaço para escolhas e para a não violência gerada pela culpabilidade da confiança. A coerência movimenta para o conhecimento interno de nossas limitações e vontades ao contrário da confiança, que cega e afasta as pessoas de si mesmas.

Algumas pessoas não utilizam preservativo, porque confiam em seus parceiros, mas confiam como? Qual a base de confiança que as pessoas usam? Aí algum engraçadinho pode dizer “Raquel chata, pra acontecer o relacionamento tem que ter confiança”, não é bem assim pessoas, desejo não tem nada a ver com moralidade, ele simplesmente aparece por alguma identificação e aí a coisa pode ou não pegar fogo e isso não quer dizer que tais pessoas não sentem amor por seus parceiros, quer dizer que aconteceu uma vontade, seja carnal ou emocional, não somos monogâmicos por natureza, somos socialmente monogâmicos e deslizes acontecem. Então confiança quer dizer imunidade? Não se usa preservativo porque confia? Então, se existe confiança as pessoas tornam-se imunes as DST/AIDS?
Não podemos confiar nem em nós mesmos, pois às vezes cometemos erros dos quais nos arrependemos por muito tempo, portanto, confiar no próximo é depositar expectativas às vezes irreais em uma pessoa.

O próximo é tão passível de erros e falhas como qualquer ser humano e existe a questão de projetarmos nossas necessidades nas pessoas e quando elas não são supridas, ocorre a frustração, assim sendo, cobramos do próximo o que falta em nós e por isso que eu digo meus queridos, a coerência é a melhor aliada.

Se nos conhecemos ou pelo menos fazemos o mínimo esforço para que isso aconteça, não existe o espaço nebuloso da confiança e a frustação torna-se aliada da evolução interna, da maturação de nossos mecanismos afetivos, deixamos o afeto afetar com mais espontaneidade e deixamos de jogar a reponsabilidade no próximo tornando-se sujeitos de nós mesmos.

No campo das DST/AIDS não existe confiança e digo mais, quem não usa preservativo atualmente é suicida e incoerente, pois, se não cuida nem da própria saúde física, que é uma coisa básica a qualquer ser humano, o que se pode dizer da saúde mental do indivíduo que se coloca em uma atitude de risco dessas?


Fica a reflexão para vocês e espero que sejam mais coerentes com vocês mesmos e com as suas pessoas afetivas, deixo as sábias palavras de Cazuza, que foi muito coerente com suas escolhas, devorou o céu e o inferno de uma vez, mas pagou um preço alto por ser guloso. A música do Engenheiros é um pouco mais complicada, mas muito válida ao post.

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