18 outubro 2014

O insuportável Silêncio Masculino: Algumas reflexões sobre heranças culturais.

Oi queridos leitores, colegas e amigos!

Como estou fazendo revisão de literatura para meu projeto de pesquisa, encontrei algumas informações valiosas que geraram inquietações e daí decidi dividir alguns pensamentos com vocês.

A figura masculina ao longo dos milênios passou por várias transformações, um exemplo disso é que na pré-história, quando os homens saiam para caçar, eles deveriam ficar em silêncio para não espantar a caça, enquanto as mulheres ficavam juntas cuidando da colheita de frutos, brotos e dos filhos.

Vou pular um pouco a história e apresento o homem do séc. XVIII, que era o responsável provedor do sustento familiar, era distante do ambiente doméstico, especializado no papel de provedor (separava a família do trabalho) e distanciado dos aspectos afetivos e ternos os filhos e a esposa.

Tal retrato masculino do homem detentor do poder familiar (patriarcal), é estendido até meados do século XX, onde este era o proprietário de bens, escravos, da mulher, dos filhos e se resguardava da trama doméstica, isentando-se das manifestações afetivas com os filhos, mantinha-se protegido no silêncio e possuía dificuldades em separar a individualidade da afetividade.

Sua autoridade era válida tanto para os filhos, como para mulher, e o distanciamento deste assinalava um movimento fragilidade dos vínculos entre pai-filho, que dentro da educação desempenhava essencialmente o papel disciplinador, portanto um pai rígido e repressivo apoiado e reforçado pela sociedade da época.

O que eu quero dizer com tudo isso caríssimos leitores?

Que em nossa cultura há pouco tempo atrás era cobrado socialmente que o homem mantivesse essa conduta de silêncio e o que vemos atualmente é que existe essa herança transgeracional dessa época remota. Percebo que algumas mulheres não conseguem entender esse silenciamento masculino, o que as deixa insuportavelmente inseguras, pois em um dia o parceiro está todo comunicativo e no outro dia, ele está em sua caverna mental.

Os gêneros raciocinam e processam as informações de maneiras diversas, mulheres são mais engajadas em falar sobre suas inquietações e descobertas subjetivas, são mais comunicativas, mas por outro lado, os homens em geral ruminam as informações antes de externaliza-las, primeiro pensam, formulam internamente e depois externalizam suas concepções a respeito de determinado assunto.
Diferentemente de nós mulheres, que quando estamos incomodadas com o parceiro e ficamos em silêncio, eles necessitam desse espaço introspectivo e de resguardo para sentirem-se bem com eles mesmos. Nem todo o silêncio masculino quer dizer que o parceiro está incomodado, às vezes ele só está necessitando ficar com ele mesmo, é como uma solidão saudável, prazerosa e necessária.


Bem, deixo vocês com a música “Casamento dos pequenos Burgueses” do Chico Buarque e quero informar que vou postar textos de quarta e sábado.

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