03 agosto 2014

Gêneros: o caos da modernidade

Olá colegas, amigos e leitores!

Bem meus queridos, vou de novo conversar com vocês sobre processos sócio históricos, não consigo mais pensar o mundo sem levar em conta coisas que aconteceram antes e que transforam a realidade até que chegamos nos dias atuais como pensamos que conhecemos, com todas as nossas representações.

Estava lembrando de histórias que escutei a vida toda sobre os relacionamentos dos meus avós, de como era a época deles e fico pensando que se meus pais nasceram na primeira metade da década de 40, essas recordações devem ser da segunda metade da década de 40 em diante e como eu pesquiso muito sobre essas coisas, juntando as histórias que ouvi e do que já li, imagino que naquela época, nós mulheres nascíamos para servir a casa (rainhas do lar), cuidar dos filhos e do marido, nada de tão horrível pro pensamento da época.

Os homens desde pequenos aprendiam com suas mamães, que lugar de mulher é na cozinha e cuidando de filhos e que o papel masculino era trabalhar e trazer dinheiro para a casa, que a esposa deveria servi-lo, dentre outras coisas. Se engana quem pensa que mulher é mais falante que o homem e isso é tendência de gêneros, isso é herança dessa época, os gêneros não se comunicavam de maneira horizontal, apenas seguiam papéis rígidos, era cultura os homens silenciosos em casa e falantes no meio profissional. Era uma maneira deles não se envolverem com a trama doméstica e isso ainda é sobrevivente na atualidade.

Bom, partindo desse raciocínio penso eu que esse passado não é tão passado assim e somos herdeiros de tudo isso, só que tem um porém nisso tudo, hoje em dia nós trabalhamos, assim como os homens, só que muitos homens e mulheres da minha geração aprenderam bastante desse passado, pois suas mães ficaram a cargo da educação, mesmo que muitas trabalhavam e eram casadas, eram estas que iam para a cozinha, que cuidavam da família toda, que se encarregavam do cuidado dos filhos, dentre outras tarefas, enquanto seus maridos, ainda continuavam comportando-se como se vivessem nos anos 50.

Eu decidi dar uma vasculhada em blogs, youtube e no Facebook, para entender como as coisas estão, pois sou eremita e quase não saio de casa ultimamente e o que consegui coletar de informações de uma maneira geral a respeito dos gêneros foi que ainda se cobra muito que a mulher cumpra esse papel dentro da relação, mas não consegui achar muita coisa a respeito dos homens dividirem as tarefas domésticas com as mulheres, lembrando também que muito se fala sobre gostarem de mulheres independentes, mas ao mesmo tempo, querem uma mulher doce, submissa e compreensiva.

Grande parte de nós mulheres queremos casar, ter filhos e um maridão horizontal, que nos apoie, cuide da casa em conjunto, nos trate com o respeito e possuam admiração por nossas profissões, mas ainda educamos os filhos homens como antigamente.

O que eu consigo pensar sobre, é que atualmente vivenciamos um caos completo nas relações de gênero, pois nem os homens e nem as mulheres sabem o que querem e como querem de verdade, ao mesmo tempo em que nos cobram a respeito do casamento e filhos, nos cobram a profissão e a autonomia e como herdeirxs de uma época muito recente, tentamos a todo custo nos agarrar em modelos anteriores.


Deixo a reflexão queridxs e vamos parar com essa guerra dos sexos, acho que um ponto de partida para a melhora de tudo isso é o desenrolar do movimento de diluição e equidade de gêneros, no qual possa existir comunicação de maneira horizontal e deixar o relacionamento vertical para situações mais íntimas, se é que vocês me entendem.