09 abril 2014

Processos sócio-históricos: realidade ou percurso?

Olá colegas, amigos e leitores!

Hoje venho escrever sobre processos históricos e como isso reflete no nosso cotidiano, partindo de uma lógica de construção, da evolução e dos elementos sociais e saindo da dualidade de certo e errado.

Imaginem vocês morando em suas casinhas, com seus trabalhos e da noite pro dia ocorre um abalo sísmico que ocasiona em uma tsunami, daí pergunto à vocês: o que acontece depois que a água vai embora? O caos se instaura e assim aos poucos as pessoas vão reconstruindo o local de outras maneiras, sendo que vocês como habitantes daquele lugar nunca mais vão ser os mesmos depois de um acontecimento desses.

A nossa tsunami atualmente chama-se: globalização, capitalismo, democracia, ciências, tecnologia, saída da mulher para o mercado de trabalho, dentre infinitas gotas de água que são inéditas para a humanidade. Engana-se quem pensa que só porque vivemos em democracia, que a ditadura acabou e está tudo resolvido, isso é imbecilidade, ainda estamos aprendendo a viver nesse mundo quebrado de paradigmas sólidos, temos insegurança nas novas concepções e tentamos com toda força nos agarrar ao que já é conhecido ou pensa-se que conhece.

O desconhecido nos deixa inseguros, ainda estamos nos habituando aos quase 30 anos de democracia que se constrói a cada dia, ao sistema de saúde universal, ainda convivemos com valores antigos  e que  evoluíram para os atuais, que farão parte dos que estão por vir com o tempo, podem parecer ultrapassados, mas não são, estamos vivendo um período de fragilidades, em que não sabemos muito bem como lidar com esse caos social e psíquico, vivemos a transição de valores sólidos para os fluidos.

Existiu uma fase em nossa história que não se sabia muita coisa do que se sabe hoje, um exemplo é que a mulher engravidava do ato sexual e quando esta engravidava era atribuído ao sobrenatural, algum Deus colocou a vida no ventre dessa mulher e era comum que esta trabalhasse com agricultura, pois a crença era que o fazer dessa mulher trazia boa colheita.

Nessa época a sociedade era regida pelo matriarcado, um sistema que colocava a mulher num patamar de respeito e existia um contexto de liberdade sexual (paganismo), até que se teve a consciência de que o ato sexual leva a procriação e durante esse processo, o patriarcado passou a governar em algumas culturas e nisso é plantada a semente do que hoje conhecemos como família nuclear, o homem passa a ter posse da mulher e esta é reduzida somente a procriação.

O mundo não é um organismo estático, nem bipolar, decorrem infinitas transformações que independem de certo ou errado, elas simplesmente acontecem por força da construção histórica multicausal, ou seja ,aconteceu a idade média, a queda desta, o renascimento, o capitalismo, a revolução industrial, 2 guerras mundiais, o avanço das ciências  e a mulher saiu da esfera doméstica para se juntar ao social e para que tudo isso acontecesse, existe a multicausalidade,  nada acontece somente por um fator em si, existe uma construção antes do acontecimento e no percurso da história, não acontece de uma hora pra outra, pensar o fato só pelo fato, é inocência.

Para mulher sair da esfera doméstica, precisou do desenvolvimento dos contraceptivos, isso tirou a mulher da esfera de submissão ao homem e deu a ela a possibilidade de decidir o que queria e como queria, até em relação ao sentir prazer. Para algo acontecer no mundo, sempre tem que existir a necessidade e não se iludam que essa saída da mulher para o mercado de trabalho só existe na esfera de liberdade sexual e rompimento de paradigmas, pois, se por um lado a mulher vai para o mundo social, é necessário que ocorra o controle de natalidade, por outro lado, também se torna uma peça na engrenagem dos meios de produção capitalista e fortalece esse sistema.

Mas não vou me prender ao Marxismo, pois vai ficar muito grande o texto e não é minha intenção, quero explicar a questão do caos que vivenciamos e que algumas pessoas chamam de “perder valores”, a gente não perdeu valor nenhum, simplesmente, não condizem mais com a realidade da forma como é atualmente, acredito que as duas guerras mundiais, são uma prévia da globalização e talvez o ponto de partida para isso, mesmo porque naquela época ocorria o desenvolvimento dos bancos, que de alguma forma impulsionou também para isso, ainda acredito que as guerras são uma forma de sustentar do pátrio-poder, de se agarrar aos valores antigos, por isso acredito na queda do poder patriarcal e do capitalismo daqui um tempo.

Em nenhum momento da história existiu celular, computador, fast food, fertilização in vitro, anticoncepcional, plástico, geladeira, internet, leite em caixinha, leite em pó, cesariana da forma como é hoje em dia, mães dividindo as tarefas domésticas com o pai, estamos vivendo um momento de caos em tudo e aprendendo a viver em meio a isso e como no caso da Tsunami, reorganizando e transformando a cada segundo nossa sociedade. 

Vou pegar o exemplo das mulheres, ainda temos que conviver em nosso cotidiano com valores e ideias recentes e antigas do nosso papel social, se por um lado não se exige mais a virgindade, ainda se exige que a mulher se de respeito da maneira antiga e não seja como um homem, ou seja, ainda estamos na transição de valores que com o passar do tempo, se transformam. Na minha época era absolutamente proibido mulher jogar futebol, coisa de menino, agora as meninas jogam futebol, mas ainda existe o valor de que isso não é bem coisa de mulher, os estigmas sociais vão se adequando ao transcurso.


Vou terminando o texto por aqui, deixo essa reflexão para todos, não sejamos tão rígidos e extremistas, mas sim observadores e atores de tudo isso, deixo vocês ouvindo Arnaldo Antunes.

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