19 novembro 2012

Essa moça da janela tá diferente

Hoje venho brincar um pouco com a obra do Chico Buarque, não tenho pretensão em dizer que o Chico escreveu pensando nisso, mas como Chicólatra, me autorizo fazer isso sem culpa.

Começo falando de “Carolina”, uma moça submissa que assiste a vida passar em depressão, nessa música existe alguém chamando “Carolina” para a vida e o mesmo conta que já tentou inúmeras vezes mostrar que a vida pode ser boa, conta como existem coisas belas na vida, mas que as coisas passam e Carolina insiste em viver de um amor que já morreu e continua assistindo a vida da janela e até seu amigo desistiu de fazê-la enxergar. A meu ver Carolina viveu por muito tempo paralisada mentalmente em busca de uma vida que estava somente em seus sonhos, não vivia as coisas, não tinha coragem de viver a realidade.

Já na música “Ela e sua janela”, Chico mostra outra pessoa na janela, que espia a vida lá fora e pensando que a pessoa que ama, com tantas outras mulheres deve estar se divertindo, enquanto ela imagina seu paradeiro, o aguarda para tentar ser feliz. Mostra o retrato de uma mulher que vive a vida pelo marido e que não se pode dar ao luxo de sair na varanda, ela vive entre as tarefas domésticas e sua esperança de que um dia poderá ser feliz ao lado do marido, que bebe, sai com outras mulheres e joga todo o dinheiro da família no jogo. Mas Chico dá uma esperança no final da letra da música, quando ela se sente bem ao ser paquerada por outro homem e deseja que ela vá viver a vida, sem o traste que mora com ela.

Gosto de pensar que esse homem do final da letra seja a pessoa que tenta arrancar Carolina da janela e tenta mostrar a felicidade para ela.

No segundo álbum de Chico tem a música “Com açúcar e com afeto”, que nos mostra a voz de uma mulher que faz de tudo pro parceiro ficar em casa, faz seu doce predileto, faz de tudo pra manter o relacionamento, mas o mesmo dá a desculpa de que trabalhou o dia o todo e tem o direito de sair pra se divertir, pois sustenta a casa, mas o mesmo se entrega ao alcoolismo e a infidelidade e ao chegar em casa tenta se desculpar, faz promessas impossíveis para manter o relacionamento e a parceira acaba por aceitar e se coloca no fogão para tentar agradar novamente o parceiro e mantê-lo em casa.

Já se nota que se trata de um relacionamento machista, no qual a mulher tem o dever de cuidar da casa e ser uma dama e o marido se dá o direito de ter uma vida social da maneira que quer, não se importa com a família, não se importa com a parceira, não possui empatia com o afeto da esposa, só se importa com sua realização pessoal, seu umbigo narcísico, no qual a mulher tem o dever de obedecer porque o mesmo sustenta a casa.


No quarto disco ele começa com a música “Essa moça tá diferente” e fala da moça da janela, e foi justamente isso que me fez escrever esse texto, foi perceber que existia uma moça na janela e então fui procurar nos outros álbuns, não sei se isso foi dica, mas adorei entender que Carolina meteu o pé no traste e foi viver a vida. Nessa música ele mostra um homem falando sobre uma mulher que mudou de atitude, que foi dançar, que saiu da janela e não dá mais trela para ele, se libertou das amarras do relacionamento e o traste observa tudo de longe, sabe o mal que fez para ela e ainda guarda esperanças que ela ainda sinta algo de bom por ele.


Deixo agora no final as músicas e logo volto com um novo texto, tomara que baixe a inspiração em breve.




Meu primeiro artigo em revista cientifica.

Olá colegas, amigos e leitores!

Faz muito tempo que não divido nada com vocês, estou aqui hoje pra dizer que Clarinha nasceu bem, é uma princesinha linda de quatro meses, tem alegrado os dias e noites da família inteira com suas risadas, seus papinhos com a mão (finalmente ela descobriu que tem mão), fica todo mundo bajulando hipnotizado na bebezinha. E eu que costumava brigar com meu professor de psicanálise quando ele falava sobre o cocô do bebê, aprendi finalmente o valor do cocô, vale mais que ouro isso no desenvolvimento infantil, toda mãe deveria dar valor a isso com todo afeto do mundo, desculpem-me leitores que não são da área psi e que não pensam em ter filhos ou proximidade com crianças.

Estou aqui também para dizer que publiquei meu primeiro artigo em revista científica, finalmente né? Então segue o link para quem tiver interessado em ler:

http://periodicos.incubadora.ufsc.br/index.php/saudeetransformacao/article/view/1515


Esse post foi mais informativo mesmo, portanto vou postar outro post com um texto, na verdade escrevi outro texto, mas esse fica para daqui uns dias, resolvi colocar esse porque é levinho e fala sobre sexualidade.