22 agosto 2011

Existe peso e medida sentimentais?

Olá leitores, amigos e colegas!!!!!

Bom, depois quase um mês sem conseguir achar assunto pra escrever, finalmente ontem consegui ter um insight, ainda bem pessoas, chega um ponto que me dá medo de não ter mais o que escrever. Estava eu e um amigo em casa assistindo filme de suspense, eis que de repente surge uma frase “Você gosta mais de mim, do que eu de você”, levando em conta o fato de que jamais uma afirmação dessas passaria ilesa e sem questionamentos para a pessoa aqui.

Fiquei pensando: como assim? Existem formas de medir a quantidade de sentimento? Existe uma escala para medir afeto? Sentir não é algo espontâneo? Então o sentir é algo linear, mensurável, observável e manipulável, como um modelo cartesiano, engessado e positivista? Existe receita e manual de normalização para o sentir? Depois de tantas perguntas pulsando aqui dentro, resolvi escrever sobre a temática.

Pessoas eu sei que alguns de vocês já devem ter dito ou escutado isso um dia e passou como algo voltado à verticalidade, um medir forças, tal movimento me soa um tanto narcísico e onipotente, pois não há formas de medir afeto e não tem como gostarmos mais ou menos de uma pessoa, apenas gostamos do jeito que sabemos, do jeito que somos em essência, afinal, nesse campo não existe concretude e sentimento não é substancial e nem um produto de comercialização.

Acredito muito que na atualidade os afetos são evitados a todo custo, é uma luta quase masoquista com o sentir e isso é uma faceta muito visível em aspectos consumistas da era pós-humana, consome-se muito e significa-se pouco, no entanto, quando se tem muito não se valoriza nada. Evita-se o desprazer e cultua-se o prazer exagerado e nada evolui disso, os afetos viram produtos de liquidação, ponta de estoque e substitui-se com muita facilidade, fumaça que se dissipa com a primeira brisa.

Que horror! Transformamos os afetos em coisas e coisificamos as relações humanas em pontos concretos e mensuráveis e isso é extremamente preocupante, partindo do ponto subjetivo dos relacionamentos, se tentamos medir o outro ou pré-julgar, transformamos e diminuímos nossas perspectivas e passamos a observar os afetos como um molde uniforme e vertical o que desintegra e destrói a espontaneidade de nossas vivências afetivas.

Eu sou partidária do movimento “sinto e existo” e se sinto pouco ou muito, não interessa quantidade, mas sim o sentir em si, pois só eu sei do que sinto e do que faço da minha vida e se for para ser feliz, triste ou apática, o sentimento é meu e acredito que projetar nas pessoas ou culpa-las é uma forma de me isentar da vida, é a morte na minha perspectiva.

Prefiro ter uma vida intensa e afetuosa do que ficar na janela esperando a morte chegar, como a Carolina do Chico Buarque. Evitar afeto na minha reles opinião é uma forma de adoecer psiquicamente, fisicamente, basicamente um sintoma histérico.

Vou terminando o texto e deixo uma música pra reflexão sobre o tema e um beijo na testa do meu querido amigo que gosta de colocar o afeto em uma calculadora e depois na balança pra ver o quanto está pesando e valendo.

6 comentários:

Atena Sui Generis disse...

Talvez o nao querer se envolver afetivamente, ou nao encontrar situacao propicia pra isso, nao seja histeria, ou jogar a vida fora, ou algo parecido, mas apenas uma maneira de ser, diferente da que voce quer pra voce no presente momento.
De qualquer maneira, nos dois momentos existem situacoes de tristeza e felicidade, de intensidade e tedio..
Mas eu concordo sim que se voce consegue se envolver afetivamente com uma pessoa, e esse relacionamento realmente valer a pena, der certo, a pessoa te completa de alguma maneira, eh-se mais feliz do que vivendo sozinho.. O dificil sao essas "metades" se encontrarem.. o ser humano eh muito complexo, deslocado, indefinido e, talvez hoje, com a difusao do individualismo, tenham se tornado pecas mais dificeis de encontrar seus encaixes, ou um encaixe minimo pelo menos, pra ter uma relacao com momentos plenos mais duradouros..

Quanto a mensurabilidade dos sentimentos.. bom.. nem sempre medir quer dizer colocar em numeros.. quando vc diz,por exemplo, que esta cor eh mais intensa do que aquela, vc esta colocando numeros nesta comparacao? nao esta.. nem sempre o mais e o menos querem subentender numeros.. A sua percepcao das cores eh impossivel de ser colocada em numeros.. se vc sente que esta mais ou menos frio, isso nao envolve necessariamente numeros, mas uma 'sensibilidade' que, inclusive, eh algo pessoal e subjetivo.. As vezes esta mais frio pra mim, do que pra voce, quando compartilhamos de um mesmo ambiente de igual temperatura.. Quem aqui nunca discutiu se aquela cor vai mais pro verde, ou mais pro azul? Se aquela outra vai mais pro vermelho, ou mais pro laranja? nem tudo que se "mede" traz consigo necessariamente numeros e objetividade..

Mas, no fim e, voltando ao assunto inicial... eu acredito realmente que se encontramos 'a' pessoa.. eh muito melhor do que ficar sozinho.
Por outro lado, a solidao nos faz mais fortes e independentes, mais auto-confiantes de nos mesmos, independentemente se alguem gosta da gente (digo especificamente dos relacionamentos amorosos), se aprendermos a reagir de maneira proveitosa diante da situacao solitaria.

Eh interessante pensar se muitas vezes nao procuramos uma outra pessoa por necessidade de suprir nossas insegurancas com relacao ao que nos somos, como relacao a nos mesmos, procurando assim, a aprovacao no terceiro, que muitas vezes nao encontramos em nos mesmos.
Eu tenho certeza que isso acontece ou ja aconteceu com a maioria das pessoas.. nos apegamos ao outro porque estamos acostumados, ou desejamos dessa pessoa, que ela nos aprove, ja que nao conseguimos nossa propria aprovacao, ou aceitacao de tudo o que somos.

nao levem em consideracao as virgulas colocadas em lugares errados.. tou com preguica de corrigir e, as vezes eh pq nao sei usar essa porra mesmo..rs

sua escrita ta bacana.. melhorou bastante, na minha humilde opiniao..

Atena Sui Generis disse...

Ah.. eh a Lessa (apelidinho maldito kk)

Maria Raquel Moretti Pires disse...

Achei que era uma colega de sala, ela usa o nick Atena tb... eu busquei o texto na afirmativa, mas expandi ele pro conceito de vida liquida do Z. Baumann, um antropólogo que escreve sobre a fluidez da sociedade atual, sobre os descartáveis e acredito muito que o advento das ciências e da tecnologia só pioraram as relações, acredite daqui um tempo esse mundão, da forma como está indo vai ser um lugar inóspito e inabitável socialmente, pois, o que nos mantém em sociedade são os tácitos acordos sociais, éticos e morais e com as facilidades, tudo vai se distanciar e o que restará são seres apáticos e desumanos, afinal a coisificação é uma coisa muito perigosa...
Quando eu falo sobre histeria, é sobre a doença histeria, doença advinda dos recalques e ninguém vive sozinho, afinal somos seres sociais, alias, com o individualismo a sociedade a cada momento que passa, torna-se mais psicótica do que neurótica(voltando a histeria), então, com a apatia das relações e das gerações futuras, teremos uma enxurrada de pessoas psicóticas e apáticas.

Atena Sui Generis disse...

talvez procuramos muitos erros e situacoes a serem corrigidas no mundo.. isso eh muito comum nas ciencias humanas.. mas nao seria interessante se tentassemos aprender a aproveitar melhor as caracteristicas ja existentes da sociedade, ao inves de repudia-la em prol de um mundo melhor que inventamos? detalhe: NOS, humanos a inventamos um mundo melhor na nossa cabeca, e queremos colocar na pratica.. mas eh aquela velha ideia (nao, nem sempre o senso comum deve ser subestimado!) "na pratica, a teoria eh outra..." O mundo esta em constante mutacao.. enquanto tentamos conserta-lo com ideias prontas, ideias classicas seguidas por nos e criadas por algum outro ser humano.. O mundo eh assim. Devemos conserta-lo? Sera que nao existem outras saidas? sera q o erro nao esta em exatamente olha-lo de uma maneira negativa, para entao tentar corrigi-lo?
O mundo acontece independente dos nossos valores.. alias, os valores, a civilizacao humana, tudo que eh caracteristica que distingue o ser humano eh o que ha de mais atual na existencia do universo. por que deveriamos nos, ter a pretensao de querer consertar o mundo, com algo tao mais recente e que nao aprendendemos a usar devidamente, que eh a nossa cultura e nossos valores? acho q deveriamos ser menos pretensiosos com a nossa crenca, ateh mesmo conviccao, de que podemos consertar o mundo.. enfim.. para nao fugir ao tema.. se as pessoas sao como sao.. podemos dizer.. individualistas, se a afetividade esta sendo deixada de lado.. devemos condenar isso? que tal pensarmos em, talvez, como aproveitar isso? talvez o maior erro humano esteja em acreditar q ele pode 'acertar' o mundo.

Maria Raquel Moretti Pires disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria Raquel Moretti Pires disse...

Lessaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa não acredito em um ser humano moldado, justamente escrevi o texto para dizer isso, que cada um sente do jeito que sabe sentir e que não se mede sentimento e nem se controla... não quero mudar o mundo, nem acho que isso é possível e necessário, foi uma reflexão, somente isso, o meu blog se presta a isso, reflexões, é meu espaço de treino intelectual, é o espaço que não preciso de ABNT ou APA, sem metodologia.
Usei algumas coisas pra expandir a ideia de ser humano como objeto, não pra medir forças com ninguém... se você achar bacana, está convidada a escrever algo sobre sexualidade aqui...