05 março 2011

Um retorno ao "filme" Labirinto...

Olá pessoal!

Quando eu era pequena meus pais me deram a oportunidade de ver e mergulhar no filme “Labirinto: A magia do tempo”, por anos assisti repetidamente, a ponto de decorar as falas. Estou escrevendo esse texto ao som da trilha sonora (Underground) do filme e muito feliz por ter achado a versão desse filme com a dublagem oficial, pois a dublagem de agora não supre meus desejos. O que me levou a escrever sobre essa temática foi a percepção de que ainda não consegui sair do labirinto até hoje e o filme possui elementos que mexem comigo, então decidi fazer a análise partindo das minhas fantasias.

No início do filme aparece Sarah em um parque ensaiando uma peça de teatro na companhia de seu cachorro, quando vê que está atrasada para a chata tarefa de cuidar de seu irmão Tolby, chega irritada e discute com a madrasta, sente incomodo por não ter liberdade de fazer planos nos finais de semana, afinal o pai sai com a madrasta todo final de semana.

Essa passagem mostra um elemento chave, na verdade Sarah não aceita a condição do pai amar outra mulher, não aceita o fato dele “abandoná-la” para se divertir com a madrasta, sente-se traída e injustiçada (todo momento ela diz que não é justo), pois, tem que cumprir o papel de mãe do irmão, mas não pode ser mulher do pai.

O mundo de Sarah aparece todo misturado e monocromático, ela deseja ser independente e ter autonomia, mas abdica dessa vontade e fica no mundo da fantasia, recorrendo ao livro que “representa” e quando não suporta mais, dá seu grito de liberdade, solicitando a Jareth que leve o irmão embora.

Agora vem a parte maravilhosa do filme, Jareth oferece duas escolhas à Sarah, ou ela se contenta com a vida de fantasia ou ela “acorda” e vai em busca de seu irmão no castelo da cidade do duendes e logicamente ela aceita a aventura. Pessoal, Jereth é um gênio, imaginem se não existisse essa parte, Sarah ia cuidar de seu irmão até meia – noite, num tédio fatal, mas acontece que ela não aceitou o tédio e foi conhecer o mundo, em 13 horas passou por vários momentos de altos e baixos, fez amizades e parcerias, conheceu novas nuances e principalmente movimentou sua vida.

Jereth o modificou o tempo e as coisas para que fosse especial, para satisfazer a vontade de Sarah de ter uma vida mais movimentada, do que “uma garota que cuida de um bebê” como ele mesmo diz. Ele mente para Sarah, dizendo que se ela deixar o irmão em suas mãos, ele realizará todos os seus sonhos, mas ele realiza mesmo assim.

Gente uma parte marcante acho que pra todos nós, é o “Poço do Fedor Eterno”, visto que essa parte pelo menos para mim, representa a podridão que temos por dentro, nossa parte vilã e mau-caráter e o mais incrível de tudo isso, é que mesmo nessa parte, mora a aceitação com tudo isso (Sir. Didimus), que não se importa com o cheiro e com a podridão e que inclusive se beneficia e sente orgulho de tudo isso.

Seguindo o caminho para o castelo da cidade dos duendes, Hogle dá um pêssego com algum tipo de alucinógeno para Sarah, que Jereth ordenou que entregasse à garota, lembrando um movimento de traição e infidelidade que também possuímos internamente. Quando Sarah adormece, torna-se princesa em um baile de máscaras, extremamente simbólico isso, pois vestimos mascaras para mascarar nossas verdades e ela finalmente se entrega ao desejo, mesmo com tantos disfarces, ela busca Jereth e ele se esconde e observa prazerosamente Sarah à distância, tudo isso envolvido em uma macia balada (As The World Falls Down).

Ela desesperada, busca Jereth em todos os lugares e dança com ele, sentindo ao mesmo tempo uma espécie de insegurança misturada à timidez de se reconhecer como mulher para a sociedade que a observa e aponta, ela não usa mascara, está entregue as suas paixões. No final ela entra na negação dos desejos e cai em um depósito de lixo (culpa), o que me parece um tipo de arrependimento e culpa misturado à vontade de não crescer, pois esquece tudo o que aconteceu e volta ao seu quarto, em um estado de confusão mental.

Quando percebe que está de volta ao seu universo de fantasia, novamente Sarah recupera sua lucidez e busca seus parceiros para resgatar o irmão, sente a responsabilidade de ser ela mesma e não mais a filhinha do papai e vai lutar para chegar no castelo.

Quando chega o momento de entrar no castelo, decide ir sozinha, mas seus amigos a deixam segura de que está protegida, o que me remete a ideia de que ela finalmente conseguiu se tornar forte a ponto de enfrentar o maior desafio do filme, ou seja elaborar seu desejo de ser autônoma.

Depara-se com um cenário totalmente desintegrado, de cabeça para baixo e para cima, gritando pelo seu irmão e se preocupando com ele, não só com ela como no início, demonstrando maturidade. Em um dado momento, Sarah se joga e cai lentamente até tocar o chão, até ficar com os dois pés no chão, em solo firme. Jereth se aproxima (parece uma Drag Queen louca) e oferece novamente o mundo de fantasia, inclusive mostrando à Sarah o que fez por ela, solicita seu amor em troca, mas Sarah amadureceu com sua passagem pelo Labirinto e rejeita a oferta, mas em um momento, talvez de dúvida se esquece da fala, mas, recorda-se no badalar das 13 horas e retorna a casa.

A escolha de 13 horas eu já tentei entender e cheguei e conclui que 13 é ímpar e não par, não forma par, deixando a rebarba do número quebrado, então não tem possibilidade de se formar um par com Jareth, pois naquele momento tudo é ímpar, levando nossa protagonista a dizer o primeiro não verdadeiro.

Quando Sarah volta, dá seu brinquedo favorito ao irmão e retorna ao quarto e sente-se sozinha, mas seus elementos internos estão mais fortes (seus amigos), o que a deixa tranquila e feliz com tudo o que conseguiu e de saber que a vida não é medida por justiça, mas, por muito trabalho e conquistas.

Bom pessoal, foi longo o texto, mas necessário, tentei escrever um texto menor, mas, gosto muito desse filme como disse no início, vou deixar os vídeos no final do post para vocês degustarem um pouco de Bowie e relembrar desse maravilhoso filme.


Acho que vocês perceberam que ultimamente estou escrevendo um texto por mês, vou tentar escrever mais se der tempo, pois, estou no último ano de faculdade e as coisas estão apertadas ultimamente.

6 comentários:

chris disse...

oi, assim como você tambem sou uma apaixonada pelo filme labirinto, e acabei entrando aqui exatamente por isso. Pois descobri que tem agora o tal do Labyrinth II: Return of the Goblin King, so que no youtube parece ser um filme e aqui na net enquanto estou procurando se realmente existe um filme ou se e so historinha que o povo conta. se voce souber de alguma coisa conta ai.

Regina disse...

Olá, também achei uma postagem falando da continuação do filme e gostaria de saber se existe mesmo, pois procurei em todos os lugares da net e nada.
Vi até um trailer com a chamada do Retorno ao Labirinto, ela ja adulta e mostra eles se beijando...é muito lindo...gostaria de saber se realmente existe. Pode me ajudar? Labirinto é um filme de quando eu tinha 16 anos. Obrigado.

Anônimo disse...

adorei seu texto, adoro o filme Labirinto e tbem estou em busca do Labirinto 2...sempre imaginei como sendo a transição da criança para a adolescencia, vida madura, e David Bowie está Demais!!!!...

claudia disse...

adorei seu texto, adoro o filme Labirinto e tbem estou em busca do Labirinto 2...sempre imaginei como sendo a transição da criança para a adolescencia, vida madura, e David Bowie está Demais!!!!...

Anônimo disse...

Estou a procura de qq informação sobre o filme Labirinto 2 se puder me ajudar.
Valeu!

Anônimo disse...

gostei da sua interpretação do filme ,sou uma fã incontestável,tb estou à procura do 2 tb!!!