22 julho 2010

Sobre o brincar: porque não?

Olá pessoas lindas que passam por aqui ou estão de passagem.

Resolvi escrever sobre o brincar, no sentido de como somos tolos ao esquecer nossa infância e com toda racionalidade adulta nos esquecemos da criança que vive dentro de nós e que deixamos de castigo e isso às vezes não é muito saudável.

Quando éramos crianças, pelo menos as pessoas da minha época brincavam na rua até o anoitecer e só voltávamos para casa com o grito de nossas mães chamando para tomar banho e jantar e se desse tempo, voltávamos a brincar até a hora de dormir. Com todo o individualismo, as crianças de agora ficam trancadas no apartamento ou dentro de casa, com exceção de algumas que ainda conseguem brincar na rua.

Crescemos e nos tornamos adolescentes, cheios de novos desafios e tentamos provar ao mundo que não éramos mais crianças imaturas e ganhamos o direito de fazer as coisas sem supervisão de adultos. Mas alguns usaram essa “liberdade” para fazer coisas que geravam frutos bons, outros, com toda a ansiedade e imaturidade adolescente, usaram para se paralisar e continuaram crianças.

Chegamos na fase de adultos jovens e nos esquecemos da ternura e da diversão e pegamos a racionalidade como aliada da vida. Alguns tiveram filhos, se casaram, outros não, enfiaram a cara no trabalho e se esqueceram de brincar com a vida. Umas das coisas boas de se ter um filho, é lembrar que a vida pode ser simples e alegre. A mente lúdica da criança mostra aos adultos como é bom brincar e geralmente pais que se dedicam aos filhos, entram no universo infantil de cabeça, são racionais pelo desenvolvimento das atividades mentais, mas alimentam uma flexibilidade psíquica, conseguindo assim se juntar ao mundo lúdico e entender as necessidades afetivas dos filhos.

É sabido que o inconsciente não tem tempo cronológico e que tudo que está dentro dele reprimido, não conhece tempo e espaço. Nossa infância deixa lacunas não preenchidas que podemos sim quando adultos resgatar e transformá-las em frutos bons. Uma das coisas que se perdem quando nos tornamos adultos é o brincar. Quando crescemos, muitas pessoas perdem a espontaneidade infantil, aquela coisa que fazemos porque queremos, que nos dá prazer nas coisas mais simples da vida.

Vocês devem estar se perguntando se eu já fiquei louca e posso afirmar de todo coração que pela primeira vez na minha vida torta estou em um momento enorme de lucidez. Poxa gente, depois que eu descobri que brincar é a coisa mais gostosa do mundo, estou me sentindo calma e alegre. E digo mais, quando brincamos nos apaixonamos pela vida, tudo fica mais gostoso, sai do padrão robótico de racionalidade.

Oh! Nunca me chamem para festa infantil porque geralmente eu entro na piscina de bolinha e no tobogã com as crianças e ainda acho que deveria ter um playground para adultos que gostam da sensação que estes brinquedos causam.

Não estou falando para todos abandonarmos nossos trabalhos e sair para brincar, mas sim tornar a vida mais prazerosa. Brincar de casinha, cozinhando coisas que dão prazer ao paladar; jogar vídeo game nas horas vagas; jogar R. P.G; entrar no tanque de areia com os filhos no parque e fazer um belo castelo de areia; pintar; ouvir, sentir a música e bailar com a vida; ler contos de fadas; assistir filmes e comer pipoca; fazer cócegas no namorado (a) e rir junto, dentre outras coisas que ficam à mercê da imaginação criativa de vocês.

Outra maneira de brincar é se apaixonar por alguém e posso dizer que não é ridículo se declarar e se entregar num relacionamento afetivo. Tem coisa mais de criança que fazer voz de ternura para o parceiro (a), parece bobo, mas é a coisa mais gostosa do mundo, é sentir-se criança novamente, e se deliciar na vivência de continuidade com o outro.

Lembro-me quando estourou com um enorme sucesso a música “Velha Infância” dos Tribalistas, que falava em amor puro e que geralmente sentimos quando estamos vivenciando, vou deixar o clipe para vocês no final do post e da música da “Legião Urbana”, “Vamos Fazer um Filme”. Fala de um amor que se entrega e se doa, a ponto de brincar e ser feliz como na nossa infância. Essa música além de tudo, fala de rudimentos infantis que mexem com elementos lúdicos que estão preservados em todo ser humano, ou seja, fala da nossa criança interna que sai pra brincar quando nos apaixonamos. Não existe amor quadrado, sem prazer, com tudo calculado nos mínimos detalhes e se for assim, sem diversão, podemos chamar de qualquer coisa, menos amor.

Se todos vivêssemos dentro da racionalidade total, não suportaríamos a realidade sem a fantasia, aliás, tudo ia ser muito quadrado e sem sentido, ou com sentido de mais, afinal, uma vida só de desprazer é doentia e sem sentido, está em pulsão de morte.


Termino meu post com muita alegria de dizer que estamos chegando a quase dois anos de blog, agradeço de todo coração aos meus queridos leitores, por continuarem acessando esse espaço e aos e-mails que recebo, com o carinho de vocês. Deixo vocês as sábias palavras de Renato Russo, “Hoje não dá, está um dia tão bonito lá fora e eu quero brinca...vou consertar a minha asa quebrada e descansar... só nos sobrou do amor à falta que ficou”.


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