07 janeiro 2010

O que a princesa Jasmine (Aladdin) tem em comum com o Capitão Georg Von Trapp (The Sound of the Music) ??

Olá caros amigos, colegas e leitores.

Nos primeiros dias do ano em um momento de nostalgia, fui assistir alguns dos meus filmes de infância e passei por vários filmes. Dentre eles, dois me chamaram à atenção, pois havia ali, uma relação muito parecida.

Primeiramente, assisti The Sound of the Music (não gosto do título nacional), numa madrugada de insônia, que passou numa rede de TV, que me nego a escrever o nome, e comecei a refletir o comportamento do tão patético e chato Capitão Georg Von Trapp e na noite seguinte, fui assistir Aladdin com minha filhotinha, e me deparei com a princesa Jasmine. Foi aí que consegui entender um pouco, algumas coisas sobre solidão, apatia, desilusão e outras coisitas que assombram a vida de algumas pessoas.

Ao assistir Aladdin, descobri uma menina cheia de sonhos, mas presa por regras sociais, que não a deixavam realizá-los. Jasmine era uma princesa Disney como qualquer outra, que era fadada a se casar com um príncipe rico, renomado, mas ela já havia recusado vários convites de casamento, pois não aceitava a tradição, era privada de escolhas e não gostava. Assim como em muitos momentos de nossas vidas, também nos abstemos de nossas possibilidades, mas não era somente isso, ela também foi privada de entrar em contato com outras vivências, só conhecia o palácio e os costumes ali instituídos e assim como uma criança desobediente, fugiu do palácio e foi suprir um pouco sua curiosidade, mas logo já foi punida e trancafiada em sua prisão novamente. Mas ao conhecer Aladdin, pode sentir um pouco liberdade e de segurança em si, pois ele não a queria aprisionar e muito menos esperava algo dela.

Já no segundo filme, The sound of the Music, nos deparamos com Georg, um Comandante Naval, viúvo, pai de 7 filhos e trancafiado dentro de sua imensa mansão, para não dizer prisão de luxo, na qual constituiu sua família ao lado de sua esposa quando viva. Ao que se mostra no filme, quando ela ainda vivia, a casa era cercada de alegria e todos viviam como uma família equilibrada. Quando a Sra Von Trapp faleceu, Georg conduziu seu lar como se comandasse um navio e seus filhos é que acabaram pagando o pato, viveram anos em um regime de educação militar.

]Georg buscou se esconder de tudo que lembrasse os anos de ouro vividos com a esposa, inclusive fugindo do afeto e alegria que os filhos lhe proporcionavam, mas existe um porém nisto tudo, as crianças cresceram e começaram a se revoltar com a situação, e a cada governanta contratada eles chamavam a atenção do pai, aprontando travessuras contra elas. Até o dia em que o convento enviou Maria para a casa e esta desafia o capitão, mostra que os filhos são pessoas, dotadas de sentimento e que precisam dele, ou seja, a tentativa de fugir saiu pela culatra.

O que eu quero dizer com essas duas histórias é que tanto Jasmine quanto Georg são personagens solitários, tristes, amarrados e presos num universo monocromático, Jasmine por ser criada e educada de acordo com certos padrões e Georg por se abster de tudo em troca de amargura. Vivem em uma sociedade castradora, que espera da alta sociedade um comportamento ideal de acordo com suas regras e normas sociais.

Ao conhecerem seus parceiros afetivos, Jasmine e Georg começaram a viver, a enxergar o mundo com outros olhos e principalmente descobriram outras formas de conduzir a vida. Não foi a Maria e muito menos o Aladdin que salvaram a princesa e o capitão, eles simplesmente mostraram como o mundo era legal para eles, só os convidaram para dança das cores.

Tem uma parte no desenho, que sempre me emociona, é quando o Aladdin leva Jasmine para passear de tapete, primeiramente ela recusa a voltinha, depois ela sente aquilo que sentiu no mercado e se lança na aventura, se entregando totalmente a descoberta de novos horizontes.
E Maria por outro lado, fez sua escolha quando seguiu sua forma de ver o mundo, ao mostrar para as crianças Von Trapp o prazer de brincar, de cantar, etc. Quando Georg se deparou com tudo de cabeça pra baixo, primeiro foi contra, negou sua felicidade, mas ao rever seus filhos, ao sentir novamente aquela sensação, se libertou da prisão e foi viver. Inclusive se separando da Baronesa, que representava toda a infelicidade que ele havia vivido após a morte de sua esposa.

Pessoal, sei que o texto foi um pouco longo, mas não tinha como falar sobre dois filmes, sem escrever assim, o que tentei mostrar um pouco, é que assim como tais personagens, nossa vida às vezes segue em piloto automático e nos esquecemos e dar significado às nossas vivências cotidianas e tudo fica apático, sem graça e envelhecemos, chato isso não???

Sempre ouço que namoro só bom só no começo, e que com o tempo as coisas ficam mornas, acho isso balela, não concordo. Então a vida da gente só ia ter importância no início também, concordo com o refazer, com o significar, com o vivenciar e principalmente com o experimentar. Se colocarmos a vida em marcha fúnebre, não nos damos oportunidade de conhecer o maravilhoso Bolero de Ravel e muito menos as batucadas quentes do Cordel de Fogo Encantado.

A vida é feita de cores, sons, cheiros, notas, texturas, sabores o que nos resta é apreciar e degustar tudo o que ela tem a oferecer. Se olharmos o mundo num molde só, deixamos de perceber que podemos construir o nosso próprio molde, nossa própria personalidade, independente de moralidade, regras e costumes.


Então é isso pessoal, sei também que não estou escrevendo tanto sobre sexualidade, mas tudo fica implícito, a vida é assim e o blog se propõe à ciência e a vida também. Vou deixar dois videos sobre os filmes, o primeiro é do Aladdin da Disney e o segundo sobre The Sound of The Music.


5 comentários:

danillo(frango) disse...

Olá raquel, li os outros textos, mas este ultimo foi uma amalgama completa, mesmo com uma certa relutância tenho que lhe dizer que seu estilo esta com certeza atingindo novos patamares de onomasiologia e sinestesia literária, das prosas de chinelo e travesseiro na mão, passou para a mais indelével arte de atenuar e eclipsar a moral dos nossos dogmas da sociedade moderna, como é o caso dos filmes da Disney, que com certeza esta no panteão dos nossos deuses da infância, só não posso aquiescer a tortuosa análise sobre os dramas vividos pelos dois personagens citados, já que culturalmente eles estão no exato lugar onde deviam, que essa tentativa de rebeldia e mutação das tão rígidas leis sociais é uma hipocrisia manifestada, pois não vejo ninguém reclamar na hora de morar num palácio nem em uma mansão, e a infelicidade deles se deve mais ao ostracismo e apatia emocional, a imiscível covardia, do que as “rígidas leis que tornam todos nós infelizes”, estamos num contexto cultural, fugir e negar esse fato é que leva as pessoas a infelicidade....Apenas isso, o resto ficou muito interessante...fico por aqui e beijos....

Raquel Moretti disse...

Frangão que saudade dos seus comentários, fiquei super feliz.
Em relação aos filmes, fiz analise sim,pois a história dos filmes,são pano de fundo e é fato veridico que o Capitão Von Trapp fugiu de verdade com a familia abandonando a riqueza e a Austria, em troca da ideologia e foram para os EUA. Ainda existe a Trapp Family Singers, só que com netos e acho que bisnetos. A Maria teve outros filhos com o Georg.
Uma das doenças que assombra a humanidade e torna a depressão um dos grandes males, é a negação de si mesmo, é o viver dentro de padrão individualista,castrador, punitivo, sendo que existe tantas maneiras de se viver a vida de forma prazeirosa.E olha que não estou dizendo "vivam em anarquia pessoal", simplesmente estou dizendo que o negar,reprimir causa cegueira, dores e problemas intestinais.
O ser humano não precisa de permissão para uma vida plena e isso não envolve situação financeira, envolve auto-conhecimento,coragem,determinação,segurança e principalmente amor proprio com uma grande pitada de independência emocional.
Frangão aquele abraço pra ti,te desejo um 2010 cheio de desafios e que em alguns momentos, você consiga dar um stop na correria para dar risada com os amigos.

Danillo(frango) disse...

Ainda acho uma hipocrisia desmedida, pois interpreto esses personagens mais como covardes do que oprimidos pelo sistema, achei seu exemplo incompleto, A jasmim, por ser uma princesa, consequentemente fragil e estupida, e o capitão por ser egoista e covarde, pois nenhum deles, apesar de todos os recursos a disposição precisaram de terceiros para lhes abrir os olhos, quer dar um exemplo de como o sistema pode ser opressor e cruel, pegue o aladin ou a baba dos filhos do capitão....Concluindo eles preferem serem tristes em um palacio do que felizes na probreza...e quem não prefere né?....beijos....

Raquel Moretti disse...

Frango o texto não fala sobre isso rapaz e nem é essa a discussão que me propuz a fazer.
Todos nós em alguns periodos da vida precisamos de terceiros para nos ajudar e até nos ensinar em algumas situações, afinal, vivemos em sociedade,e o doar e receber independe de qq coisa material.O ato de se abrir à novas experiencias, não significa covardia e muito menos ignorância.
Então é isso...beijão

Usuale disse...

"Quando temos esperança,começamos a dar mais sentido as nossas vidas!"

Beijo e bom final de semana!

Fonte: http://www.guiademulher.com.br/