20 novembro 2009

Ganhos e Perdas : Uma Análise Sobre o Amor

Olá caríssimos amigos e leitores!!!

Finalmente consegui tempo e criatividade para escrever algo para o blog e estou pensando no assunto há pelo menos uns 2 meses, mas não estava conseguindo me concentrar somente nisso, então “let it be”, como diria Sr Paul McCartney.

Em julho deste ano me indicaram o filme Crepúsculo várias vezes e várias vezes eu recusei, alegando ser um filme chato, e sem graça, até o dia que eu vi o trailer do filme Lua Nova e resolvi assistir. Fiquei loucamente obcecada, li todos os livros em duas semanas e passei a acompanhar de perto a febre mundial que se instalou em torno da saga.

Bom, não vou ficar aqui falando de lobos e vampiros, muito menos da fofura de Edward Cullen e Bella Swan, vou falar de algo mais interessante, vou discorrer um pouco sobre as relações humanas e um pouco sobre o que temos em comum com esses livros. Lembrando que pode ser que eu misture algumas informações com o livro Sol da Meia Noite.

Quando iniciamos a idealização de um sonho, temos de certa forma uma incrível curiosidade pelo desconhecido e depositamos nossas melhores intenções e desejos, mas acima de tudo, depositamos nossa autoconfiança, segurança e fazemos o possível e o impossível para que tudo dê certo. Assim como Bella se lança ao desafio de viver com o pai que nunca teve um contato muito intimo em uma cidade na qual não conhece pessoas da sua idade. Quando chega à cidade, a garota se depara com a solidão, mas ao mesmo com o acolhimento e a curiosidade alheia, sente-se insegura perante tanta exposição, chegando a formular hipóteses sobre seus colegas de escola, mas ao deparar com a estranha família de Edward, sente-se um pouco melhor, por notar que não é o único alvo de atenções no local.

Na vida real, passamos por situações bem parecidas, somos seres sociais, queremos nos igualar ao grupo presente e estar em evidência nem sempre é uma situação prazerosa, pois parte nossa mostra-se insegura em algumas ocasiões. De início quando nos deparamos com o desconhecido e se este não nos reforça da maneira como imaginamos, às vezes nos causa curiosidade, mas nem sempre, pode nos causar insegurança, mas no caso do livro, o desconhecido é bem atraente e por ser atraente, é evidente a necessidade de impressionar a outra parte, de se desfazer maus entendidos e se iniciar uma tentativa de sedução custe o que custar.

No decorrer dos livros, Bella e Edward enfrentam as dificuldades normais de um casal adolescente, tais como: sexualidade, convívio social, aceitação familiar, etc. No final do livro, os dois construíram um relacionamento incondicional e Bella quer de certa forma imortalizar o namoro contra a vontade de Edward, que não sede as vontades da mocinha, simbolizando a maturidade de Edward que protege a imprudência de Bella.

O conceito de valores, do ponto de vista do nosso sofredor herói (Sol da Meia Noite), é mantido, ele não abre mão de sua maturidade por um capricho da irresponsabilidade de sua amada, não sede ao seu egoísmo. Outro tema abordado é imortalidade, todo ser humano quer ser imortal e a forma como é conduzida a imortalidade pela autora, é uma imortalidade humanizada, em que poderíamos viver como seres normais.

Agora vou entrar na questão que fiquei todos esses meses pensando. Afinal, quando construímos um sonho e passamos a vivenciá-lo em nosso cotidiano, é normal que não desejamos a morte dele. Cuidamos da melhor forma da questão, não estou dizendo que a melhor forma é a maneira correta, mas sim que despejamos nossas energias vitais e aprendemos a desfrutar e degustar a sinfonia com todos os nossos sentidos. Ficamos felizes, seguros, leves e praticamente viciados na experiência de amar verdadeiramente uma pessoa, amar a experiência.

Se acontecer como ocorreu no livro, em que tudo estava caminhando de maneira harmoniza, sem problemas sérios, que pudesse colocar em risco esse sonho e de repente tudo é tirado de uma forma célere, sem um declínio gradual, ficamos paralisados. Gente eu não sou psicanalista, mas tenho que fazer um comentário, isso que aconteceu com a Bella se chama deprivação, é como dar um chocolate gostoso para uma criança e arrancá-lo na metade. No caso da mocinha, o gostoso era o vampirão, com todas suas qualidades e sua família maravilhosa. Ela teve tudo isso e retirado de forma abrupta dela, causando o adoecimento psicológico.

Quando ele diz que os seres humanos esquecem tudo com facilidade, temos de agradecer por sermos humanos e nos apaixonar por várias coisas, pessoas, situações e termos a capacidade de esquecer alguns estados passionais depois. Imaginem vocês apaixonados a vida toda por coisas à qual já se apaixonaram? Imaginam amar a vida toda o menino (a) do prézinho que brincava com você?

Bella suspendeu sua vida, não poderia evoluir como ser humano naquele momento paralisou sua existência. A morte do sonho a matou como pessoa naquele período realmente, mas graças à capacidade do ser humano de ser livre, com o tempo, mesmo presa e suspensa Bella começou a buscar outras possibilidades, assim como nós também buscamos. Ao se deparar com sua imaginação, se apoiou no espectro do sonho, ainda morta, e buscou em Jake uma possibilidade de vivenciar o sonho morto, mas encontrou um novo sonho, uma outra forma de experimentar a vida. Com isso não deixou o sonho, o espectro, mas passou a se empenhar em uma nova vivência, passou a dar outra significação à sua vida.

Quando o sonho falecido volta a bater a sua porta, Bella, já havia construído outro sonho e fica dividida entre as situações, mas essa discussão fica para um outro post.

O que eu quero dizer com esse final, é que em alguns momentos de nossa existência, construímos e desconstruímos vivências o tempo todo, algumas causam um impacto maior, outras nem percebemos, mas o importante é a nossa capacidade de criar, realizar, se doar, modificar, vivenciar, sentir e aproveitar nosso leque natural de possibilidades.

Em alguns momentos, suspendemos nossas vidas, mas somos como a fênix (pássaro mitológico que se transforma em cinzas e delas renasce), mas após cicatrizar, pegamos nossos tijolos naturais e reconstruímos novamente o viver, um novo mundo recheado de novas possibilidades. Não jogamos nosso repertório de vivências fora, mas utilizamos para construção de novas experiências.


Pessoas, vou me despedindo por aqui prometendo voltar a escrever sempre que puder e não deixar vocês tanto tempo sem textos. Agradeço desde já pelas 500 visitas que recebi no período que não escrevi, fiquei surpresa e isso me motivou a voltar a escrever, provavelmente vou preparar algo melhor para o próximo post, estou enferrujada, estou precisando de óleo nas articulações mentais.