15 janeiro 2009

Porque nos apaixonamos? Algumas respostas sobre emoções.


Olá caríssimos amigos e leitores!!!!
Primeiramente gostaria de agradecer o grande número de acessos do último post, fico muito feliz quando acontece e rende alguns comentários. Essa semana escolhi como tema, buscar algumas respostas para a paixão acontecer, já escrevi algumas vezes sobre, mas retorno de forma mais profunda. Fui buscar na ciência algumas informações, então não estranhem se o texto estiver um tanto mais formal.
Iniciei buscando os motivos pelo qual os seres humanos se apaixonam e a Psicologia Evolucionista acredita que essas emoções (amor, paixão) são produzidas pelo cérebro para favorecer a perpetuação da espécie, já que o ser humano é racional e pode optar pelo destino da sua vida. Os genes usam o prazer dessas emoções para aumentar o número de descendentes.

Uma descoberta recente foi de que a proteína ocitocina, responsável pela produção do leite materno, está ligada ao processamento de sentimentos e emoções, agindo no mecanismo de recompensa cerebral. O Neuroendocrinologista Uvnäs-Moberg em um de seus estudos demonstrou que a liberação de ocitocina pode estar condicionada a estados emocionais e imagens mentais. O cientista pensa que a lembrança das sensações agradáveis causadas pela ocitocina, ainda que na ausência do reforçador, são suficientes para ativar as emoções amorosas.

Outra descoberta interessante feita por Richard Lannon, Thomas Lewis e outros, foram que nossas referências sobre o amor são armazenadas em nossa memória implícita (responsável também por movimentos como digitar sem olhar pro teclado ou andar de bicicleta sem ter medo).
Esse é um dos motivos que as pessoas se inclinam a escolher parceiros sempre com os mesmos defeitos ou qualidades.

De acordo com a professora Cindy Hazam (Universidade Cornell, Nova Iorque), “Seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante 18 a 30 meses”, ou seja, tempo o bastante para reprodução. Um tanto antirromântico isso né? Mas não vou contra a ciência não, mas também não concordo com tudo, ainda bem que a ciência é flexível e pronta a mudanças.

Para a antropóloga Dra. Helen Fisher, o ser amado é igualmente perfeito e até seus defeitos tem um certo charme, tornando-se o centro do universo, alimentando o desejo de exclusividade e fidelidade. A paixão por outro lado é involuntária e incontrolável, ou seja, é como se fosse uma droga, um vício do qual se quer e precisa cada vez mais.

Os neurocientistas ingleses Andréas Bartel e Semir Zeki, reconhecem que a visão da pessoa amada, já basta para o sistema de recompensa cerebral decodifique a informação e a transforme em prazer, pedindo mais e mais dessa emoção. Tenho que admitir que me enganei e muito quando disse a vocês no início do blog que controlamos nossas emoções.

Concordo com a Dra. Fisher quando diz que “temos três sistemas cerebrais diferentes: o primeiro se trata do impulso sexual; o segundo é o “amor romântico”, um estágio de sentimentos obsessivos associados ao parceiro; o terceiro seria a sensação de segurança que você sente quando vive com alguém por muito tempo”.

Em outra passagem Fisher justifica que “o propósito do amor romântico é a concentração em uma única pessoa. Há milhões de anos, as mulheres precisavam de um parceiro para ajudá-las, pois viviam em regiões perigosas”. Acho que a maioria das pessoas, sabem que o mecanismo cerebral não tem modificações, o que muda são os reforçadores ambientais, tanto que as respostas fisiológicas para determinadas emoções são as mesmas desde a pré-história, ou seja, as transformações são ambientais pois o ser humano é um ser social e não fisiológicas.


Sei também que a visão Darwinista da coisa tem um certo tom de cinza, mas não podemos negar que está correta em partes sua teoria. Vocês podem estar se perguntando: onde está o sentimento? A poesia? Tenho uma ótima resposta, que talvez não seja tão aceita para maioria das pessoas: no seu cérebro, tudo bem armazenadinho, codificado, decodificado e processado pela memória de longo prazo. Afinal, tudo o que acontece em nossas vidas e corpos são responsabilidade do cérebro. Sentimos as emoções pelo cérebro. Portanto caríssimos, para encerrar mais um post. Quando sentirem dor ou prazer de amor, não culpe ou agradeça o parceiro, o seu cérebro é responsável por tudo.

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